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The Gorge é uma mistura de ação sci-fi e romance monstruoso que quase acerta, mas não chega lá

Miles Teller, Anya Taylor-Joy e Sigourney Weaver estrelam o novo filme do diretor de Doutor Estranho.
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Tempo de leitura: 3 minutos

No papel, The Gorge parecia ser um sucesso garantido. A trama gira em torno de dois atiradores de elite posicionados em lados opostos de uma imensa e misteriosa garganta, que pode ser um portal para o inferno. Sua missão é protegê-la a qualquer custo, mas, quando os dois começam a desenvolver uma conexão, suas responsabilidades vão por água abaixo — e o inferno é libertado. Os protagonistas são interpretados pelo excelente Miles Teller e pela incrível Anya Taylor-Joy, sob a direção de Scott Derrickson, que já nos impressionou com filmes como A Entidade (Sinister), Doutor Estranho e O Telefone Preto.

Com todos esses elementos a seu favor, não é surpresa que boa parte de The Gorge funcione. Sua premissa intrigante, as belas locações e os atores talentosos garantem isso. Mas, em determinado ponto, o filme que começa de maneira tão original e empolgante acaba caindo em padrões conhecidos demais. Isso não estraga tudo, mas empurra a narrativa perigosamente para o limite.

A história começa com Drasa (Taylor-Joy), que vemos realizar uma façanha sobre-humana de assassinato. Logo depois, conhecemos Levi (Teller), um ex-militar recrutado para uma missão solo extremamente perigosa. Através de Levi, aprendemos sobre as regras da garganta, sua mitologia e as complexidades da missão de protegê-la. É muita informação para processar, mas tudo é tão fascinante que a exposição não incomoda. Uma das regras principais, no entanto, é não interagir com o atirador do lado oposto. E, claro, é exatamente isso que acaba acontecendo.

Assim, The Gorge começa como um filme de ação militar misterioso e cativante, mas, aos poucos, se move para águas mais românticas. Levi e Drasa, separados por essa imensa fissura na Terra, só conseguem se comunicar por meio de blocos de notas e binóculos. Apesar da distância, eles encontram maneiras criativas de se divertir juntos — e, como resultado, nós, espectadores, também ficamos entretidos, constantemente surpreendidos pelas formas inusitadas com que esses dois assassinos treinados se abrem um para o outro.

Enquanto estamos conhecendo os personagens e nos envolvendo na relação entre eles, o filme funciona. O equilíbrio entre humor e romance nesse cenário sci-fi grandioso parece perfeito. Mas então há uma reviravolta — e ela acontece quase do nada. Levi cai na garganta e, logo em seguida, Drasa o segue. Esse é o momento que o público espera: afinal, queremos saber o que há dentro da garganta e, finalmente, obter algumas respostas. Mas é justamente aí que The Gorge se perde.

Quando os dois personagens finalmente entram na garganta e começam a explorá-la, o filme perde o fôlego. As revelações e os encontros que ocorrem ali soam familiares demais, como se o roteirista Zach Dean tivesse recorrido a um manual básico de clichês. Tudo — desde o que existe na garganta até seu propósito final — já foi visto inúmeras vezes. Não quer dizer que as cenas de ação sejam ruins, ou que não haja momentos narrativos satisfatórios. Há sim. Mas nenhuma dessas sequências atinge o potencial prometido na primeira metade do filme.

Ao final de The Gorge, fica aquela sensação agridoce: é um filme que você provavelmente vai gostar mais do que não gostar, mas ainda assim com um leve sentimento de decepção. Teller e Taylor-Joy entregam atuações de alto nível, com carisma, estilo e emoção de sobra. O design de produção, os efeitos visuais e os cenários são impressionantes, e a trilha sonora, composta pelos vencedores do Oscar Trent Reznor e Atticus Ross, intensifica as emoções e a tensão nas horas certas.

Mesmo assim, quando descobrimos o que há na garganta e entendemos a mensagem final da história, a reação é quase indiferente. O filme tinha todos os ingredientes para ser incrível, especialmente no início, mas tropeça na própria ambição. Gostamos dele, mas não tanto quanto gostaríamos.

The Gorge já está disponível no Apple TV+.

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