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Ciência

Foi encontrado o rastro do impacto mais antigo já identificado na Terra e ele remonta a um planeta quase irreconhecível

Pesquisadores conseguiram datar com mais precisão a cratera de impacto mais antiga já reconhecida na Terra. O resultado empurra o registro de colisões para 3 bilhões de anos atrás.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A Terra já foi um lugar muito mais caótico do que o planeta que conhecemos hoje. Muito antes de oceanos estáveis, animais ou florestas, impactos de asteroides faziam parte da construção do mundo primitivo. Agora, um grupo de pesquisadores afirma ter encontrado a data mais precisa já obtida para a cratera de impacto mais antiga conhecida do planeta — um vestígio de quando a Terra ainda estava formando seus primeiros continentes.

A cratera mais antiga da Terra pode ter 3 bilhões de anos

Foi encontrado o rastro do impacto mais antigo já identificado na Terra e ele remonta a um planeta quase irreconhecível
© Pexels

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Curtin University e do Geological Survey of Western Australia, que analisaram formações rochosas em North Pole Dome, na região de Pilbara, no oeste da Austrália. O local já era debatido há anos como uma possível estrutura de impacto muito antiga, mas a idade exata desse evento permanecia incerta.

Agora, com técnicas mais avançadas de datação mineral, a equipe concluiu que o impacto aconteceu há cerca de 3 bilhões de anos. Se confirmado como referência definitiva, o local passa a ser a cratera de impacto mais antiga já identificada na Terra e a única reconhecida até agora do Éon Arqueano, fase remota em que os primeiros blocos continentais do planeta estavam surgindo.

A pesquisa foi publicada na revista Geology e ajuda a empurrar ainda mais para trás o registro de colisões cósmicas preservadas em rochas terrestres.

O “relógio” do impacto estava escondido dentro dos minerais

Para chegar à nova idade, os cientistas analisaram dois minerais presentes nas rochas atingidas: zircão e apatita. O zircão é especialmente valioso nesse tipo de investigação porque consegue preservar sinais geológicos por bilhões de anos. Em North Pole Dome, alguns cristais apresentavam formas incomuns, interpretadas pelos autores como resultado direto do aquecimento extremo provocado pelo impacto.

Segundo os pesquisadores, esses cristais funcionam como uma espécie de “relógio mineral”. Eles registraram um evento datado em torno de 3 bilhões de anos atrás. Para reforçar o resultado, a equipe usou um segundo método com apatita, mineral que se formou quando fluidos quentes circularam pelas rochas danificadas. O resultado bateu com a data obtida no zircão.

Essa coincidência entre dois sistemas minerais diferentes é o que dá mais força à interpretação de que o local realmente preserva a assinatura de um grande impacto meteorítico.

O achado abre uma janela rara para a Terra primitiva

Datá-las não é simples. Crateras tão antigas sofrem bilhões de anos de alterações por calor, pressão, fluidos e movimentações geológicas, o que costuma apagar ou distorcer os sinais do impacto original. Por isso, o novo trabalho é importante não apenas por “quebrar um recorde”, mas porque oferece uma forma mais confiável de separar o momento da colisão de tudo o que aconteceu com aquelas rochas depois.

Na prática, a descoberta ajuda a entender melhor a violência do ambiente em que a Terra primitiva se formou. Também oferece um raro vislumbre de como impactos de asteroides podem ter influenciado a evolução do planeta quando a crosta ainda estava se consolidando.

[Fonte: PHYS]

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