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Ciência

Cientistas encontraram 20 hominíneos em uma caverna mas um detalhe nos esqueletos abriu um mistério ainda maior

Um novo estudo com dentes fossilizados sugere que os 20 indivíduos de Homo naledi encontrados em uma caverna na África do Sul eram mulheres. O resultado pode mudar o debate sobre comportamento e cultura entre hominíneos antigos.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A caverna Rising Star, na África do Sul, já era um dos lugares mais intrigantes da paleoantropologia por guardar centenas de fósseis de Homo naledi, um parente antigo dos humanos. Agora, ela acaba de ganhar um novo enigma. Pesquisadores analisaram proteínas preservadas nos dentes de 20 indivíduos encontrados no local e chegaram a uma conclusão surpreendente: nenhum deles parece carregar sinais do cromossomo Y, normalmente associado aos machos. Se a interpretação estiver correta, todos seriam do sexo feminino — algo raríssimo no registro fóssil.

O detalhe que mudou a leitura dos esqueletos estava escondido nos dentes

Cientistas encontraram 20 hominíneos em uma caverna mas um detalhe nos esqueletos abriu um mistério ainda maior
© Pexels

A descoberta foi feita com uma técnica que analisa proteínas do esmalte dentário, em vez de depender apenas da forma dos ossos ou de DNA antigo, que quase nunca sobrevive em climas quentes por tanto tempo. O foco foi uma proteína chamada amelogenina, que apresenta pequenas diferenças dependendo de estar ligada ao cromossomo X ou ao Y.

Nos testes, 19 dos 20 indivíduos analisados não mostraram sinal da versão ligada ao Y. O vigésimo caso também provavelmente não tinha esse marcador. O mais surpreendente é que alguns esqueletos antes classificados como masculinos, com base no tamanho ou formato dos ossos, agora parecem ser femininos.

O grupo inclui adultos, crianças pequenas e até bebês. Isso torna o achado ainda mais estranho, porque em populações humanas e de outros primatas seria esperado encontrar ao menos alguns meninos entre os indivíduos mais jovens. A ausência total de sinais masculinos levanta uma pergunta desconfortável: por que só mulheres teriam ido parar ali?

O achado reacende um debate maior sobre cultura entre hominíneos antigos

O Homo naledi já vinha desafiando pesquisadores havia anos. A espécie tem uma combinação incomum de traços: cérebro pequeno, ombros adaptados à escalada e pernas mais parecidas com as de humanos modernos. A equipe liderada por Lee Berger já havia sugerido que esses hominíneos poderiam ter depositado seus mortos na caverna de forma intencional — hipótese controversa, mas que ganhou nova força com o estudo.

Se os 20 indivíduos forem realmente mulheres, alguns pesquisadores cogitam que a caverna possa ter tido um papel especial dentro daquele grupo, talvez ligado a práticas mortuárias, organização social ou alguma forma de distinção por sexo. Outros pedem cautela. Há cientistas que lembram que o cromossomo Y pode, em casos raros, deixar de ser detectado por limitações do método ou por degradação molecular.

Ainda assim, o estudo tem um peso importante mesmo para além do mistério de Rising Star. Ele mostra como proteínas antigas podem abrir uma nova janela para o passado, ajudando a determinar o sexo de fósseis quando os ossos não bastam e o DNA já desapareceu. E, no caso de Homo naledi, essa janela só fez a história ficar mais estranha: se havia machos nessa população — e eles precisavam existir —, onde estão seus esqueletos?

[Fonte: National Geographic]

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