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Três cães de cor azul brilhante aparecem em Chernobyl — e cientistas tentam explicar o mistério

O avistamento de três cães com pelagem azul intensa na zona de exclusão de Chernobyl, na Ucrânia, despertou curiosidade e especulações sobre mutações genéticas. Mas, segundo os veterinários que lideram o programa local de controle animal, a explicação parece ser bem mais terrena do que nuclear.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em 6 de outubro, integrantes do programa Chernobyl Dogs, da ONG Clean Futures Fund, encontraram três cães cobertos por uma substância azul enquanto realizavam o trabalho de captura, esterilização e soltura dos animais que vivem na região afetada pelo desastre nuclear de 1986. A equipe não conseguiu capturá-los, pois os animais eram extremamente ariscos, mas registrou o caso em detalhes.

Não se trata de mutação genética

As imagens rapidamente circularam nas redes e na imprensa, levantando suspeitas de que os cães seriam vítimas de mutações causadas pela radiação. A veterinária Jennifer Betz, diretora do programa, tratou de descartar essa hipótese:

“Não estamos dizendo, de forma alguma, que o fenômeno esteja relacionado à radiação de Chernobyl”, afirmou em mensagem enviada à DW.

Segundo Betz, a explicação mais plausível é que os cães se revolcaram em uma substância viscosa de coloração azulada — possivelmente resíduos químicos de um antigo banheiro portátil encontrado no mesmo local. “Tudo indica que o produto ficou aderido ao pelo, o que explicaria a tonalidade intensa”, acrescentou.

A polêmica das acusações

Com a repercussão internacional, a ONG também precisou rebater teorias conspiratórias que circulavam online, segundo as quais os próprios voluntários teriam pintado os cães para chamar atenção à causa.
Durante as campanhas de esterilização, os veterinários realmente utilizam tintas temporárias — verdes, azuis, vermelhas ou roxas — para marcar os animais já operados, mas o produto é aplicado apenas na cabeça e desaparece em dois ou três dias.

“Esses cães estavam completamente cobertos de azul, da cabeça aos pés, o que é completamente diferente do marcador que usamos”, esclareceu Betz.
Em uma postagem no Instagram, o Clean Futures Fund reforçou a negativa:

“Para quem acredita que tingimos os cães ou falsificamos as fotos, só posso dizer que não temos tempo nem motivo para fazer algo assim. Nosso trabalho é resgatá-los e protegê-los, não criar histórias.”

O risco é mínimo — e os cães parecem saudáveis

A equipe ainda não conseguiu confirmar a origem exata da substância, mas acredita que ela não representa perigo imediato.
Os cães parecem saudáveis, assim como os demais que encontramos na região. A menos que lambam o produto em excesso, não deve haver maiores problemas”, afirmou Betz, acrescentando que os veterinários continuam tentando capturá-los para realizar a esterilização e limpar o resíduo químico.

Um caso semelhante na Rússia

O episódio remete a um caso ocorrido em 2021, na cidade de Dzerzhinsk, na Rússia, onde moradores encontraram uma matilha de cães com o pelo azul.
Na ocasião, investigações apontaram que os animais haviam rolado em sulfato de cobre, um composto químico de coloração azul-pálida usado na indústria e armazenado em uma fábrica abandonada.

Especialistas consideram possível que algo semelhante tenha ocorrido em Chernobyl, já que a região ainda abriga restos de equipamentos e estruturas industriais deterioradas.

Chernobyl: da tragédia à adaptação da vida selvagem

Avanço Nuclear Do Irã 1
© Raspopova Marina – Unsplash

Após o desastre nuclear de 1986, cerca de 120 mil pessoas foram evacuadas da área, abandonando casas, pertences — e também seus animais de estimação.
Contra todas as probabilidades, muitos desses cães e seus descendentes sobreviveram e formaram colônias ao redor da zona de exclusão, ao lado de lobos, raposas, javalis, guaxinins e aves.

Hoje, Chernobyl abriga uma das populações de fauna mais resilientes do planeta. Mesmo expostos a níveis de radiação ainda elevados, esses animais conseguiram adaptar-se surpreendentemente bem ao ambiente hostil — um exemplo raro de como a vida encontra caminhos, mesmo nas paisagens mais marcadas pela catástrofe.

 

[ Fonte: DW ]

 

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