O Sol é fonte de vida, mas também de riscos invisíveis. Suas partículas energéticas viajam pelo espaço, afetando satélites, telecomunicações e até redes elétricas terrestres. Para entender melhor essa influência, a NASA e a NOAA estão prestes a lançar três missões complementares. Juntas, elas vão observar desde os confins da heliosfera até a camada mais tênue da atmosfera da Terra.
IMAP: o cartógrafo da fronteira solar
No dia 23 de setembro, um foguete Falcon 9 da SpaceX levará ao espaço a missão Interstellar Mapping and Acceleration Probe (IMAP). Sua tarefa é explorar a heliosfera, a bolha criada pelo vento solar que nos protege da radiação cósmica.
O objetivo é mapear essa fronteira com uma precisão nunca antes alcançada e rastrear partículas energéticas em tempo quase real. Esses dados são vitais para prever tempestades solares capazes de causar falhas em satélites e redes elétricas. Segundo David McComas, pesquisador principal em Princeton, “o IMAP revolucionará nossa compreensão da heliosfera exterior”.
Com medições até 30 vezes mais precisas do que as disponíveis hoje, a missão abrirá uma janela inédita para os limites do nosso “escudo cósmico”.
Carruthers: revelando os segredos da exosfera
Compartilhando a viagem com o IMAP estará o Observatório Carruthers, batizado em homenagem ao cientista George Carruthers. Sua missão será observar a geocorona, a camada mais externa da atmosfera terrestre.
A partir do ponto de Lagrange L1, o observatório filmará em tempo real como a exosfera reage às tempestades solares, algo impossível de observar a partir da Terra ou da Lua.
A pesquisadora Lara Waldrop destaca a importância: “Veremos como essa camada muda com as estações e como absorve energia solar”. Com isso, espera-se aprimorar modelos que preveem o impacto da atividade solar em comunicações, energia e até na aviação.

SWFO-L1: o vigilante do espaço
Enquanto IMAP e Carruthers focam na pesquisa científica, a missão SWFO-L1, da NOAA, terá papel operacional. Sua função é monitorar o vento solar e as ejeções de massa coronal em tempo real, enviando alertas antecipados para proteger infraestruturas críticas.
Localizado no ponto L1, o satélite terá visão privilegiada e contínua do Sol, acompanhando também os campos magnéticos interplanetários. Segundo Dimitrios Vassiliadis, cientista do programa, “o SWFO-L1 transmitirá dados quase instantaneamente, dando aos especialistas tempo precioso para acionar medidas de segurança”.
Um trio para desvendar a influência solar
Com o lançamento conjunto de IMAP, Carruthers e SWFO-L1, a NASA e a NOAA unem ciência e vigilância prática em uma mesma missão. As descobertas podem mudar nossa forma de prever e enfrentar os efeitos do Sol, protegendo tanto a tecnologia quanto a vida aqui na Terra.