Em meio à cúpula anual do Brics realizada no Rio de Janeiro, o ex-presidente e atual candidato à reeleição Donald Trump fez uma ameaça que pode afetar o cenário econômico internacional. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump prometeu impor uma tarifa adicional de 10% a qualquer país que apoiar as “políticas antiamericanas” do bloco, sem especificar quais seriam essas políticas. A declaração gerou reações e preocupações imediatas.
A nova ameaça tarifária de Trump

Na manhã de domingo (6), Donald Trump usou sua plataforma favorita, o Truth Social, para divulgar mais uma proposta polêmica: “Qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do BRICS pagará uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá exceções a esta política. Obrigado pela atenção!”, escreveu ele.
A mensagem, curta e direta, não detalha o que ele considera como “políticas antiamericanas”, mas o tom da declaração é visto como uma tentativa de pressionar países emergentes e desestimular alianças fora do eixo tradicional liderado pelos EUA.
Brics em ascensão

Fundado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China — o antigo BRIC —, o bloco recebeu a África do Sul em 2011 e, desde então, passou a se consolidar como um importante agrupamento econômico global. Com a recente adesão de países como Arábia Saudita, Irã, Egito e Etiópia, o grupo agora conta com 11 membros oficiais e outros 10 parceiros estratégicos.
O Brics representa hoje um PIB combinado de US$ 24,7 trilhões e congrega algumas das maiores populações e extensões territoriais do planeta. Além da cooperação econômica, os países do grupo buscam maior autonomia em fóruns internacionais e propõem alternativas às instituições dominadas pelo Ocidente, como o FMI e o Banco Mundial.
A cúpula no Rio e o contexto da declaração
O anúncio de Trump coincidiu com o início da cúpula do Brics de 2024, sediada no Rio de Janeiro sob a presidência do Brasil. A declaração, vista por analistas como uma tentativa de minar a coesão do grupo, pode representar uma mudança importante na postura dos EUA frente à nova configuração econômica mundial — especialmente se Trump retornar à presidência em 2025.
O momento é particularmente sensível, já que países como Indonésia e Emirados Árabes Unidos, aliados comerciais relevantes dos EUA, agora fazem parte do bloco. A medida de Trump também pode afetar negociações com o Brasil, que exerce papel central na presidência rotativa do Brics.
Reações e possíveis impactos
Até o momento, não houve resposta oficial por parte dos líderes do Brics, mas economistas e diplomatas expressaram preocupação com os possíveis efeitos da medida. Uma tarifa adicional de 10% sobre exportações pode desestimular o comércio bilateral e reacender disputas comerciais em um momento em que o mundo tenta estabilizar cadeias logísticas pós-pandemia.
O discurso protecionista de Trump ecoa suas políticas adotadas durante o primeiro mandato, quando iniciou uma guerra comercial com a China e impôs tarifas sobre diversos produtos importados, incluindo do Brasil. Caso volte ao poder, o republicano pode retomar esse caminho de confrontos econômicos em escala global.
Um mundo cada vez mais multipolar
A ascensão do Brics e a ampliação de seus membros indicam uma tendência clara de reconfiguração das alianças globais. Países do sul global estão buscando maior protagonismo, e o bloco representa uma alternativa ao modelo dominado por potências ocidentais. As reações dos EUA, como a ameaça de tarifas, mostram que essa disputa por influência tende a se intensificar nos próximos anos.
[ Fonte: CNN Brasil ]