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Trump sugere transformar a Venezuela no 51º estado dos EUA durante discurso sobre petróleo

Em comício no Texas, o presidente americano propôs que venezuelanos elegessem um governador e associou a ideia à cooperação petrolífera entre os países.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir que a Venezuela poderia se tornar um estado americano. A declaração ocorreu na terça-feira (27), durante um comício em Corpus Christi, no Texas, enquanto ele apresentava a cooperação petrolífera com Caracas como uma conquista de seu governo.

Diante dos apoiadores, Trump imaginou uma mudança no comando político do país sul-americano: os venezuelanos passariam a escolher um governador em vez de um presidente. A agência EFE descreveu o comentário como uma brincadeira feita durante o evento de campanha republicano para as eleições de meio de mandato.

A fala está registrada na transcrição do discurso publicada pelo Factba.se. Nela, Trump relaciona a possibilidade de incorporação da Venezuela à exploração de petróleo e à perspectiva de prosperidade econômica.

Petróleo foi o centro da declaração

A referência ao possível novo estado surgiu enquanto Trump celebrava a chegada de petróleo venezuelano aos Estados Unidos. Segundo o presidente, um primeiro carregamento de um milhão de barris havia sido enviado dentro de um acordo entre os dois países.

No discurso, ele agradeceu à Venezuela e afirmou que a relação bilateral havia melhorado. Também declarou que grandes companhias estavam investindo bilhões de dólares no setor petrolífero venezuelano e criando empregos.

Trump apresentou esses investimentos e o acesso ao petróleo como vantagens para os dois lados, mas deu destaque ao abastecimento americano. Segundo a agência Anadolu, o presidente afirmou que o produto seria refinado no Texas, incluindo Corpus Christi.

As declarações sobre os volumes, as condições do fornecimento e os benefícios econômicos foram apresentadas pelo próprio Trump durante o evento.

A proposta de um governador no lugar de um presidente

Ao mencionar o futuro da Venezuela, Trump sugeriu que o país poderia se tornar um estado próspero dos Estados Unidos. Em seguida, acrescentou a hipótese de realizar uma eleição para governador.

A mudança imaginada no discurso iria muito além de um acordo comercial. Um governador chefia uma unidade da federação americana; um presidente venezuelano exerce o comando de um país independente. A escolha dessas palavras introduziu, portanto, uma questão de soberania em uma apresentação centrada em negócios e energia.

Na sequência registrada pelo Factba.se, Trump voltou a mencionar a abundância de petróleo venezuelano e se dirigiu ao empresário do setor Harold Hamm, presente no evento. O presidente também vinculou o que chamou de vitória energética à capacidade de refino instalada no Texas.

Uma relação reorganizada após a operação contra Maduro

A declaração ocorreu em um contexto de aproximação entre Washington e o governo venezuelano comandado interinamente por Delcy Rodríguez.

Segundo o jornal El Nuevo Día, a relação de trabalho se desenvolveu após a operação americana que capturou Nicolás Maduro em janeiro. O veículo informou que Trump havia anunciado, em agosto, um acordo envolvendo o setor privado e o acesso a reservas petrolíferas venezuelanas.

O mesmo jornal registrou que o governo venezuelano já havia descartado a ideia de incorporação aos Estados Unidos. Essa posição é relevante para interpretar o pronunciamento: a disposição expressa por Trump não representa um entendimento entre os dois governos sobre uma mudança de soberania.

O presidente americano já havia mencionado anteriormente a possibilidade de transformar outros países ou territórios em estados dos EUA, entre eles Canadá e Groenlândia.

O discurso não equivale a uma decisão de incorporação

Há uma diferença institucional entre sugerir um novo estado em um comício e iniciar sua admissão na federação americana.

O artigo IV da Constituição dos Estados Unidos atribui ao Congresso a competência para admitir novos estados. Assim, uma declaração presidencial, por si só, não altera a composição territorial do país.

Essa disposição constitucional também não transforma um acordo de exploração petrolífera em autorização para incorporar outro país. O discurso consultado apresenta uma hipótese política, sem detalhar um procedimento de admissão ou um acordo com a Venezuela para esse objetivo.

A menção à eleição de um governador deve ser compreendida nesse contexto: trata-se do cenário defendido verbalmente por Trump, sem efeito automático sobre as instituições venezuelanas.

A energia também entrou na campanha republicana

O palco escolhido ajuda a explicar a ênfase no petróleo. Trump estava no Texas para apoiar candidatos republicanos às eleições de meio de mandato, incluindo Ken Paxton, candidato ao Senado.

Segundo a Associated Press, o evento ocorreu em meio à pressão política causada pelo aumento dos preços dos combustíveis e pelas consequências da guerra com o Irã. A apresentação das importações venezuelanas integrou o esforço do presidente para defender sua política energética diante dos eleitores.

Foi nesse ambiente eleitoral que Trump reuniu, no mesmo discurso, investimentos, abastecimento e a sugestão de um novo estado americano. A cooperação petrolífera foi apresentada como uma realização econômica; a ideia de incorporação acrescentou à mensagem uma dimensão territorial que ultrapassa os termos de uma relação comercial.

 

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