Nos últimos anos, Uber deixou de ser apenas um aplicativo de transporte compartilhado para se tornar um ecossistema de serviços. Agora, a empresa mira um horizonte ainda maior: entrar com força no mercado de inteligência artificial. Esse movimento foi apresentado em detalhes na conferência com investidores, onde a diretoria revelou que duas das principais frentes de crescimento da companhia dependem diretamente de IA. Contudo, uma recente polêmica ameaça complicar o caminho.
Uber quer virar empresa de IA
Durante o encontro com investidores, executivos deixaram claro que o futuro da empresa não se limita a corridas e entregas. Duas das cinco áreas estratégicas anunciadas envolvem inteligência artificial. A primeira é um novo programa chamado “Tarefas Digitais”, um sistema que permite que motoristas, entregadores e futuramente usuários comuns ganhem dinheiro ajudando a treinar modelos de IA.
Nesse piloto, participantes podem realizar microtarefas pagas, como enviar fotos, gravar vídeos, registrar voz em seus idiomas, analisar respostas ou carregar documentos. Por enquanto, o recurso está disponível apenas nos Estados Unidos e na Índia, mas a Uber planeja expandir globalmente. O CEO Dara Khosrowshahi explicou que algumas dessas tarefas exigem níveis avançados de conhecimento, chegando até a doutores em física.
A estratégia do “Uber para tudo”
A iniciativa faz parte do negócio Uber AI Solutions, um braço voltado à oferta de dados e serviços de inteligência artificial que, segundo a empresa, já atrai milhares de clientes. A pretensão da Uber é clara: transformar a plataforma em um espaço para qualquer tipo de trabalho flexível, e não apenas transporte.
Khosrowshahi argumenta que, se a plataforma consegue conectar pessoas para dirigir e entregar, também pode conectar quem deseja trabalhar em atividades digitais. Para isso, a empresa quer integrar usuários comuns, motoristas humanos e, no futuro, robôs.
A segunda aposta: robotaxis e veículos autônomos
Outra frente depende do uso de IA para ampliar a frota de veículos autônomos. A Uber anunciou uma parceria com a Nvidia com o objetivo de criar 100.000 robotaxis até 2027. A meta é formar um único mercado em que carros autônomos e motoristas convivam e atendam à mesma demanda.
No entanto, Khosrowshahi admitiu que a tecnologia ainda não é rentável e deve levar anos para gerar lucro. E pior: a reputação dos robôs nas ruas acaba de ser abalada.
O problema que ameaça o plano
Na mesma semana do anúncio, um robotaxi da empresa Waymo atropelou o gato de uma mercearia em San Francisco, gerando revolta pública. Um supervisor da cidade pediu uma lei que permita às autoridades locais banir veículos autônomos, abrindo um precedente preocupante.
Isso aconteceu justamente quando a Uber começou seus primeiros testes com robotaxis em San Francisco, em parceria com Lucid Motors e Nuro. A coincidência não ajuda: aumenta o medo público e pode pressionar reguladores a frear o avanço da tecnologia.
A aposta continua
Mesmo assim, o CEO permanece otimista. Ele acredita que, dentro de dez anos, todos os carros novos vendidos terão capacidades autônomas e que isso tornará as cidades mais seguras. Resta saber se o futuro da Uber como gigante da inteligência artificial será acelerado — ou freado antes de começar.
Fonte: Gizmodo ES