A possível abertura de uma nova via diplomática para encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia voltou ao centro do debate internacional. Nesta quinta-feira (20/11), Kiev confirmou ter recebido dos Estados Unidos um esboço de plano para negociar o fim do conflito. O governo de Volodimir Zelenski afirma que trabalhará de forma “construtiva” com Washington, embora o conteúdo do documento — tratado em sigilo — já desperte preocupação entre aliados e analistas.
O plano entregue a Zelenski e a posição de Kiev
Em comunicado oficial, a Presidência ucraniana afirmou que o presidente recebeu “um projeto de plano” dos Estados Unidos, descrito por Washington como uma possível forma de reativar a diplomacia. A nota, divulgada no Telegram, não especifica quem entregou o documento, mas Zelenski tinha agendadas reuniões com o chefe do Estado-Maior dos EUA e outros representantes do Pentágono durante sua passagem pelo país.
Segundo Kiev, os princípios fundamentais colocados na mesa foram reafirmados pelo presidente ucraniano, e as partes concordaram em continuar trabalhando nos pontos do plano com o objetivo de alcançar um fim “justo” para a guerra.
O acordo secreto delineado por emissários de EUA e Rússia

De acordo com fontes ucranianas e norte-americanas citadas pela imprensa local, o plano teria sido elaborado de forma discreta nas últimas semanas por intermediários dos Estados Unidos e da Rússia. Entre as propostas mais sensíveis estaria a redução das capacidades militares da Ucrânia e a entrega a Moscou de parte da região de Donetsk que ainda permanece sob controle ucraniano.
Essas concessões, caso confirmadas, representariam uma mudança significativa em relação às posições que Kiev tem defendido desde o início da invasão, especialmente no que diz respeito à integridade territorial e ao fortalecimento das Forças Armadas.
Expectativa por diálogo direto com Donald Trump
A Presidência ucraniana informou que Zelenski espera conversar “nos próximos dias” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir as possibilidades diplomáticas e os requisitos considerados essenciais por Kiev para que um acordo de paz seja possível.
O governo ucraniano também destacou que continua disposto a trabalhar com Washington, aliados europeus e outros parceiros internacionais para buscar uma solução que garanta estabilidade e segurança a longo prazo.
Um momento decisivo para a guerra
A sinalização de que um plano concreto está em discussão reacende o debate sobre o equilíbrio entre pragmatismo diplomático e defesa da soberania nacional. Em um conflito que já ultrapassou anos de combates, a iniciativa sugere que parte dos atores internacionais está testando novos caminhos para um possível desfecho negociado.
Kiev, no entanto, mantém o discurso de que qualquer acordo precisa respeitar princípios considerados inegociáveis — algo que deve pautar as conversas com Trump e com outros parceiros envolvidos no processo.
[ Fonte: DW ]