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Ciência

Um estudo com 9 mil jovens revelou algo preocupante sobre o uso noturno do celular

Uma pesquisa com mais de 9 mil jovens identificou uma relação preocupante entre hábitos digitais noturnos e descanso. O horário de uso pode fazer mais diferença do que parece.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Deitar na cama, pegar o celular e passar alguns minutos nas redes sociais virou um ritual para milhões de adolescentes. O problema é que esses minutos frequentemente se transformam em horas, enquanto mensagens e notificações continuam chegando. Embora pareça apenas uma maneira de relaxar, esse hábito pode interferir em processos importantes do organismo. Agora, uma pesquisa com milhares de jovens ajuda a entender por que as noites conectadas merecem atenção especial.

Um estudo com mais de 9 mil jovens revelou uma relação preocupante

Uma investigação publicada na revista científica Journal of Adolescent Health analisou os hábitos digitais de 9.398 crianças e pré-adolescentes norte-americanos, com idades entre 11 e 12 anos.

Os pesquisadores acompanharam a relação entre determinadas atividades com dispositivos eletrônicos e as características do sono observadas aproximadamente um ano depois.

Os resultados mostraram que enviar mensagens, acessar redes sociais e manter notificações ativadas durante a noite estavam associados a menos horas de descanso e maiores dificuldades para dormir.

A presença de dispositivos conectados à internet dentro do quarto também apresentou associação com uma menor duração do sono.

O problema é particularmente relevante porque muitos adolescentes já dormem menos do que deveriam.

Segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), aproximadamente três em cada quatro estudantes do ensino médio norte-americano dormem menos de oito horas nas noites anteriores às aulas.

Entretanto, existe uma ressalva importante.

O estudo identificou associações estatísticas, mas não demonstrou que o celular seja a causa direta de todos os problemas de sono observados.

Fatores como estresse, rotina familiar e horários escolares também podem influenciar os resultados.

O cérebro adolescente pode continuar em alerta mesmo depois de apagar a luz

Existem diferentes mecanismos pelos quais o uso noturno do celular pode interferir no descanso.

Um deles envolve a luz emitida pelas telas.

A exposição à luminosidade durante a noite pode influenciar o ritmo circadiano, sistema biológico responsável por organizar os períodos de sono e vigília.

Dependendo da intensidade e do horário da exposição, essa luz pode atrasar sinais fisiológicos associados à preparação para dormir, incluindo a liberação de melatonina.

Mas a iluminação não é o único fator.

Conversas em aplicativos, vídeos curtos, jogos e conteúdos que se renovam constantemente podem manter o cérebro em um estado elevado de atenção.

Isso dificulta a transição entre as atividades do dia e o relaxamento necessário para adormecer.

Além disso, notificações, vibrações e sons podem provocar despertares durante a madrugada.

O resultado pode ser uma combinação de sono mais curto, interrupções noturnas e maior dificuldade para descansar adequadamente.

Essas alterações merecem atenção porque o sono participa de processos fundamentais para a memória, o aprendizado e a regulação emocional.

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© SHVETS Production – Pexels

A adolescência já provoca mudanças naturais no relógio biológico

O uso do celular acontece em uma fase da vida na qual o organismo passa por transformações importantes.

Durante a puberdade, muitos adolescentes apresentam um deslocamento natural do ritmo circadiano.

Na prática, isso significa que começam a sentir sono mais tarde do que durante a infância.

O problema surge quando essa mudança biológica encontra horários escolares que exigem acordar muito cedo.

A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda que adolescentes entre 13 e 18 anos durmam regularmente de oito a dez horas por noite.

Quando um jovem adormece tarde e precisa levantar cedo, o tempo disponível para descansar diminui.

O uso prolongado de dispositivos pode agravar essa situação ao ocupar justamente as horas que deveriam ser reservadas ao sono.

Por isso, os especialistas destacam que não basta observar quanto tempo os adolescentes passam conectados.

O momento em que utilizam a tecnologia também importa.

Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a proteger o sono

As recomendações dos especialistas envolvem medidas relativamente simples.

Uma delas é estabelecer horários regulares para dormir e acordar, inclusive evitando grandes mudanças entre os dias de aula e os fins de semana.

Também é aconselhável reduzir atividades digitais estimulantes antes de deitar.

Silenciar notificações, deixar o celular carregando fora do quarto e criar uma rotina de relaxamento podem diminuir as interrupções noturnas.

Essas estratégias não exigem abandonar completamente a tecnologia, mas estabelecer limites para que ela não ocupe o período destinado ao descanso.

Os pesquisadores também chamam atenção para a importância dos horários escolares, que podem dificultar o sono suficiente durante a adolescência.

A principal conclusão é que o problema não está simplesmente em possuir um celular, mas na maneira como seu uso pode interferir nas necessidades biológicas do organismo.

Em uma fase marcada por aprendizado, desenvolvimento cerebral e mudanças emocionais, proteger as horas de sono pode ser tão importante quanto cuidar da alimentação e da atividade física.

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