Em meio às negociações e anúncios que costumam marcar o Fórum Econômico Mundial, uma iniciativa inesperada roubou os holofotes. A criação de um novo órgão internacional, apresentada como um “Conselho da Paz”, colocou líderes diante de uma escolha delicada: aderir, recusar ou ganhar tempo. A cerimônia ocorreu em Davos, mas o impacto político da proposta se espalha muito além da cidade suíça — e a lista de países diz muito sobre o momento geopolítico atual.
O anúncio em Davos e a proposta que divide opiniões
A assinatura do documento que institui o chamado “Conselho da Paz” ocorreu na manhã desta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A iniciativa partiu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a criação do órgão com um formato pouco convencional.
Segundo o estatuto preliminar, Trump será presidente vitalício do conselho e o único integrante com poder de veto. A organização foi apresentada como responsável por supervisionar um governo de transição que deverá administrar o território palestino — um ponto que, por si só, já gerou desconforto diplomático.
A cerimônia contou com representantes de vários países que aceitaram o convite, mas também evidenciou ausências relevantes. Apesar do discurso de alcance global, nenhuma das grandes potências tradicionais confirmou adesão até agora, o que alimentou questionamentos sobre a legitimidade e o alcance real do novo órgão.
Quem aceitou participar do Conselho da Paz
Até o momento, cerca de 20 países confirmaram que farão parte do Conselho da Paz. A lista reúne principalmente nações do Oriente Médio, Ásia Central, Leste Europeu e América Latina, formando um grupo heterogêneo, mas distante do eixo das potências globais.
Os países que aceitaram integrar o conselho são:
- Armênia
- Arábia Saudita
- Argentina
- Azerbaijão
- Bahrein
- Belarus
- Bulgária
- Catar
- Cazaquistão
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Hungria
- Indonésia
- Israel
- Jordânia
- Kosovo
- Marrocos
- Mongólia
- Paquistão
- Paraguai
- Turquia
- Uzbequistão
- Vietnã
Mesmo entre os que aceitaram, a adesão não foi uniforme. Líderes de Belarus, Egito, Israel e Vietnã, por exemplo, não compareceram à cerimônia de assinatura em Davos, sinalizando que o apoio pode variar de acordo com interesses políticos específicos.
As recusas explícitas e o peso simbólico delas
Se a lista de adesões chama atenção, a de recusas talvez diga ainda mais. França, Noruega, Eslovênia e Suécia já declararam publicamente que não irão participar do Conselho da Paz.
A ausência dessas nações reforça a percepção de que o novo órgão não conseguiu atrair países tradicionalmente engajados em fóruns multilaterais ou em iniciativas diplomáticas de mediação de conflitos. Para analistas, a recusa explícita de países europeus com histórico em negociações de paz enfraquece o discurso de legitimidade global da proposta.
Além disso, o fato de nenhuma grande potência ter confirmado adesão até agora amplia o isolamento político do conselho, ao menos neste estágio inicial.
Os países que ainda não responderam — e o silêncio estratégico
Um terceiro grupo concentra boa parte da atenção internacional: os países que receberam o convite, mas ainda não disseram se participarão ou não do Conselho da Paz. Entre eles estão atores centrais da política global.
Até o momento, seguem sem resposta oficial:
- Brasil
- Reino Unido
- China
- Croácia
- Alemanha
- Itália
- Rússia
- Singapura
- Ucrânia
No caso brasileiro, o convite foi endereçado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não se pronunciou sobre a adesão. O silêncio é interpretado por diplomatas como uma forma de ganhar tempo diante de uma proposta sensível, com implicações diretas na política externa e no equilíbrio internacional.
Para países como China, Rússia e Alemanha, a falta de resposta indica cautela. A estrutura do conselho, com poder concentrado em um único líder e regras financeiras rígidas, levanta dúvidas sobre governança, representatividade e compatibilidade com o sistema multilateral existente.
O custo para participar e as críticas ao modelo
Um dos pontos mais controversos do estatuto preliminar do Conselho da Paz é a exigência financeira. Um rascunho do documento, obtido por agências de notícias, prevê o pagamento de US$ 1 bilhão para que um país permaneça como integrante do órgão.
Esse valor elevado intensificou as críticas, sobretudo entre países que veem o conselho mais como um clube restrito do que como uma instância legítima de mediação internacional. Especialistas apontam que a cobrança cria uma barreira econômica significativa e pode limitar a diversidade de vozes dentro do órgão.
Além disso, o modelo de presidência vitalícia e poder de veto exclusivo concentra decisões de forma inédita para uma organização que se propõe a lidar com temas sensíveis de segurança e governança global.
O que a lista de países revela sobre o momento geopolítico
Mais do que quem entrou ou ficou de fora, o Conselho da Paz expôs fissuras no cenário internacional. A adesão majoritária de países fora do eixo das grandes potências, combinada com recusas e silêncios estratégicos, sugere um ceticismo generalizado em relação ao formato proposto.
Para alguns governos, a iniciativa pode representar uma oportunidade de ampliar influência diplomática. Para outros, os riscos superam os possíveis ganhos. Enquanto isso, o conselho nasce cercado de dúvidas sobre seu papel, sua legitimidade e sua capacidade real de produzir resultados concretos.
Com convites ainda sem resposta e críticas crescendo, o futuro do Conselho da Paz permanece em aberto — e a geopolítica global observa cada movimento com atenção.
[Fonte: G1 – Globo]