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Ciência

Um novo modelo matemático sugere um cenário extremo para a humanidade: a população global poderia cair pela metade até 2064

Pesquisadores criaram uma equação capaz de unificar 12 mil anos de crescimento populacional humano — e os resultados revelam um possível cenário de colapso caso a capacidade da Terra de sustentar vida diminua drasticamente. Os cientistas deixam claro: não é uma previsão, mas um alerta sobre o quão frágil pode ser o equilíbrio global.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A população mundial continua crescendo, mas o planeta enfrenta pressões cada vez maiores. Mudanças climáticas, pandemias, guerras, escassez de recursos naturais e crises energéticas levantam uma pergunta desconfortável: quantas pessoas a Terra realmente consegue sustentar?

Agora, um novo estudo científico sugere que um colapso populacional acelerado não seria impossível diante de uma grande catástrofe global.

Pesquisadores publicaram na revista científica Chaos, Solitons & Fractals um modelo matemático que tenta descrever toda a evolução populacional humana dos últimos 12 mil anos — desde o início das civilizações agrícolas até a sociedade moderna.

E os resultados mais extremos chamaram atenção.

Segundo os cálculos, se a capacidade sustentável da Terra caísse abruptamente para cerca de 2 bilhões de pessoas, a população global poderia ser reduzida pela metade até aproximadamente 2064.

Não é uma previsão apocalíptica — mas um cenário matemático

Os próprios autores fazem questão de enfatizar que o estudo não prevê um colapso iminente.

O físico Alessio Zaccone explicou que o objetivo do trabalho foi demonstrar como sistemas populacionais podem se tornar extremamente sensíveis diante de mudanças ambientais ou sociais abruptas.

Segundo ele, a trajetória atual da humanidade ainda permanece relativamente estável.

Mesmo assim, o estudo mostra que determinados eventos extremos poderiam alterar rapidamente esse equilíbrio.

Entre os cenários citados pelos pesquisadores estão:

  • colapso climático severo;
  • guerras nucleares;
  • pandemias de grande escala;
  • crises simultâneas de recursos;
  • falhas sistêmicas globais.

A equação que tenta explicar 12 mil anos de humanidade

O estudo foi desenvolvido por Zaccone em parceria com o físico teórico Kostya Trachenko, falecido em 2025.

Os dois criaram um modelo matemático capaz de reproduzir diferentes fases históricas do crescimento populacional humano.

Isso inclui:

  • crescimento lento das sociedades antigas;
  • explosão populacional da Revolução Industrial;
  • desaceleração gradual observada desde os anos 1970.

Segundo os autores, o modelo conseguiu representar tanto períodos de crescimento exponencial acelerado quanto fases mais estáveis da população mundial.

O retorno de uma teoria famosa dos anos 1960

O trabalho também revisita uma hipótese conhecida como “cenário do fim do mundo”, proposta em 1960 pelo cientista Heinz von Foerster.

Na época, Foerster calculou que, se a população continuasse crescendo no mesmo ritmo observado durante dois mil anos, o planeta caminharia para uma espécie de “singularidade populacional” por volta de 2026.

Isso não significava literalmente população infinita, mas um crescimento tão acelerado que se tornaria matematicamente insustentável.

Na prática, isso não aconteceu porque as taxas de natalidade começaram a cair em várias partes do mundo.

Mesmo assim, Zaccone afirma que a matemática por trás desse crescimento descontrolado ainda pode reaparecer sob determinadas condições.

O cenário mais preocupante

A parte mais alarmante do estudo aparece quando os cientistas simulam uma redução drástica da capacidade da Terra de sustentar pessoas.

Se o planeta passasse a suportar apenas cerca de 2 bilhões de habitantes, o modelo indica uma queda extremamente rápida da população global.

Nesse cenário, a humanidade poderia diminuir de algo entre 8 e 10 bilhões de pessoas para aproximadamente 4 ou 5 bilhões em apenas quatro décadas.

Em termos históricos, seria uma transformação gigantesca ocorrendo em tempo extremamente curto.

O conceito de “capacidade de suporte”

A chamada carrying capacity — ou capacidade de suporte — representa o número máximo de pessoas que um ambiente consegue sustentar de forma sustentável.

Esse limite depende de fatores como:

  • disponibilidade de água;
  • produção de alimentos;
  • estabilidade climática;
  • energia;
  • infraestrutura;
  • saúde pública;
  • equilíbrio ecológico.

Se esses sistemas entram em colapso simultaneamente, a capacidade de suporte do planeta pode cair rapidamente.

O estudo também fala sobre crescimento excessivo

Curiosamente, o modelo matemático também aponta um cenário oposto.

Sob determinadas condições, o crescimento populacional poderia acelerar novamente em direção a uma nova “singularidade” matemática por volta de 2078, atualizando a antiga projeção de Heinz von Foerster.

Os autores deixam claro, porém, que ambos os cenários representam extremos teóricos usados para entender o comportamento de sistemas populacionais complexos.

O verdadeiro objetivo da pesquisa

Apesar do tom dramático, os pesquisadores afirmam que o estudo busca oferecer uma ferramenta para analisar futuros possíveis em um mundo cada vez mais instável.

A ideia não é prever exatamente o destino da humanidade, mas entender como crises ambientais, tecnológicas e sociais podem afetar sistemas globais altamente interconectados.

E existe uma mensagem implícita importante nisso tudo: o crescimento humano talvez nunca tenha sido tão garantido quanto parecia durante o último século.

A estabilidade populacional depende de um equilíbrio muito mais delicado do que costumamos imaginar.

 

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