Pular para o conteúdo
Ciência

Um osso ficou esquecido em uma gaveta por 40 anos. Agora, cientistas descobriram que ele pertence ao primeiro dinossauro já encontrado na Antártida

Durante quatro décadas, um pequeno fóssil permaneceu armazenado sem chamar atenção em uma coleção científica. Uma nova análise revelou que ele pertence à cauda de um titanossauro, tornando-se o primeiro osso de dinossauro já identificado na Antártida e oferecendo pistas inéditas sobre a vida desses gigantes no extremo sul do planeta.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Grandes descobertas nem sempre acontecem em escavações espetaculares. Às vezes, elas surgem ao abrir uma gaveta esquecida. Foi exatamente isso que aconteceu com um fóssil coletado na Antártida em 1985 e que permaneceu armazenado por quase 40 anos até ser reexaminado por paleontólogos. O que parecia ser apenas uma vértebra de um grande réptil marinho revelou-se, na verdade, o primeiro osso de dinossauro já encontrado no continente gelado, um achado que pode ampliar o conhecimento sobre os últimos gigantes que habitaram a Terra.

Um fóssil ignorado durante quatro décadas

Osso Dinossaurio
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

O espécime foi encontrado em 9 de dezembro de 1985, durante uma expedição científica à Ilha James Ross, na Península Antártica. Na época, o geólogo Mike Thomson registrou a descoberta em seu caderno de campo como “vértebra de um grande réptil”, anotando apenas que o osso media cerca de 10 centímetros de largura.

Como o fóssil não apresentava características muito chamativas, a equipe acreditou que ele pudesse pertencer a um réptil marinho, grupo bastante comum nos registros fósseis da região. A peça acabou sendo armazenada na coleção geológica do British Antarctic Survey (BAS), em Cambridge, onde permaneceu esquecida por décadas.

Foi apenas recentemente que o paleontólogo Mark Evans, ao revisar milhares de fósseis acumulados ao longo das expedições antárticas, encontrou o pequeno osso e suspeitou que ele pudesse ser muito mais importante do que aparentava.

A peça que revelou o primeiro dinossauro da Antártida

Para confirmar sua hipótese, Evans pediu a análise do paleontólogo Paul Barrett, do Museu de História Natural de Londres.

Segundo Barrett, apesar de discreto, o fóssil apresentava detalhes anatômicos extremamente característicos. Um rebaixo em uma das extremidades e uma pequena protuberância em outro ponto do osso formavam uma combinação única entre os titanossauros, grupo de dinossauros saurópodes que inclui alguns dos maiores animais terrestres que já existiram.

A confirmação transformou imediatamente o espécime em uma peça histórica: trata-se do primeiro osso de dinossauro já identificado na Antártida.

Embora outros fósseis de dinossauros tenham sido encontrados posteriormente no continente, a data da descoberta mostra que este provavelmente foi o primeiro exemplar coletado, ainda que sua verdadeira identidade só tenha sido reconhecida décadas depois.

Os gigantes que dominaram o planeta

Oficialmente Descartada La Teoría De Que Los Volcanes Mataron A Los Dinosaurios El Final Del Período Cretácico Tuvo Sucesos Geológicos Y Astronómicos Desastrosos Pero Los I
© Freer/Shutterstock

Os titanossauros viveram durante o Cretáceo Superior, há cerca de 82 milhões de anos, quando os dinossauros alcançaram uma enorme diversidade antes da extinção em massa.

Eram herbívoros de quatro patas, com pescoços longos, corpos gigantescos e membros extremamente robustos. Algumas espécies podiam atingir aproximadamente 37 metros de comprimento, cerca de 20 metros de altura com o pescoço erguido e pesar até 77 toneladas, figurando entre os maiores animais terrestres da história.

Fósseis de titanossauros já foram encontrados na América do Sul, África, Europa, Ásia e Austrália, mas continuam relativamente raros. Em todo o mundo, apenas cerca de uma centena de exemplares foi identificada.

Um titanossauro menor do que seus parentes

O tamanho reduzido da vértebra encontrada na Antártida indica que seu proprietário estava longe das dimensões colossais normalmente associadas ao grupo.

Com base no osso da cauda, os pesquisadores estimam que o animal media aproximadamente sete metros de comprimento. Isso pode significar que se tratava de um indivíduo jovem, ainda em fase de crescimento, ou de uma espécie de titanossauro naturalmente menor, rompendo com o padrão de gigantismo observado em muitos de seus parentes.

Independentemente da explicação, o fóssil representa uma peça importante para compreender como esses dinossauros conseguiram viver em regiões polares durante um período em que o clima da Antártida era muito mais quente e abrigava uma fauna bastante diferente da atual.

A descoberta também demonstra que coleções científicas continuam escondendo tesouros capazes de mudar o conhecimento sobre a história da vida na Terra. Em alguns casos, basta que alguém faça a pergunta certa ao abrir uma gaveta esquecida há décadas.

 

[ Fonte: ABC ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados