Poucas palavras foram suficientes para emocionar o mundo. Em seu testamento espiritual, o Papa Francisco expressou com serenidade e clareza como desejava que fossem os arranjos para seu descanso eterno. A carta, redigida com profundo simbolismo, revela seu último pedido: repousar na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, com uma sepultura discreta e sem adornos.
O testamento de um homem de fé
Em meio à comoção causada por sua morte, o Vaticano divulgou o “testamento espiritual” de Jorge Mario Bergoglio, onde ele especifica sua vontade quanto ao local onde seus restos mortais devem permanecer. A escolha, longe de ser aleatória, carrega um forte sentido devocional: a Basílica Papal de Santa Maria Maior, templo mariano histórico ao qual o Papa tinha grande devoção.
Ele pede que sua sepultura esteja localizada “no nicho da nave lateral entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza”. Francisco deixa claro que deseja um túmulo simples, construído no solo, “sem decoração particular” e com apenas uma inscrição: Franciscus.
Um gesto de simplicidade e amor
A simplicidade do pedido contrasta com a pompa tradicional que costuma acompanhar o funeral de um papa. Francisco sempre foi um pontífice marcado pela humildade, e sua última vontade reforça essa imagem.
Além disso, ele revela que os custos para a preparação de seu sepultamento serão arcados por um benfeitor que ele mesmo designou. A doação será transferida à Basílica de Santa Maria Maior, e a execução do plano ficará a cargo do arcebispo Rolandas Makrickas, comissionado especialmente para isso.
Um adeus entre fé e esperança
O testamento é escrito sob a invocação da Santíssima Trindade e carrega o tom sereno de quem aguarda com esperança o encontro com a vida eterna. Francisco menciona que confiou toda sua vida sacerdotal e episcopal à Virgem Maria, e por isso deseja repousar perto dela, no mesmo santuário onde costumava rezar antes e depois de cada Viagem Apostólica.
Ele afirma: “Desejo que minha última viagem terrena termine neste antigo santuário mariano, onde confiei à Mãe Imaculada as minhas intenções e agradeci seus cuidados maternais”.
O sofrimento como oferenda de paz
Num trecho tocante, o Papa menciona os sofrimentos que enfrentou em seus últimos anos e declara que os ofereceu a Deus pela paz mundial e pela fraternidade entre os povos. Esse gesto final de entrega reforça o compromisso que sempre teve com as causas sociais, o diálogo entre nações e o cuidado com os mais frágeis.
Ele encerra seu testamento com uma bênção: “Que o Senhor recompense aqueles que me amaram e continuarão a rezar por mim”.
O testamento espiritual do Papa Francisco ecoa sua vida inteira: uma jornada pautada pela simplicidade, a fé e a devoção à Virgem Maria. Seu último pedido nos lembra que a grandeza, para ele, sempre esteve nas coisas mais humildes e sinceras.
Fonte: Canal26