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Tecnologia

Uma IA da OpenAI decifrou uma mensagem nazista da Enigma que permaneceu sem solução por décadas

O modelo Astra conseguiu reconstruir uma mensagem alemã de 1941 após testar milhões de configurações da máquina Enigma. Pouco depois, Claude, da Anthropic, ajudou a solucionar outra mensagem histórica, embora com mais pistas fornecidas por humanos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma mensagem militar enviada pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial permaneceu praticamente indecifrável durante décadas. Agora, um modelo de inteligência artificial conseguiu encontrar a combinação necessária para revelar seu conteúdo.

O desenvolvedor Carter Leffen utilizou o Astra, modelo da OpenAI, para investigar mensagens ainda não solucionadas disponíveis nos arquivos do Crypto Cellar Research.

Em vez de indicar exatamente qual código deveria atacar, Leffen pediu ao sistema que encontrasse um caso pendente e tentasse resolvê-lo. A IA escolheu uma mensagem identificada como MVUEH.

O que aconteceu depois exigiu uma combinação de pesquisa histórica, programação e milhões de tentativas.

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O Astra pesquisou documentos históricos, escreveu um simulador em código da máquina Enigma e começou a testar possíveis configurações.

No total, o sistema avaliou aproximadamente 14,8 milhões de chaves candidatas.

Isso ainda representa uma fração minúscula do espaço de configurações possíveis da Enigma, estimado em cerca de 159 trilhões de combinações para o problema analisado. O modelo conseguiu reduzir drasticamente a busca utilizando informações disponíveis nos registros históricos.

A mensagem havia sido transmitida em 10 de julho de 1941 a partir de Rosenow. Seu conteúdo solicitava instruções relacionadas a uma rota de marcha e estava assinado por um oficial chamado Waschbusch.

A solução indicou uma configuração com os rotores II-V-III, posição inicial R-W-D e dez conexões no painel de plugues da máquina.

Outra mensagem ajudou a confirmar a descoberta

O texto apresentava ainda uma conexão inesperada com outra mensagem enviada no mesmo dia.

Esse segundo registro, identificado como SIPVX, já havia sido decifrado por um pesquisador em 2017.

As duas mensagens utilizavam a mesma ordem de rotores, mas configurações diferentes. Isso havia dificultado estabelecer uma relação entre elas anteriormente.

Segundo a análise dos arquivos, um erro de transcrição no texto original e uma movimentação pouco comum de um dos rotores também contribuíram para tornar o problema especialmente difícil.

Um especialista confirmou a solução

A descoberta foi analisada por Frode Weierud, engenheiro elétrico aposentado e responsável pelo Crypto Cellar Research, arquivo dedicado à história da criptografia.

Weierud confirmou que a solução encontrada estava correta e destacou a velocidade do processo. Segundo ele, uma investigação equivalente poderia exigir semanas ou meses de trabalho humano.

O especialista também descreveu o comportamento do modelo como semelhante ao de um criptoanalista e arquivista profissional.

Mas existe uma parte do processo que permanece pouco clara.

Os registros produzidos pela IA mencionavam documentos pertencentes a uma suposta coleção privada que não fazia parte do Crypto Cellar. Weierud não conseguiu determinar exatamente de onde vieram essas informações.

O especialista em segurança Bruce Schneier também chamou atenção para a questão, especialmente sobre como o sistema encontrou determinados documentos relacionados ao Bundesarchiv, o Arquivo Federal da Alemanha.

Claude também conseguiu resolver uma mensagem Enigma

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© Runrun2 – Shutterstock.com

Pouco depois, surgiu um segundo caso.

O especialista em cibersegurança Jack Willis utilizou Claude Opus 5, da Anthropic, para tentar decifrar outra mensagem ainda não solucionada.

Dessa vez, porém, a inteligência artificial recebeu uma ajuda humana consideravelmente maior.

Willis forneceu pistas específicas, incluindo a assinatura conhecida de um oficial alemão. Essa informação funcionou como ponto de partida para reduzir as possíveis configurações da máquina.

O texto, catalogado como Nr. 205 NF e datado de 31 de julho de 1941, tinha apenas 63 letras e havia resistido durante décadas às tentativas tradicionais de solução.

Isso não significa que a IA “venceu” a Enigma sozinha

Os próprios envolvidos evitam apresentar os resultados como demonstração de uma inteligência artificial capaz de quebrar códigos da Enigma de maneira totalmente autônoma.

Houve intervenção humana durante o processo.

Leffen definiu o problema e acompanhou a investigação, enquanto Willis forneceu informações adicionais diretamente ao Claude.

Ainda assim, os casos mostram uma capacidade interessante dos modelos mais recentes: combinar programação, pesquisa documental, formulação de hipóteses e exploração automatizada de grandes espaços de possibilidades.

A Enigma foi um dos sistemas criptográficos mais importantes utilizados pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Seu código foi quebrado pelos Aliados graças ao trabalho de matemáticos, criptógrafos e engenheiros em Bletchley Park, incluindo Alan Turing, apoiados por máquinas eletromecânicas como a Bombe.

Mais de oito décadas depois, a inteligência artificial está voltando aos mesmos códigos.

Não para reescrever aquela história, mas para solucionar algumas das pequenas mensagens que ela ainda havia deixado para trás.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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