O governo está prestes a aprovar um pacote que pode mudar o panorama da indústria automobilística nacional. Trata-se do IPI Verde, somado ao novo programa Carro Sustentável, que pretende premiar modelos mais eficientes com isenção de impostos. A medida traz promessas, resistência e incertezas — especialmente para quem espera um carro zero mais barato nos próximos meses.
IPI Verde e Carro Sustentável: uma mudança que pode agitar o setor

O novo modelo de tributação ecológica, batizado de IPI Verde, promete revolucionar o mercado de veículos ao estimular a produção e venda de carros menos poluentes. A proposta prevê a redução ou até isenção total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos mais eficientes energeticamente. Paralelamente, a criação do programa Carro Sustentável pode tornar carros populares ainda mais acessíveis — desde que cumpram critérios rígidos de emissão de gases e desempenho ambiental.
Modelos como o Fiat Mobi e o Renault Kwid, que já figuram entre os mais baratos do Brasil, poderão ficar ainda mais econômicos. A medida visa não apenas baratear esses veículos, mas também aquecer as vendas e movimentar a indústria até a implementação do novo sistema tributário previsto para 2026, quando o IPI deve ser substituído pelo Imposto Seletivo.
Nem todos saem ganhando: os desafios do novo plano
Apesar do entusiasmo, nem toda a indústria automotiva vê o novo projeto com bons olhos. Algumas montadoras não possuem modelos que atendam aos padrões exigidos e poderão ser prejudicadas, especialmente se houver aumento do IPI para veículos mais poluentes como forma de compensar a isenção concedida aos populares.
A Anfavea, que representa as fabricantes de veículos, já sinalizou que o projeto está pronto e depende apenas do aval do Ministério da Fazenda. O principal ponto de resistência parte do ministro Fernando Haddad, preocupado com os possíveis impactos negativos na arrecadação federal. Ainda assim, há expectativa de que o aumento nas vendas compense a perda com outros tributos indiretos.
Carros 1.0 podem ganhar nova vida
Entre os principais beneficiados, estão os modelos 1.0 com motores aspirados, que costumam ser mais eficientes em emissão de CO₂. O governo propôs que veículos que emitam menos de 83 gCO₂e/km sejam isentos do IPI, favorecendo uma lista ampla de carros populares, como:
- Fiat Mobi
- Renault Kwid
- Hyundai HB20
- Volkswagen Polo Track
- Chevrolet Onix
- Citroën C3
Esse estímulo fiscal pode ser decisivo para impulsionar a produção nacional e as vendas até o fim de 2026.
E o consumidor? Benefício ainda depende de repasse
Mesmo com todo o otimismo, o efeito no bolso do consumidor ainda é incerto. Não há garantia de que as montadoras serão obrigadas a repassar a isenção do IPI para os preços finais dos veículos. Isso já aconteceu em 2023, durante incentivos semelhantes, e levantou críticas quanto à efetividade das medidas para o público em geral.
Outro obstáculo é que grande parte das vendas de carros populares atualmente é feita diretamente para locadoras e frotistas — e não para o consumidor comum. Dados mostram que, até maio deste ano, 94% das unidades vendidas de Fiat Mobi e Renault Kwid foram comercializadas via faturamento direto, o que limita os efeitos reais da medida para o comprador final.
Ainda assim, se bem implementado, o novo plano pode marcar o início de uma virada no setor automotivo brasileiro — e isso, por si só, já gera grandes expectativas.
[Fonte: Diário do Comércio]