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Ciência

Uma nova forma de caminhar virou tendência e promete benefícios que vão muito além das pernas

Uma rotina simples baseada em caminhada está conquistando adeptos por dispensar metas complicadas e combinar exercício, regularidade e alguns minutos extras que podem fazer diferença no organismo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Caminhar parece simples demais para virar tendência fitness, mas uma nova fórmula está mostrando justamente o contrário. Sem equipamentos caros, academias ou a obsessão de conferir milhares de passos no relógio, o método organiza uma atividade conhecida em torno de uma sequência fácil de memorizar. O curioso é que seus possíveis benefícios não ficam restritos ao condicionamento físico: cérebro, sono e bem-estar também entram nessa história.

Uma sequência de números transformou uma atividade comum em método

A caminhada ganhou inúmeras variações nos últimos anos, das versões conscientes às rotinas inspiradas em técnicas específicas de diferentes países. Agora, outra modalidade começou a chamar atenção nas redes sociais: a chamada caminhada 6-6-6.

O nome não é por acaso. A proposta começa com seis minutos de aquecimento ou alongamento. Em seguida, são realizados 60 minutos de caminhada em velocidade moderada, normalmente entre 5 e 6 km/h. Depois, entram outros seis minutos de desaceleração e alongamento.

Os outros números aparecem na frequência. A fórmula difundida entre seus adeptos recomenda realizar a atividade às 6h da manhã ou às 18h, cerca de seis vezes por semana.

Apesar da precisão quase matemática, porém, o horário pode não ser o elemento mais importante. O verdadeiro diferencial está na regularidade. Manter uma rotina de atividade física de forma consistente tende a ser mais relevante do que cumprir rigorosamente o relógio.

Outro detalhe ajuda a explicar sua popularidade: não é preciso ficar contando passos. Uma jornalista que experimentou o método durante uma semana estimou que 50 minutos de caminhada correspondiam a aproximadamente 7 mil passos, mas destacou justamente a liberdade de deixar essa métrica em segundo plano.

E caminhar está longe de ser uma atividade irrelevante. A Associação Americana do Coração informa que pelo menos 150 minutos semanais de caminhada podem contribuir para melhorar o sono e a função cognitiva, além de reduzir riscos associados a doenças cardiovasculares, AVC e diabetes.

O ritmo da caminhada muda o que acontece no organismo

Uma nova forma de caminhar virou tendência e promete benefícios que vão muito além das pernas
© Arek Adeoye – Unsplash

A velocidade proposta pela rotina também merece atenção. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), caminhar a uma velocidade superior a aproximadamente 4,8 km/h já pode ser considerado exercício aeróbico de intensidade moderada.

Isso significa que aquela atividade aparentemente tranquila pode exigir do organismo mais do que parece.

A neurologista Lucía Zavala explica que caminhar de maneira fluida e em bom ritmo envolve diferentes processos motores. O cérebro precisa coordenar movimentos, equilíbrio, tônus muscular e automatismos enquanto mantém o corpo em deslocamento. A atividade também está associada ao aumento do fluxo sanguíneo cerebral.

Os efeitos físicos encontram respaldo em pesquisas mais amplas. Um metanálise publicado na revista Preventive Medicine, que analisou 24 ensaios controlados envolvendo adultos anteriormente sedentários, identificou melhorias na capacidade aeróbica e reduções no peso corporal, percentual de gordura e pressão arterial diastólica em repouso entre participantes submetidos a intervenções baseadas em caminhada.

Existe ainda uma vantagem específica para quem escolhe o período da manhã. A exposição à luz natural nesse horário pode ajudar na regulação do relógio biológico, responsável por organizar diversos ritmos do organismo, incluindo o ciclo de sono e vigília.

A parte mais interessante pode acontecer na mente

Os músculos e o sistema cardiovascular não são os únicos envolvidos. Caminhar regularmente também pode trazer efeitos positivos para o bem-estar mental.

A psicóloga Sol Buscio destaca que a atividade física favorece processos relacionados à liberação de neurotransmissores como serotonina e dopamina, associados às sensações de prazer e bem-estar. Incorporar música ou práticas de atenção plena durante o percurso também pode tornar a experiência mais agradável e facilitar sua transformação em hábito.

Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes da caminhada 6-6-6. Ela não depende de desempenho esportivo excepcional nem exige equipamentos específicos. Sua estrutura oferece uma espécie de roteiro pronto para quem tem dificuldade em começar ou manter uma rotina de exercícios.

Também não significa que todos precisem cumprir literalmente seis sessões semanais ou sair de casa exatamente às seis da manhã. A própria experiência relatada no artigo reforça que a consistência provavelmente importa mais do que obedecer ao relógio.

No fim, o número 6 pode funcionar principalmente como uma fórmula fácil de lembrar. O que existe por trás dele é algo muito menos misterioso: caminhar em ritmo suficientemente intenso, preparar o corpo antes, desacelerar depois e repetir a atividade com frequência.

E talvez esteja justamente aí a razão para essa tendência chamar tanta atenção. Em uma época cheia de treinos complexos, métricas e dispositivos, ela transforma uma das formas mais básicas de movimento em uma rotina organizada que pode ser incorporada ao cotidiano.

[Fonte: LN]

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