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Tecnologia

Uma supercomputadora revelou o ano em que a Terra deixará de existir: o que a ciência realmente prevê sobre o fim do planeta

Uma simulação feita por cientistas dos EUA e do Japão estimou quanto tempo resta para a atmosfera terrestre permanecer habitável. O estudo indica que, em um futuro distante, o planeta se tornará quente e tóxico — e a vida, impossível.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante bilhões de anos, a Terra foi o cenário ideal para o florescimento da vida. Mas, segundo uma pesquisa conjunta de cientistas norte-americanos e japoneses, esse equilíbrio tem prazo de validade. A conclusão veio de 400 mil simulações computacionais realizadas em uma supermáquina, com o objetivo de prever como o Sol e a atmosfera evoluirão ao longo do tempo.

O estudo, publicado em 2022 na revista científica Nature Geoscience sob o título “The Future Lifespan of Earth’s Oxygenated Atmosphere”, sugere que a Terra poderá perder suas condições de habitabilidade em cerca de um bilhão de anos — muito antes de o Sol atingir o fim de sua vida.

Um futuro sufocante e sem oxigênio

Segundo os pesquisadores, o ponto de virada virá quando o Sol, em sua lenta expansão natural, começar a emitir mais energia. Esse aumento provocará o superaquecimento da superfície terrestre e a alteração do ciclo químico que mantém o oxigênio atmosférico.

O autor principal do estudo, Kazumi Ozaki, professor assistente da Universidade de Toho, explicou que “a vida útil da biosfera da Terra sempre foi debatida com base no que sabemos sobre o Sol e o ciclo geoquímico do carbono e do silício”.

As simulações mostraram que, conforme a temperatura média do planeta subir, a fotossíntese — processo que mantém o oxigênio no ar — se tornará inviável. A redução progressiva de CO₂ e o aumento de radiação solar levarão à chamada “Grande Desoxigenação”: uma era em que o oxigênio atmosférico desaparecerá quase por completo.

A transformação da atmosfera terrestre

Sem Oxigenio
© Unsplash – ActionVance

Nesse cenário, o planeta se transformará em algo semelhante a Marte. Oceanos e lagos evaporarão, a pressão atmosférica cairá e o ar será dominado por metano e vapor d’água. Sem a camada de ozônio, a radiação ultravioleta atingirá diretamente a superfície, exterminando qualquer forma de vida complexa.

“Após a desoxigenação, a Terra provavelmente se tornará um mundo habitado apenas por organismos anaeróbicos — micróbios que não dependem de oxigênio para viver”, afirmou Ozaki. A atmosfera seria instável, com tempestades solares e ejeções de massa coronal afetando continuamente o campo magnético terrestre.

Um prazo cósmico

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© https://x.com/InformaCosmos/

Apesar do impacto do estudo, o cenário descrito não é iminente. A chamada “data de vencimento” da vida na Terra está projetada para daqui a cerca de 1 bilhão de anos — quando o Sol ainda estará em uma fase relativamente estável. Só muito depois, em aproximadamente 5 bilhões de anos, a estrela deve se expandir até se tornar uma gigante vermelha, engolindo planetas internos como Mercúrio, Vênus e, possivelmente, a própria Terra.

Antes disso, a degradação da atmosfera e o calor crescente já terão eliminado qualquer possibilidade de vida. Mesmo os microrganismos mais resistentes não suportariam as temperaturas extremas previstas para a superfície.

O que isso significa para o presente

Embora o estudo trate de um futuro inimaginavelmente distante, ele oferece pistas importantes para os astrônomos que buscam exoplanetas habitáveis. Entender quanto tempo uma atmosfera rica em oxigênio pode durar ajuda a determinar quais mundos podem realmente sustentar vida.

Além disso, serve como lembrete de que a habitabilidade é um equilíbrio delicado — e temporário. Como resume Ozaki, “os níveis de oxigênio que tornam a Terra única não existirão para sempre. O planeta de amanhã será muito diferente do que conhecemos hoje.”

 

[ Fonte: La Nación ]

 

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