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União Europeia endurece regras aduaneiras para plataformas como Shein e Temu

A União Europeia chegou a um acordo para reformar suas regras aduaneiras e aumentar o controle sobre gigantes do comércio online. A proposta prevê multas, novas obrigações e maior fiscalização sobre plataformas como Shein e Temu, em resposta ao crescimento explosivo das compras digitais.

O avanço do comércio eletrônico global colocou novos desafios para governos e reguladores. Na União Europeia, o aumento massivo de compras em plataformas internacionais levou a uma reforma significativa das regras aduaneiras. O objetivo é claro: garantir que produtos vendidos por empresas estrangeiras respeitem as normas do bloco e proteger os consumidores de riscos e irregularidades.

Um novo modelo para controlar o comércio online

Shein Temu
© https://x.com/AfricajnViu

O acordo, negociado entre o Parlamento Europeu e o Conselho, busca modernizar o sistema aduaneiro diante da realidade digital. Plataformas como Shein e Temu passarão a ter responsabilidade direta sobre os produtos que comercializam.

Na prática, isso significa que essas empresas deverão garantir que os itens vendidos:

  • Cumpram as normas de segurança europeias
  • Estejam em conformidade com regras fiscais
  • Respeitem padrões de qualidade exigidos pelo bloco

Caso descumpram essas exigências de forma recorrente, poderão enfrentar multas entre 1% e 6% do valor total de suas importações anuais.

Mais fiscalização e um sistema centralizado de dados

Um dos pilares da reforma é a criação de um centro europeu de dados aduaneiros, que funcionará como uma plataforma central para monitorar transações.

Esse sistema permitirá que as autoridades:

  • Recebam informações sobre compras em tempo real
  • Avaliem riscos antes mesmo da chegada dos produtos
  • Apliquem controles mais eficientes nas fronteiras

A nova estrutura será coordenada pela futura Autoridade Aduaneira Europeia (EUCA), com sede na França.

A expectativa é que o sistema comece a operar parcialmente em 2028 e esteja totalmente funcional até 2031.

Taxas para pacotes de baixo valor

Outra medida relevante envolve a criação de tarifas para encomendas de baixo valor — aquelas abaixo de 150 euros.

A partir de julho, será aplicada uma taxa de cerca de 3 euros por pacote. Além disso, até 2026, uma nova tarifa de gestão será implementada para compensar os custos administrativos gerados pelo aumento do comércio online.

Importante: essas taxas deverão ser pagas pelas plataformas ou operadores logísticos, não diretamente pelos consumidores.

O fim da “zona cinzenta” para plataformas digitais

Shein E Temu Em Crise (2)
© Finanzas para todos – YouTube

A reforma também busca acabar com lacunas legais que permitiam a algumas empresas operar sem responsabilidade direta dentro da UE.

Pela primeira vez, as plataformas terão que:

  • Estar estabelecidas na União Europeia
    ou
  • Ter representantes legais dentro do bloco

Isso dificulta o uso de estruturas empresariais opacas para evitar sanções.

Organizações de defesa do consumidor consideram a medida um marco, classificando-a como o “fim da impunidade” para empresas que ignoravam regras de segurança e concorrência.

Um problema que cresceu rápido demais

O volume de encomendas internacionais aumentou de forma explosiva. Só em 2025, cerca de 5,9 bilhões de produtos de baixo valor entraram na União Europeia — e aproximadamente 90% vieram da China.

Esse fluxo colocou pressão sobre os sistemas aduaneiros e elevou o risco de entrada de produtos ilegais, falsificados ou perigosos.

O que muda para consumidores e empresas

Para os consumidores, a expectativa é de maior segurança e controle sobre os produtos comprados online.

Para as empresas, o cenário será mais exigente:

  • Mais transparência
  • Mais responsabilidade
  • Mais custos operacionais

Ao mesmo tempo, a reforma busca equilibrar o jogo competitivo entre empresas europeias e plataformas estrangeiras.

Um passo para adaptar regras ao mundo digital

A União Europeia tenta, com essa reforma, atualizar suas estruturas para um mercado cada vez mais globalizado e digital.

O desafio agora será implementar essas mudanças sem frear o crescimento do comércio eletrônico — mas garantindo que ele aconteça dentro de regras claras.

Se aprovado definitivamente, o novo sistema pode se tornar referência para outros países que enfrentam o mesmo problema.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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