O Brasil está acostumado a tempestades e enchentes, mas tornados com força capaz de devastar uma cidade inteira ainda chocam o país. Foi o que aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, atingida por ventos que chegaram a 250 km/h. Em questão de minutos, milhares de pessoas ficaram sem casa, serviços básicos entraram em colapso e equipes de emergência precisaram agir em ritmo de guerra. Entenda como o fenômeno surgiu e por que especialistas acendem um alerta para o futuro.
Uma cidade destruída em poucos minutos
O tornado ocorreu após a passagem de um ciclone extratropical sobre o Sul do Brasil. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR), os ventos atingiram entre 180 e 250 km/h, força suficiente para classificar o fenômeno como F2 na escala Fujita.
Mas a intensidade da destruição levanta a hipótese de que o evento possa ser reclassificado como F3, nível em que ventos podem ultrapassar os 320 km/h.
Vídeos e fotos postados por moradores mostram cenas impressionantes: casas desmoronadas, estruturas metálicas retorcidas, árvores arrancadas e veículos virados. Estima-se que 80% da área urbana tenha sido danificada ou totalmente destruída.
O governo do Paraná confirmou ao menos cinco mortes, sendo quatro na própria Rio Bonito do Iguaçu, além de mais de 400 feridos. Duas pessoas seguem desaparecidas.
Resgate e apoio emergencial
Com a cidade quase toda inoperante, a Defesa Civil e os bombeiros montaram uma operação de emergência para resgatar vítimas e deslocar famílias para abrigos.
Hospitais, escolas e o fornecimento de energia elétrica colapsaram. As equipes trabalham entre escombros, em busca de sobreviventes e feridos ainda soterrados.
Prefeituras vizinhas e voluntários organizam doações de água potável, alimentos, remédios e roupas de frio para atender a população desabrigada.
Tornado no Brasil não é raro.
Tornado destruindo cidade no Brasil é raríssimo.Olha o registro de um tornado ontem de noite próximo dessa região de Rio Bonito do Iguaçu no Paraná.
Não é o mesmo que destruiu a cidade.
Teve outros. https://t.co/8po7yQ50mc pic.twitter.com/Yy2y7tSaYt— Bruno Brezenski (@bbbrezenski) November 8, 2025
Como o fenômeno se formou
O tornado foi provocado por um ciclone extratropical que se formou entre o norte da Argentina, Paraguai e Bolívia. O encontro de uma massa de ar quente e úmida com uma corrente fria vinda dos Andes criou um ambiente explosivo na atmosfera.
Essa combinação favorece a formação de supercélulas — tempestades altamente rotativas, capazes de gerar tornados fortes. O sistema atravessou Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, provocando chuva intensa, ventos acima de 100 km/h e granizo de grande porte.
Outro tornado pode ter atingido a região entre Guarapuava e Turvo, segundo registros feitos por moradores.
O ciclone segue avançando
Na manhã do sábado (8), o fenômeno se movia em direção aos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantém alerta para temporais, enchentes, deslizamentos e possibilidade de novos tornados isolados conforme o sistema segue pelo Atlântico Sul.
Um alerta sobre o clima
Meteorologistas reforçam que eventos tão intensos tendem a se tornar mais frequentes. Segundo o pesquisador Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o aumento do calor e da umidade na atmosfera cria condições ideais para tempestades severas com maior poder destrutivo.
Enquanto isso, Rio Bonito do Iguaçu enfrenta o desafio da reconstrução. A pequena cidade de pouco mais de 15 mil habitantes agora é um cenário de silêncio e escombros — prova de como a força da natureza pode mudar tudo em minutos.