Desde 2022, Volodymyr Zelensky se tornou a face da resistência ucraniana contra a invasão russa. Ex-comediante e eleito presidente em 2019, ele sobreviveu a ataques, liderou o país sob lei marcial e virou um ícone global de guerra e diplomacia. Agora, pela primeira vez, admite que pode não disputar a reeleição quando o conflito terminar.
“Meu objetivo é acabar com a guerra”

Em entrevista por vídeo ao site Axios, Zelensky afirmou nesta quinta-feira (25) que seu foco não está nas urnas, mas no fim da guerra.
“Se terminarmos a guerra com os russos, sim, estou pronto para não ir (às eleições), porque não é meu objetivo, eleições. Meu objetivo é acabar com a guerra”, disse.
Segundo o presidente, caberá ao parlamento organizar eleições assim que um cessar-fogo for alcançado. Até lá, as votações permanecem suspensas por conta da lei marcial imposta no início da invasão.
Confiança popular em meio à guerra
Apesar da suspensão da eleição presidencial prevista para 2024, Zelensky mantém índices significativos de aprovação. Uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, realizada em setembro, mostrou que 59% dos ucranianos ainda confiam nele, contra 34% que declararam não confiar.
Sua imagem pública se sustenta por mensagens diárias nas redes sociais, visitas a soldados na linha de frente e constantes viagens internacionais em busca de apoio político e militar. Para Moscou, no entanto, a suspensão das eleições serve de argumento para questionar sua legitimidade como chefe de Estado.
Apoio militar dos EUA e novas armas
Durante a semana, Zelensky esteve em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, onde também se reuniu com o presidente americano, Donald Trump. O líder ucraniano reforçou a necessidade de armamento de longo alcance para enfrentar os ataques russos, compostos por centenas de drones e mísseis lançados regularmente contra cidades e infraestrutura crítica.
Zelensky disse à Axios que, caso Moscou não aceite encerrar a guerra, autoridades russas deveriam ao menos saber “onde fica o abrigo antiaéreo mais próximo”.
Reação dura de Moscou

A declaração provocou resposta imediata de Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. Conhecido por seu tom agressivo, ele ironizou:
“A Rússia poderia usar armas contra as quais um abrigo antiaéreo não protegeria. E os americanos deveriam se lembrar disso”, escreveu nas redes sociais.
Os ataques russos seguem constantes, enquanto a Ucrânia também emprega drones de longo alcance contra alvos militares e energéticos, ainda que em menor escala. O impasse mantém o país em alerta permanente, sem perspectiva clara de cessar-fogo.
O futuro político de Zelensky
A afirmação de que não pretende concorrer novamente pode redefinir o cenário político ucraniano. Ao colocar o fim da guerra acima da própria permanência no cargo, Zelensky busca reforçar sua imagem de líder patriótico, disposto a se sacrificar pelo país.
No entanto, a incerteza sobre a sucessão e a pressão internacional por legitimidade eleitoral abrem espaço para novas disputas internas no pós-guerra. Até lá, o presidente segue equilibrando diplomacia, resistência militar e o peso de liderar um país devastado por mais de três anos e meio de conflito.
Zelensky afirmou que pode deixar a presidência após o fim da guerra, reforçando que seu objetivo não é a reeleição, mas encerrar o conflito. Enquanto busca novas armas e apoio dos EUA, enfrenta pressões da Rússia e mantém altos índices de confiança entre os ucranianos.
[ Fonte: CNN Brasil ]