A air fryer conquistou espaço nas cozinhas ao prometer alimentos crocantes com pouco ou nenhum óleo. Mas a praticidade pode não ser sua única vantagem. Cientistas decidiram investigar algo que normalmente passa despercebido durante o preparo das refeições: aquilo que é liberado no ambiente enquanto o aparelho funciona. Os resultados mostram que a escolha do método de cozimento pode ter consequências que vão além do prato.
O que realmente sai da air fryer enquanto ela funciona

Também conhecida como freidora de ar, a air fryer se tornou um dos eletrodomésticos mais populares dos últimos anos. Seu funcionamento utiliza a circulação intensa de ar quente para cozinhar os alimentos, permitindo obter textura crocante sem precisar mergulhá-los em grandes quantidades de óleo.
Essa característica costuma ser associada principalmente à redução da quantidade de gordura adicionada às receitas. Uma pesquisa publicada na revista científica ES&T Air, da American Chemical Society, porém, analisou o aparelho sob uma perspectiva diferente: a qualidade do ar dentro da cozinha.
Pesquisadores da Universidade de Birmingham desenvolveram um sistema específico para capturar e medir substâncias liberadas durante o preparo dos alimentos. O interesse estava principalmente nos compostos orgânicos voláteis e nas partículas ultrafinas produzidas durante o processo.
Essas substâncias também podem aparecer quando alimentos são preparados por métodos tradicionais. A exposição prolongada a determinados poluentes presentes no ambiente doméstico é estudada devido aos seus possíveis impactos sobre a saúde.
Para entender melhor o comportamento da air fryer, os cientistas utilizaram um modelo comercial comum, com capacidade de 4,7 litros. Nenhuma modificação especial foi realizada no aparelho, aproximando o experimento das condições encontradas em uma cozinha doméstica.
Foi então que começaram a surgir diferenças importantes.
O alimento colocado no cesto pode mudar bastante o resultado
Durante os experimentos, diferentes tipos de alimentos foram preparados na air fryer. Os pesquisadores incluíram opções frescas e congeladas, além de produtos com diferentes quantidades de gordura.
As medições mostraram que nem tudo produz a mesma quantidade de partículas.
Entre os alimentos responsáveis pelas emissões mais elevadas apareceram o bacon, tanto defumado quanto não defumado, e os anéis de cebola congelados. A explicação estaria relacionada principalmente à presença de gordura.
No caso de alguns produtos congelados, existe ainda outro detalhe. Muitos passam por uma etapa de pré-fritura antes de chegarem ao supermercado e, consequentemente, carregam uma camada de óleo que volta a ser aquecida dentro da air fryer. Esse processo favorece a liberação de partículas.
Ainda assim, é na comparação com a fritura convencional que o resultado do estudo ganha maior relevância.
Segundo os pesquisadores, as emissões registradas durante o funcionamento da air fryer permaneceram consideravelmente abaixo das observadas quando alimentos eram fritos pelos métodos tradicionais com óleo.
Dependendo do alimento analisado, métodos convencionais de preparo de produtos gordurosos chegaram a produzir entre 10 e 100 vezes mais partículas voláteis.
Ou seja, a vantagem de usar menos óleo pode vir acompanhada de um efeito adicional: uma quantidade menor de determinados poluentes liberados no ar da cozinha.
Mas existe uma condição importante para preservar esse benefício.
Um detalhe na limpeza pode interferir nas emissões
Os cientistas também quiseram descobrir se uma air fryer usada repetidamente continuaria apresentando resultados semelhantes aos de um equipamento novo. E foi justamente nesse ponto que apareceu outro dado relevante para quem utiliza o aparelho com frequência.
Freidoras de ar que já haviam passado por mais de 70 ciclos de utilização liberaram até 23% mais compostos voláteis em comparação com aparelhos novos.
A diferença ficou ainda mais evidente quando os pesquisadores observaram as partículas ultrafinas: os equipamentos mais utilizados chegaram a emitir aproximadamente o dobro.
A hipótese é que resíduos de alimentos e gordura se acumulem ao longo do tempo, inclusive em partes internas que são mais difíceis de alcançar durante uma limpeza convencional. Quando o aparelho volta a aquecer, esses resíduos podem contribuir para novas emissões.
Isso reforça a importância de higienizar corretamente a air fryer após o uso, seguindo as recomendações do fabricante e evitando deixar gordura e restos de alimentos acumulados no cesto e nas áreas acessíveis do equipamento.
Mesmo com o aumento observado nas unidades mais usadas, porém, as emissões continuaram significativamente inferiores às registradas em outros métodos de preparo avaliados.
O estudo acrescenta, assim, uma nova dimensão à discussão sobre um aparelho que normalmente é promovido apenas pela praticidade e pela possibilidade de cozinhar usando menos óleo. A air fryer não transforma automaticamente qualquer refeição em uma opção saudável, e o tipo de alimento continua fazendo diferença. Mas, quando o assunto é aquilo que fica suspenso no ar durante o preparo, ela pode apresentar uma vantagem que muita gente sequer considerava.
[Fonte: Semana]