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Ciência

Cientistas querem aposentar o cimento tradicional com uma nova fórmula que reduz drasticamente as emissões

Pesquisadores desenvolveram uma alternativa ao cimento Portland que elimina o uso de calcário e promete reduzir o consumo de energia e as emissões de CO₂ sem mudar o produto final.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Poucos materiais são tão importantes para a construção civil quanto o cimento. Presente em edifícios, pontes e estradas, ele sustenta praticamente toda a infraestrutura moderna. Mas existe um problema: sua fabricação também está entre as maiores fontes industriais de emissões de dióxido de carbono do planeta. Agora, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos propõe uma mudança que pode transformar esse cenário, substituindo a matéria-prima utilizada há séculos por uma alternativa muito mais sustentável.

O maior desafio do cimento está na matéria-prima

Cientistas querem aposentar o cimento tradicional com uma nova fórmula que reduz drasticamente as emissões
© Pexels

O cimento Portland domina a construção civil há décadas, mas sua produção gera uma enorme quantidade de gases de efeito estufa.

Grande parte desse impacto está ligada ao calcário, principal matéria-prima utilizada para produzir a cal virgem, componente essencial do cimento.

Segundo os pesquisadores, o problema não está apenas na energia necessária para aquecer o material.

O próprio calcário possui uma composição química rica em carbono.

Quando é aquecido a temperaturas superiores a 1.500 °C, ocorre uma reação que libera grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) para a atmosfera.

De acordo com o estudo, esse processo pode emitir aproximadamente 500 quilos de CO₂ para cada tonelada de cimento produzida.

Como consequência, a indústria cimenteira responde atualmente por cerca de 4,4% das emissões globais de gases de efeito estufa.

O geólogo Jeff Prancevic, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, resume a dimensão do problema com uma comparação impressionante: as emissões provenientes da fabricação de cimento são semelhantes às produzidas por todos os automóveis de passeio do mundo.

A proposta é substituir o calcário por basalto

Cientistas querem aposentar o cimento tradicional com uma nova fórmula que reduz drasticamente as emissões
© Pexels

Foi justamente esse desafio que motivou pesquisadores da empresa norte-americana Brimstone Energy e da Universidade da Califórnia a buscar uma solução diferente.

O estudo, publicado na revista Nature Communications Sustainability, propõe fabricar o mesmo cimento Portland utilizando rochas silicáticas ricas em cálcio, como o basalto, em vez do tradicional calcário.

Segundo os autores, essas rochas possuem quantidade suficiente de cálcio para produzir um cimento com as mesmas características técnicas do material utilizado atualmente na construção civil.

A grande vantagem é que o processo elimina a principal fonte química de emissões de CO₂ presente na fabricação convencional.

Menos energia e uma redução expressiva nas emissões

Os cálculos apresentados pelos pesquisadores indicam que a fabricação de cimento a partir de silicatos poderia consumir menos de 60% da energia atualmente necessária para processar o calcário.

Além disso, em cenários teóricos avaliados pelo estudo, as emissões de carbono poderiam cair em mais de 80%.

Caso esses resultados sejam confirmados em escala industrial, a tecnologia representaria um dos avanços mais importantes para a descarbonização do setor da construção.

Outro aspecto interessante é que o basalto contém diversos metais de valor econômico.

Durante o processamento, elementos como ferro e alumínio poderiam ser recuperados como subprodutos, aumentando o aproveitamento da matéria-prima e reduzindo desperdícios.

Os pesquisadores destacam ainda que a proporção entre cálcio e ferro presente nessa rocha é bastante compatível com as necessidades tanto da indústria do cimento quanto da produção de aço.

O maior desafio será levar a tecnologia para as fábricas

Apesar do potencial, transformar essa proposta em realidade ainda exigirá diversos testes e adaptações.

O principal objetivo dos pesquisadores não é criar um novo tipo de cimento, mas produzir exatamente o mesmo cimento Portland que já é utilizado mundialmente.

Segundo Jeff Prancevic, essa compatibilidade é fundamental para que construtoras, engenheiros e fabricantes possam adotar a tecnologia sem alterar processos, normas técnicas ou métodos construtivos já consolidados.

Ainda não há previsão de quando a produção baseada em basalto poderá ser implementada em larga escala.

No entanto, o estudo mostra que existe um caminho promissor para reduzir significativamente o impacto ambiental de um dos materiais mais utilizados pela humanidade.

Se a tecnologia conseguir superar os desafios industriais e econômicos, ela poderá ajudar a diminuir a pegada de carbono da construção civil sem exigir mudanças na forma como edifícios, pontes e outras estruturas são projetados e construídos.

[Fonte: La Razón]

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