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Ciência

Seu café pode estar ficando pior antes mesmo do primeiro gole e cinco hábitos comuns ajudam a explicar por quê

Não é preciso comprar uma cafeteira caríssima para melhorar o café preparado em casa. Alguns hábitos aparentemente inocentes podem eliminar aromas e alterar completamente a extração.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Você compra um bom café, prepara tudo como sempre e, mesmo assim, a bebida fica amarga, aguada ou sem aquele aroma encontrado nas cafeterias. A explicação talvez não esteja na máquina. Preparar café envolve uma pequena sequência de reações químicas na qual moagem, água, temperatura, proporção e tempo fazem enorme diferença. A boa notícia é que corrigir alguns dos erros mais frequentes não exige equipamentos profissionais nem técnicas complicadas.

O primeiro erro pode acontecer quando você ainda está comprando o café

Seu café pode estar ficando pior antes mesmo do primeiro gole e cinco hábitos comuns ajudam a explicar por quê
© Pexels

Tratar café apenas como uma maneira de consumir cafeína faz com que um detalhe fundamental seja ignorado: os grãos carregam compostos aromáticos responsáveis por notas que podem lembrar frutas, flores, chocolate ou baunilha.

Esses compostos são sensíveis ao oxigênio, calor e umidade. A partir da torra, começa uma espécie de contagem regressiva.

É por isso que a data impressa no pacote merece atenção. Muitos cafés vendidos em supermercados mostram apenas o vencimento, mas não informam quando os grãos foram torrados.

Segundo os parâmetros citados pela Infobae, a Specialty Coffee Association recomenda consumir os grãos aproximadamente entre 7 e 30 dias depois da torra, mantendo-os inteiros e protegidos da luz, umidade e oxigênio.

Comprar de uma torrefação que informa claramente essa data permite controlar melhor a frescura.

Mas existe outro erro capaz de acelerar dramaticamente a perda de aroma: comprar café já moído.

Quando o grão é triturado, sua superfície de contato com o ar aumenta enormemente. O dióxido de carbono que levava semanas para escapar do grão inteiro pode desaparecer muito mais rapidamente depois da moagem, enquanto a oxidação também acelera.

Por isso, moer somente a quantidade necessária imediatamente antes do preparo pode provocar uma diferença perceptível na xícara.

Seu moedor pode estar criando dois problemas ao mesmo tempo

Seu café pode estar ficando pior antes mesmo do primeiro gole e cinco hábitos comuns ajudam a explicar por quê
© Pexels

Não basta apenas moer na hora. O tamanho das partículas também importa.

Moedores de lâminas podem produzir uma mistura bastante irregular: alguns pedaços ficam grandes enquanto outros praticamente viram pó.

Durante o preparo, isso cria um problema curioso.

As partículas maiores podem receber pouca extração e contribuir com sabores desagradavelmente ácidos. As menores permanecem proporcionalmente muito mais expostas à água e podem liberar compostos amargos em excesso.

Um moedor de mós tende a produzir partículas mais uniformes, facilitando uma extração equilibrada.

Outra fonte de inconsistência aparece na quantidade utilizada.

Medir café com colher parece prático, mas grãos possuem densidades diferentes dependendo da origem, variedade e nível de torra. Duas colheres aparentemente idênticas podem conter pesos diferentes.

Uma balança resolve o problema.

Como referência, o padrão citado pela matéria trabalha com aproximadamente 55 a 60 gramas de café para cada litro de água, equivalente a algo próximo de uma proporção entre 1:16 e 1:18.

Isso significa que 20 gramas de café, por exemplo, pediriam aproximadamente 320 a 360 gramas de água, dependendo da receita e do resultado desejado.

A água representa quase toda a bebida e frequentemente é ignorada

Podemos escolher cuidadosamente os grãos e esquecer justamente o ingrediente que ocupa aproximadamente 98% de uma xícara de café filtrado: a água.

Sua composição mineral interfere na extração.

Água completamente desmineralizada não é necessariamente ideal, porque determinados minerais ajudam na extração dos compostos presentes no café. Por outro lado, água com composição inadequada também pode deixar a bebida sem equilíbrio.

E existe ainda a temperatura.

Para métodos filtrados, a faixa indicada pela Specialty Coffee Association fica aproximadamente entre 90 °C e 96 °C no contato com o café. Usar água fervendo diretamente pode favorecer uma extração diferente e acentuar componentes menos desejáveis.

Quem não possui termômetro pode recorrer a uma solução simples: depois que a água ferver, retirá-la do fogo e aguardar brevemente antes de começar o preparo.

O último detalhe é o tempo.

A extração acontece gradualmente. Ácidos e açúcares aparecem antes, enquanto outros compostos surgem conforme o contato continua. Deixar a água passar rápido demais ou prolongar excessivamente o processo altera esse equilíbrio.

Em métodos como pour-over ou café coado, a referência apresentada fica em torno de três a quatro minutos. Na prensa francesa e outros métodos de imersão, algo próximo de quatro a cinco minutos.

Melhorar o café não exige transformar sua cozinha em um laboratório

A ciência por trás de uma xícara pode ser complexa, mas a aplicação cotidiana é surpreendentemente simples.

Comece por grãos frescos e observe a data da torra. Armazene-os inteiros em recipiente bem fechado e longe de calor, umidade e luz.

Depois, moa somente aquilo que utilizará naquele momento. Se quiser maior consistência, uma balança pode ser mais importante do que vários acessórios sofisticados.

Controle também a proporção entre café e água, evite despejar água em ebulição imediatamente sobre os grãos e respeite aproximadamente o tempo adequado ao método escolhido.

Nenhuma dessas recomendações significa que existe apenas uma receita correta. Café também envolve preferência pessoal: algumas pessoas procuram maior acidez, outras querem corpo ou amargor mais pronunciado.

A diferença é que, quando as principais variáveis ficam sob controle, você consegue modificar a receita conscientemente em vez de depender do acaso.

E talvez essa seja a parte mais surpreendente: antes de trocar sua cafeteira por uma máquina muito mais cara, pode valer a pena descobrir se o verdadeiro problema estava naquela colher de café pré-moído guardada no armário há semanas.

[Fonte: Infobae]

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