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Ciência

A aproximação de um famoso asteroide mobiliza missões espaciais e desperta curiosidade mundial

Um objeto espacial que já preocupou cientistas fará uma aproximação histórica da Terra. O evento mobiliza agências espaciais do mundo inteiro e poderá ser visto sem telescópio em diversas regiões.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Não é todo dia que um asteroide desperta a atenção simultânea de cientistas, agências espaciais e milhões de pessoas ao redor do planeta. Em poucos anos, um objeto conhecido há décadas fará uma passagem tão próxima da Terra que se transformará em um dos fenômenos astronômicos mais observados da história moderna. Além do espetáculo visual, o encontro será uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento sobre esses corpos celestes e testar tecnologias fundamentais para a defesa planetária.

Um encontro histórico entre a Terra e um velho conhecido dos astrônomos

No dia 13 de abril de 2029, um dos asteroides mais famosos já descobertos fará uma aproximação impressionante do nosso planeta. Trata-se do 99942 Apophis, um objeto que passará a aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre, uma distância inferior à órbita de muitos satélites geoestacionários.

Hoje, a NASA afirma que não existe qualquer possibilidade de colisão durante essa passagem nem ao longo do próximo século. No entanto, a história de Apophis já foi bem diferente. Quando foi descoberto, em 2004, os primeiros cálculos indicavam uma probabilidade relativamente elevada de impacto, chegando a cerca de 1 chance em 37, o que despertou grande preocupação na comunidade científica.

À medida que novas observações foram realizadas, os modelos orbitais se tornaram muito mais precisos e eliminaram completamente qualquer risco conhecido. Ainda assim, a passagem de 2029 continua sendo considerada um acontecimento extraordinário.

Segundo estimativas de diferentes instituições científicas, uma parcela significativa da população mundial poderá observar o asteroide sem a necessidade de telescópios, desde que as condições meteorológicas sejam favoráveis. A Agência Espacial Europeia (ESA) calcula que aproximadamente 2 bilhões de pessoas, distribuídas entre Europa, África e parte da Ásia, terão condições ideais para acompanhar sua passagem como um ponto luminoso atravessando lentamente o céu noturno.

Além da proximidade incomum, Apophis chama atenção por suas dimensões. O asteroide possui formato alongado, frequentemente comparado ao de um amendoim, e mede entre 340 e 375 metros de diâmetro. Seu tamanho é semelhante ao de um grande navio de cruzeiro ou quase três vezes a largura do Empire State Building.

Os estudos também indicam que ele pertence à classe dos asteroides do tipo S, compostos principalmente por silicatos e ligas de níquel e ferro, características bastante diferentes das encontradas em Bennu, o asteroide rico em carbono visitado anteriormente pela NASA.

Missões espaciais acompanharão cada momento da aproximação

O sobrevoo de Apophis será muito mais do que um espetáculo para observadores do céu. Diversas missões espaciais foram planejadas especificamente para aproveitar esse encontro raro e estudar, em detalhes, os efeitos da gravidade terrestre sobre o asteroide.

A Agência Espacial Europeia prepara a missão Ramses, que deverá alcançar Apophis antes da aproximação, em fevereiro de 2029. A sonda acompanhará o objeto durante todo o encontro com a Terra para analisar possíveis alterações em sua rotação, estrutura interna e trajetória orbital.

Já a NASA aproveitou outra oportunidade inédita. A espaçonave OSIRIS-REx, responsável por coletar amostras do asteroide Bennu em 2023, recebeu uma nova missão e passou a se chamar OSIRIS-APEX. Após modificar sua rota, ela encontrará Apophis em junho de 2029 para registrar as mudanças provocadas pela passagem próxima da Terra utilizando câmeras de alta resolução, espectrômetros e um altímetro a laser. Diferentemente da missão anterior, desta vez não haverá coleta de amostras.

O Japão também participará do esforço internacional com a missão DESTINY+, que realizará um sobrevoo em alta velocidade antes de seguir rumo ao seu destino principal, o asteroide ativo Faetonte.

Por que Apophis continuará sendo monitorado mesmo sem oferecer risco

A importância desse encontro levou a Assembleia Geral das Nações Unidas a declarar 2029 como o Ano Internacional da Conscientização sobre Asteroides e Defesa Planetária. A iniciativa busca incentivar pesquisas científicas, ampliar o conhecimento da população sobre objetos próximos da Terra e fortalecer estratégias internacionais para lidar com eventuais ameaças futuras.

Nos últimos anos, missões como a DART, da NASA, e a Hera, da ESA, demonstraram que a humanidade já possui tecnologias capazes de alterar a trajetória de um asteroide, caso isso venha a ser necessário no futuro.

Mesmo sem apresentar qualquer perigo atualmente, Apophis continuará sendo acompanhado após sua passagem. Os cientistas querem medir com extrema precisão como a gravidade da Terra poderá modificar sua órbita. Além disso, efeitos sutis provocados pela radiação solar também podem alterar lentamente sua trajetória ao longo das próximas décadas.

Essas informações serão fundamentais para aperfeiçoar os modelos utilizados no monitoramento de milhares de objetos próximos da Terra. Assim, a passagem de Apophis não servirá apenas para proporcionar um espetáculo raro no céu, mas também para ampliar a capacidade da humanidade de compreender e se preparar para futuros encontros com visitantes vindos do espaço.

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