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Ciência

A cápsula que deixou astronautas presos no espaço continua sem solução: NASA adia novamente o retorno da Starliner e a Boeing corre contra o tempo

Dois anos após a missão que terminou com astronautas retidos na Estação Espacial Internacional, a cápsula Starliner continua enfrentando problemas técnicos. A NASA mantém o apoio ao projeto da Boeing, mas admite que o próximo voo foi novamente adiado e ainda não tem uma data definida.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A cápsula CST-100 Starliner, desenvolvida pela Boeing para transportar astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS), ainda está longe de voltar a voar. Depois de uma missão tripulada marcada por falhas técnicas que obrigaram dois astronautas da NASA a permanecerem meses extras em órbita, a agência espacial voltou a adiar o cronograma do programa. O novo voo de testes, inicialmente esperado para este ano, agora deverá acontecer apenas em algum momento do próximo ano, enquanto engenheiros tentam solucionar os problemas que comprometeram a segurança da espaçonave.

O retorno da Starliner continua sem data definida

Durante uma reunião do Painel Consultivo de Segurança Aeroespacial da NASA, representantes da agência confirmaram que a Boeing e a NASA seguem trabalhando para certificar a Starliner para missões tripuladas.

Segundo Kent Rominger, ex-astronauta da NASA e integrante do painel, ainda é necessário definir quais testes serão realizados no próximo voo não tripulado para reduzir riscos e comprovar que a cápsula está pronta para transportar astronautas novamente.

Embora o projeto permaneça ativo, a agência reconhece que o cronograma ainda está sendo revisado e que não existe uma data oficial para o lançamento da missão Starliner-1.

A missão que terminou com astronautas presos na ISS

Os problemas começaram durante o primeiro voo tripulado da Starliner rumo à Estação Espacial Internacional.

Enquanto a cápsula realizava a aproximação da ISS, cinco propulsores apresentaram falhas, obrigando os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams a assumirem parte do controle da nave manualmente.

Além disso, a espaçonave registrou cinco vazamentos de hélio no sistema de propulsão, sendo que um deles já havia sido identificado antes mesmo do lançamento.

Após analisar a situação, a NASA concluiu que a cápsula não oferecia condições seguras para trazer a tripulação de volta à Terra.

Como consequência, Wilmore e Williams permaneceram cerca de nove meses na Estação Espacial Internacional até retornarem em segurança a bordo da cápsula Dragon, da SpaceX.

A Boeing ainda tenta solucionar as falhas

Desde que a Starliner retornou vazia à Terra, em setembro de 2024, a Boeing trabalha para corrigir os problemas identificados durante a missão.

No início deste ano, representantes da NASA chegaram a demonstrar otimismo, afirmando que os avanços nos testes dos propulsores e nas soluções para os vazamentos de hélio permitiriam um novo voo não tripulado já em abril.

Na época, também existia a expectativa de que a cápsula voltasse a transportar astronautas ainda este ano.

Entretanto, esses planos acabaram sendo adiados sem que novas atualizações detalhadas fossem divulgadas pela Boeing ou pela NASA nos meses seguintes.

O relógio está correndo para a Boeing

Durante a reunião mais recente, o tom adotado pelos representantes da NASA foi bem mais cauteloso.

Susan Helms, presidente do painel consultivo, afirmou que o próximo voo da Starliner deverá acontecer “ao longo do próximo ano”, indicando que ainda existem questões importantes relacionadas ao sistema de propulsão que precisam ser resolvidas.

O atraso aumenta a pressão sobre a Boeing.

Originalmente, a empresa havia firmado com a NASA um contrato de aproximadamente US$ 4,3 bilhões para realizar seis missões operacionais de transporte de astronautas até a ISS.

Com os sucessivos problemas da Starliner, a agência revisou esse acordo e reduziu o número de missões para quatro.

SpaceX tornou-se a principal alternativa da NASA

Enquanto a Boeing tenta recuperar a confiança da agência espacial, a SpaceX consolidou sua posição como principal parceira da NASA para voos tripulados.

A cápsula Crew Dragon já transportou diversas equipes até a Estação Espacial Internacional e foi justamente ela que trouxe de volta os astronautas originalmente lançados na Starliner.

Esse cenário coloca em risco um dos principais objetivos do Programa de Tripulação Comercial da NASA: contar com duas empresas independentes capazes de realizar missões regulares de transporte de astronautas.

Além disso, o tempo disponível para a Boeing é cada vez menor. A Estação Espacial Internacional deverá ser desativada por volta de 2030, reduzindo significativamente a janela para que a empresa cumpra o restante de seu contrato.

Mesmo diante das dificuldades, a NASA afirma que ainda não pretende abandonar a Starliner. A agência continua apostando na recuperação da cápsula, mas o projeto enfrenta uma corrida contra o relógio. Cada novo adiamento amplia a vantagem da SpaceX e coloca em dúvida se a Boeing conseguirá transformar a Starliner em um veículo operacional antes do encerramento da era da ISS.

 

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