A cápsula CST-100 Starliner, desenvolvida pela Boeing para transportar astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS), ainda está longe de voltar a voar. Depois de uma missão tripulada marcada por falhas técnicas que obrigaram dois astronautas da NASA a permanecerem meses extras em órbita, a agência espacial voltou a adiar o cronograma do programa. O novo voo de testes, inicialmente esperado para este ano, agora deverá acontecer apenas em algum momento do próximo ano, enquanto engenheiros tentam solucionar os problemas que comprometeram a segurança da espaçonave.
O retorno da Starliner continua sem data definida
Durante uma reunião do Painel Consultivo de Segurança Aeroespacial da NASA, representantes da agência confirmaram que a Boeing e a NASA seguem trabalhando para certificar a Starliner para missões tripuladas.
Segundo Kent Rominger, ex-astronauta da NASA e integrante do painel, ainda é necessário definir quais testes serão realizados no próximo voo não tripulado para reduzir riscos e comprovar que a cápsula está pronta para transportar astronautas novamente.
Embora o projeto permaneça ativo, a agência reconhece que o cronograma ainda está sendo revisado e que não existe uma data oficial para o lançamento da missão Starliner-1.
A missão que terminou com astronautas presos na ISS
Os problemas começaram durante o primeiro voo tripulado da Starliner rumo à Estação Espacial Internacional.
Enquanto a cápsula realizava a aproximação da ISS, cinco propulsores apresentaram falhas, obrigando os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams a assumirem parte do controle da nave manualmente.
Além disso, a espaçonave registrou cinco vazamentos de hélio no sistema de propulsão, sendo que um deles já havia sido identificado antes mesmo do lançamento.
Após analisar a situação, a NASA concluiu que a cápsula não oferecia condições seguras para trazer a tripulação de volta à Terra.
Como consequência, Wilmore e Williams permaneceram cerca de nove meses na Estação Espacial Internacional até retornarem em segurança a bordo da cápsula Dragon, da SpaceX.
A Boeing ainda tenta solucionar as falhas
Desde que a Starliner retornou vazia à Terra, em setembro de 2024, a Boeing trabalha para corrigir os problemas identificados durante a missão.
No início deste ano, representantes da NASA chegaram a demonstrar otimismo, afirmando que os avanços nos testes dos propulsores e nas soluções para os vazamentos de hélio permitiriam um novo voo não tripulado já em abril.
Na época, também existia a expectativa de que a cápsula voltasse a transportar astronautas ainda este ano.
Entretanto, esses planos acabaram sendo adiados sem que novas atualizações detalhadas fossem divulgadas pela Boeing ou pela NASA nos meses seguintes.
O relógio está correndo para a Boeing
Durante a reunião mais recente, o tom adotado pelos representantes da NASA foi bem mais cauteloso.
Susan Helms, presidente do painel consultivo, afirmou que o próximo voo da Starliner deverá acontecer “ao longo do próximo ano”, indicando que ainda existem questões importantes relacionadas ao sistema de propulsão que precisam ser resolvidas.
O atraso aumenta a pressão sobre a Boeing.
Originalmente, a empresa havia firmado com a NASA um contrato de aproximadamente US$ 4,3 bilhões para realizar seis missões operacionais de transporte de astronautas até a ISS.
Com os sucessivos problemas da Starliner, a agência revisou esse acordo e reduziu o número de missões para quatro.
SpaceX tornou-se a principal alternativa da NASA
Enquanto a Boeing tenta recuperar a confiança da agência espacial, a SpaceX consolidou sua posição como principal parceira da NASA para voos tripulados.
A cápsula Crew Dragon já transportou diversas equipes até a Estação Espacial Internacional e foi justamente ela que trouxe de volta os astronautas originalmente lançados na Starliner.
Esse cenário coloca em risco um dos principais objetivos do Programa de Tripulação Comercial da NASA: contar com duas empresas independentes capazes de realizar missões regulares de transporte de astronautas.
Além disso, o tempo disponível para a Boeing é cada vez menor. A Estação Espacial Internacional deverá ser desativada por volta de 2030, reduzindo significativamente a janela para que a empresa cumpra o restante de seu contrato.
Mesmo diante das dificuldades, a NASA afirma que ainda não pretende abandonar a Starliner. A agência continua apostando na recuperação da cápsula, mas o projeto enfrenta uma corrida contra o relógio. Cada novo adiamento amplia a vantagem da SpaceX e coloca em dúvida se a Boeing conseguirá transformar a Starliner em um veículo operacional antes do encerramento da era da ISS.