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Ciência

Qual cor é preferida por pessoas menos inteligentes, segundo a psicologia?

Estudos já investigaram possíveis relações entre preferências por determinadas cores, personalidade e desempenho cognitivo. No entanto, a ciência está longe de considerar a cor favorita de alguém como uma medida confiável de inteligência.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Escolher uma cor favorita parece uma simples questão de gosto. Ainda assim, diferentes pesquisas no campo da psicologia das cores tentaram descobrir se nossas preferências cromáticas podem revelar alguma característica sobre personalidade, comportamento e até capacidades cognitivas.

Nesse contexto, o laranja aparece em alguns estudos e textos de divulgação associado a características como impulsividade, espontaneidade e menor orientação para atividades analíticas.

Isso levou a interpretações bastante mais fortes, como a ideia de que pessoas menos inteligentes prefeririam essa cor.

Mas existe um problema importante: gostar de laranja não permite determinar a inteligência de ninguém.

O que a psicologia associa à cor laranja?

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© Unsplash

O laranja surge da combinação entre vermelho e amarelo e costuma ser relacionado a energia, entusiasmo, sociabilidade e dinamismo.

Justamente por chamar facilmente a atenção, é uma cor muito utilizada em publicidade, marketing e comunicação visual. Dependendo do contexto, também pode transmitir sensações de calor, diversão e movimento.

Algumas interpretações da psicologia das cores associam uma preferência muito forte pelo laranja a características como impulsividade, busca por gratificação imediata e menor tolerância à frustração.

Nenhuma dessas características, entretanto, significa necessariamente menor inteligência.

Uma pessoa pode ser impulsiva e apresentar excelente capacidade de raciocínio, assim como alguém extremamente cauteloso não possui automaticamente habilidades cognitivas superiores.

O que os estudos dizem sobre cores e inteligência?

Algumas pesquisas acadêmicas já tentaram encontrar relações entre preferências cromáticas e desempenho em testes cognitivos.

Em estudos realizados com estudantes, por exemplo, pesquisadores compararam as cores escolhidas pelos participantes com resultados obtidos em avaliações de memória, raciocínio e resolução de problemas.

Em alguns casos, foram observadas diferenças estatísticas entre grupos.

Isso, porém, não significa que determinada cor esteja diretamente relacionada a um nível maior ou menor de inteligência.

Uma correlação pode existir por diferentes razões e não estabelece uma relação de causa e efeito.

Além disso, preferências por cores são influenciadas por inúmeros fatores. Idade, cultura, educação, experiências pessoais, tendências estéticas e até o ambiente no qual uma pessoa vive podem modificar significativamente essas escolhas.

Gostar de laranja também pode estar ligado à criatividade

Existe ainda outra interpretação que torna a associação entre laranja e menor inteligência ainda mais problemática.

Por ser uma cor intensa e chamativa, o laranja também costuma ser relacionado à criatividade, espontaneidade e abertura para novas experiências.

Em áreas como arte, moda, publicidade e design, cores fortes são frequentemente utilizadas justamente para romper padrões e produzir impacto visual.

Uma pessoa que prefere laranja, portanto, pode simplesmente gostar de estímulos visuais mais intensos ou possuir uma personalidade mais extrovertida.

Isso não diz praticamente nada sobre sua capacidade de resolver problemas matemáticos, compreender conceitos complexos ou aprender novas informações.

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© Unsplash

Outro problema das interpretações simplificadas é que o significado das cores não é universal.

Uma mesma tonalidade pode representar entusiasmo em uma cultura e transmitir uma mensagem completamente diferente em outra.

O contexto também importa.

Um laranja combinado com branco, cinza ou preto produz uma percepção diferente daquela criada quando aparece ao lado de vermelho ou amarelo.

Até experiências pessoais podem transformar nossa relação com uma determinada cor.

Por isso, psicólogos não podem avaliar personalidade ou inteligência simplesmente perguntando qual é a cor favorita de alguém.

Afinal, pessoas menos inteligentes preferem laranja?

Não existe evidência científica sólida que permita usar o laranja — ou qualquer outra cor — como indicador confiável de menor inteligência.

Testes cognitivos são desenvolvidos especificamente para avaliar habilidades como raciocínio, memória, compreensão e resolução de problemas. Uma preferência estética não substitui esse tipo de avaliação.

A psicologia das cores pode ser útil para estudar como diferentes tonalidades influenciam emoções, atenção, percepção e comportamento em determinados contextos.

O laranja, por exemplo, pode transmitir energia, entusiasmo e espontaneidade. Em algumas situações, também pode ser associado à impulsividade.

Mas transformar essas associações em uma regra sobre inteligência vai muito além do que as evidências científicas permitem afirmar.

No fim das contas, sua cor favorita pode revelar muito mais sobre seus gostos, experiências e contexto cultural do que sobre a capacidade do seu cérebro.

 

[ Fonte: La Gaceta ]

 

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