A nova escalada entre as duas maiores potências nucleares do planeta ganhou força após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de deslocar dois submarinos nucleares em resposta às declarações provocativas do ex-presidente russo Dmitri Medvedev. O Kremlin reagiu lembrando ao mundo que, quando se fala em armamento atômico, não existem vencedores.
O alerta do Kremlin

“Numa guerra nuclear não há vencedores”, afirmou Dmitri Peskov, porta-voz do governo russo, durante sua tradicional coletiva por telefone. Ele pediu “grande prudência” ao lidar com declarações sobre arsenais nucleares e alertou para os riscos de transformar palavras em ameaças concretas.
A fala veio após Trump justificar o envio de submarinos como uma medida preventiva diante das provocações de Medvedev, que hoje ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. O presidente americano chegou a chamá-lo de “bocudo” e afirmou: “Quando se menciona a palavra ‘nuclear’, penso: ‘Sejamos cautelosos, porque é a ameaça definitiva’”.
O jogo de ultimatos e a resposta americana

O conflito verbal começou depois que Medvedev criticou o ultimato de 10 dias dado por Washington para que Moscou aceitasse uma trégua na guerra da Ucrânia. Em sua conta na rede X, ele alertou: “Trump deve lembrar duas coisas. Primeiro: a Rússia não é Israel nem o Irã. Segundo: cada novo ultimato é um passo rumo à guerra. Não com a Ucrânia, mas com o próprio país dele”.
Trump respondeu rapidamente pelo Truth Social, dizendo ter ordenado o posicionamento de dois submarinos nucleares “nas regiões apropriadas”, para garantir que “essas palavras insensatas sejam apenas palavras e nada mais”. Em entrevista à Newsmax, reforçou: “Sempre queremos estar preparados. Só quero me certificar de que são só palavras e nada além disso”.
O presidente não especificou se os submarinos são apenas de propulsão nuclear ou se carregam mísseis atômicos. Localizações exatas permanecem classificadas por motivos de segurança nacional.
Diplomacia em paralelo

Apesar da escalada retórica, Moscou manteve sinalizações diplomáticas. Peskov confirmou que o enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, visitará Moscou e que encontros com autoridades russas — inclusive com Vladimir Putin — são possíveis.
“Estamos sempre satisfeitos em receber o senhor Witkoff em Moscou. Consideramos esses contatos importantes, significativos e muito úteis”, disse o porta-voz, destacando que a Rússia segue comprometida com uma solução política para o conflito ucraniano.
Ele ainda elogiou os esforços de mediação dos Estados Unidos: “O diálogo continua, e esses esforços são relevantes inclusive no contexto das negociações diretas entre Rússia e Ucrânia”.
Entre a retórica nuclear e o esforço de paz
A crise acontece em meio à frustração crescente de Trump diante da intensificação dos bombardeios russos na Ucrânia. Enquanto os dois países controlam a maior parte do arsenal nuclear do mundo, especialistas alertam que cada provocação verbal aumenta o risco de incidentes perigosos.
Mesmo com submarinos posicionados e discursos duros, Moscou insiste que prefere uma saída diplomática. Já Trump tenta equilibrar demonstração de força com mensagens de alerta — lembrando que, como Peskov frisou, numa guerra nuclear, ninguém vence.
[ Fonte: Infobae ]