Uma das maiores empresas de entretenimento do planeta entrou novamente em uma fase de redução de pessoal. Depois de sucessivas reorganizações, programas de aposentadoria antecipada e milhares de demissões nos últimos anos, a Disney prepara uma nova rodada de cortes. Desta vez, o movimento se concentra principalmente em áreas menos visíveis para o público, mas fundamentais para o funcionamento da companhia. E acontece enquanto a empresa tenta equilibrar investimentos em crescimento, tecnologia e inteligência artificial.
Centenas de funcionários serão afetados pela nova decisão

A Disney está eliminando algumas centenas de posições, principalmente nas áreas de recursos humanos e tecnologia. Os cortes alcançam funções corporativas e equipes distribuídas por diferentes unidades da companhia.
Algumas fontes apontam para aproximadamente 300 postos afetados. Apesar da dimensão, a nova rodada é menor que as duas anteriores realizadas pela companhia em 2026.
Duas áreas importantes devem escapar desta vez: o estúdio cinematográfico e a Disney Entertainment Television não aparecem entre os principais alvos dos cortes atuais.
O movimento acontece poucos meses depois de Josh D’Amaro assumir como CEO da companhia, em março. Sua administração vem aprofundando esforços para reduzir despesas e liberar recursos destinados a áreas consideradas estratégicas para o crescimento.
A dimensão da Disney ajuda a colocar os números em perspectiva. No encerramento do ano fiscal de 2025, a empresa tinha aproximadamente 231 mil funcionários, dos quais cerca de 172 mil estavam nos Estados Unidos e 59 mil trabalhavam em outros países.
Esta não é a primeira rodada de cortes em 2026
Os novos desligamentos fazem parte de uma sequência de ajustes realizados ao longo do ano.
Em abril, aproximadamente mil posições foram eliminadas enquanto a Disney reorganizava suas atividades de marketing. Os cortes também alcançaram outras áreas da companhia.
Em julho, outra rodada atingiu centenas de trabalhadores. Dessa vez, apareceram entre as unidades afetadas Pixar, ESPN, Disney Entertainment Television, estúdios cinematográficos e National Geographic.
No mês seguinte, a companhia adotou outra estratégia: ofereceu pacotes voluntários de aposentadoria antecipada para determinados executivos com pelo menos 50 anos, dez anos de empresa e cargo de diretor ou superior.
Ainda assim, os movimentos atuais permanecem menores do que a grande reestruturação conduzida anteriormente sob Bob Iger. Entre 2023 e 2025, a Disney eliminou aproximadamente 8 mil posições e alcançou cerca de US$ 7,5 bilhões em economia, segundo a Infobae.
Um memorando interno já havia antecipado decisões difíceis
Os sinais de novas mudanças começaram a ficar mais evidentes em setembro.
Horacio Gutierrez, diretor jurídico e de assuntos globais da Disney, enviou uma mensagem aos funcionários de sua divisão alertando para decisões difíceis relacionadas aos investimentos em pessoal.
O executivo também indicou que sua organização ficaria consideravelmente menor e mencionou uma transformação que inclui automatizar determinados fluxos de trabalho utilizando tecnologias mais recentes.
Essa reorganização específica da área jurídica não seria exatamente a mesma rodada de cortes agora concentrada em tecnologia e recursos humanos. Mas as duas iniciativas mostram como diferentes partes da empresa estão passando por avaliações semelhantes.
E existe um elemento impossível de ignorar: a inteligência artificial.
A Disney atravessa um período de transformação marcado pelo avanço da IA, mudanças no mercado cinematográfico e forte competição entre plataformas de streaming. Isso não significa, porém, que os cortes atuais tenham sido simplesmente provocados pela substituição direta de funcionários por inteligência artificial. As informações disponíveis apontam para um programa mais amplo de redução de despesas e reorganização operacional.
A Disney quer gastar menos para investir em outras frentes
A própria direção já havia sinalizado que o processo continuaria.
Em uma comunicação aos acionistas de agosto, D’Amaro e o diretor financeiro Hugh Johnston explicaram que a companhia permanecia concentrada em reduzir custos para criar capacidade adicional de investimento em crescimento.
Entre as alternativas avaliadas estavam justamente reduções de pessoal e de despesas administrativas.
Essa estratégia revela uma situação que se repete em várias gigantes de tecnologia e entretenimento: cortar despesas não significa necessariamente que uma companhia esteja simplesmente encolhendo. Em muitos casos, significa transferir recursos de determinadas estruturas para outras prioridades.
Para a Disney, isso acontece enquanto o setor enfrenta mudanças profundas na maneira como filmes e séries são produzidos, distribuídos e consumidos.
Streaming, parques, experiências, tecnologia e inteligência artificial competem por investimentos ao mesmo tempo que negócios tradicionais precisam demonstrar rentabilidade.
Os novos cortes em recursos humanos e tecnologia são, portanto, apenas mais uma etapa de uma transformação muito maior.
E talvez seja justamente esse o detalhe mais importante: enquanto personagens, filmes e parques continuam sendo a face mais reconhecível da Disney, uma reorganização muito menos visível está acontecendo nos bastidores para definir como a empresa pretende funcionar nos próximos anos.
[Fonte: Infobae]