A inteligência artificial pode mudar profundamente o mercado de trabalho, mas Elon Musk acredita que existe uma habilidade humana que continuará sendo fundamental: saber fazer as perguntas certas.
Em uma entrevista à CGTN, o empresário defendeu que crianças e jovens busquem uma formação ampla, sem concentrar todo o aprendizado em apenas uma área. A recomendação inclui conhecimentos de artes, ciências e engenharia.
Para Musk, quanto maior for o repertório de uma pessoa, maior será sua capacidade de entender o que pedir às máquinas.
Musk recomenda uma educação mais ampla

“Minha recomendação para a educação seria obter uma educação o mais ampla possível”, afirmou Musk durante a entrevista.
O empresário explicou que essa formação deveria incluir diferentes campos do conhecimento.
“Isso inclui artes, ciências, engenharia e um amplo conhecimento geral”, acrescentou.
A ideia apresentada pelo bilionário é relativamente simples: em um futuro no qual sistemas de inteligência artificial e robôs consigam executar um número crescente de tarefas, conhecer apenas uma área pode não ser suficiente.
Uma formação diversificada permitiria compreender problemas de diferentes perspectivas e, principalmente, identificar quais perguntas precisam ser feitas para encontrar uma solução.
Nesse cenário, o conhecimento humano não desapareceria. Ele passaria a desempenhar outro papel na relação com as máquinas.
Saber fazer perguntas pode se tornar ainda mais importante
Musk relacionou diretamente o conhecimento geral à capacidade de interagir com sistemas automatizados.
“Para saber o que pedir aos robôs, você precisa ser capaz de formular a pergunta”, explicou.
Essa capacidade tem relação com o que o setor de tecnologia passou a chamar de engenharia de prompts: a elaboração de instruções destinadas a orientar sistemas de inteligência artificial.
“Com o conhecimento geral mais amplo possível, você estará em melhores condições de formular as perguntas, ou o que chamam de ‘engenharia de prompts’, suponho”, afirmou Musk.
Para ele, não basta ter acesso a uma inteligência artificial extremamente avançada. O usuário também precisa conseguir explicar corretamente o que pretende obter.
“Você precisa transmitir quais são seus desejos ao robô”, disse.
Isso significa que conhecimentos de diferentes áreas podem ajudar uma pessoa não apenas a formular melhores instruções, mas também a avaliar as respostas recebidas e identificar quando uma máquina está oferecendo algo inadequado ou incompleto.
Um futuro com IA e robôs por toda parte

Durante a conversa com a CGTN, Musk também descreveu um futuro no qual inteligências artificiais e robôs seriam amplamente disponíveis.
“Por mais absurdo que pareça, haverá tantos robôs e tanta IA que a inteligência artificial estará ansiosa para ouvir qualquer solicitação que você consiga imaginar”, afirmou.
Segundo sua visão, esses sistemas poderiam responder rapidamente às necessidades humanas. “Porque essa solicitação será atendida imediatamente”, acrescentou.
Essa é uma projeção de Musk, e não uma certeza sobre como a tecnologia evoluirá. O ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial e, principalmente, da robótica física ainda depende de obstáculos técnicos, econômicos e regulatórios.
Musk acredita que a IA poderá superar humanos em muitas tarefas
As declarações fazem parte de uma visão mais ampla que o empresário vem apresentando sobre o avanço da inteligência artificial.
Em entrevista ao The Economist, Musk afirmou acreditar que a IA poderá superar a soma da inteligência humana dentro de aproximadamente cinco anos.
“A IA poderia superar a soma da inteligência humana em cerca de cinco anos”, declarou.
Ele também projetou um cenário no qual sistemas artificiais seriam capazes de executar praticamente qualquer atividade intelectual ou profissional melhor do que uma pessoa.
“Não haverá nada que a IA não possa fazer melhor do que as pessoas, exceto, talvez, o fato de ser humano”, afirmou.
Previsões desse tipo permanecem altamente incertas. Não existe consenso sobre quando — ou mesmo se — sistemas de IA alcançarão capacidades superiores às humanas em todas as áreas.
Ainda assim, o conselho educacional de Musk parte justamente dessa possibilidade: em vez de tentar prever qual habilidade técnica continuará relevante durante décadas, crianças e jovens poderiam construir uma base ampla de conhecimentos.
Em um mundo cercado por máquinas capazes de fornecer respostas, entender suficientemente bem o problema para saber o que perguntar pode se tornar uma habilidade cada vez mais valiosa.
[ Fonte: Infobae ]