A internet já viu muitas modas alimentares duvidosas. Mas de tempos em tempos, surge algo que realmente vale a pena considerar. É o caso do “fibermaxxing”, uma tendência do TikTok que propõe aumentar — e até ultrapassar — a ingestão diária recomendada de fibras. Coloridas tigelas recheadas de frutas, sementes e vegetais ganharam milhões de curtidas, e agora a ciência também parece estar do lado dessa prática. Mas como começar sem exageros? E quais os reais benefícios?
O que é o fibermaxxing e por que está em alta?
O termo “fibermaxxing” surgiu a partir dos vídeos da usuária @impamibaby, que viralizou ao mostrar seu café da manhã rico em fibras. A ideia é simples: consumir mais fibras para melhorar a digestão, reduzir o inchaço e promover saúde intestinal. A proposta pegou: já são dezenas de milhões de visualizações com a hashtag #fibermaxxing.
Segundo a nutricionista Lauren Manaker, fundadora da Nutrition Now Counseling, a maioria das pessoas consome muito menos fibra do que deveria. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 90% das mulheres e 97% dos homens não atingem a recomendação diária de 22 a 34 gramas. “Essa tendência pode ser exatamente o que faltava para popularizar um hábito essencial”, diz Manaker.
Os tipos de fibra e seus efeitos no organismo

As fibras se dividem em dois tipos principais: solúveis e insolúveis. As solúveis, como as presentes em aveia, maçãs e feijões, formam uma espécie de gel no intestino e ajudam a regular o colesterol e o açúcar no sangue. Já as insolúveis, encontradas em vegetais, sementes e grãos integrais, aumentam o volume das fezes e favorecem a evacuação.
“É importante equilibrar as duas”, alerta Manaker. “Exagerar em uma e esquecer a outra pode gerar constipação ou inchaço.” O gastroenterologista Kyle Staller, do Massachusetts General Hospital, concorda: “Fibras funcionam — e funcionam há décadas. Mas a introdução deve ser gradual.”
Por que a fibra é tão benéfica para o corpo?
Além de ajudar o intestino, a fibra pode prevenir doenças graves. Estudos mostram que o consumo adequado está associado à redução do risco de câncer de cólon, especialmente em pessoas de 20 a 54 anos. A explicação? A fibra reduz o tempo de contato das fezes com a parede intestinal e alimenta bactérias benéficas que produzem substâncias anti-inflamatórias.
Outros benefícios incluem o controle do peso, a prevenção de diabetes tipo 2, o equilíbrio do colesterol e até a redução do risco de morte precoce. Há também efeitos positivos sobre o humor, já que a saúde intestinal está ligada ao sistema nervoso.
Como começar a praticar o fibermaxxing com segurança
Para quem quer seguir a tendência, a dica principal é: vá com calma. Staller explica que um aumento abrupto na ingestão de fibras pode causar gases, inchaço e desconforto. Comece adicionando pequenas porções de frutas vermelhas ao cereal, trocando pães brancos por integrais ou incluindo legumes em pratos do dia a dia.
Suplementos como o psyllium podem ajudar em casos específicos, como colesterol alto, mas não substituem os alimentos naturais. Além disso, a ingestão de água deve acompanhar o aumento de fibras — sem ela, o efeito pode ser o oposto ao desejado.
Manaker sugere pequenas trocas: arroz integral no lugar do branco, massas e pães com grãos, saladas reforçadas com sementes e vegetais cozidos junto de pratos tradicionais.
Uma tendência com potencial de virar hábito
Embora a ideia de “desintoxicar o intestino” seja vista com ceticismo por alguns especialistas, há sim um fundo de verdade. Como a fibra auxilia na evacuação, ela contribui para a eliminação de toxinas. E mais: alimentos ricos em fibras geralmente também são fontes de vitaminas, minerais e antioxidantes.
O fibermaxxing pode parecer só mais uma modinha do TikTok, mas está baseado em princípios sólidos da nutrição. Se feito com equilíbrio, planejamento e atenção às reações do corpo, pode se transformar em um hábito poderoso para melhorar a saúde — de dentro para fora.
[ Fonte: CNN Brasil ]