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Ciência

A física diz que a matéria é quase toda espaço… então o que nos impede de atravessar paredes?

Os átomos são praticamente feitos de espaço vazio — e, aun así, vivemos em um mundo sólido. A física moderna explica esse paradoxo por meio de dois princípios invisíveis que sustentam a matéria. E embora a mecânica quântica permita exceções teóricas, a probabilidade de atravessar uma parede é tão ínfima que, na prática, é impossível.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A ideia de que a matéria é quase totalmente vazia parece contradizer nossa experiência cotidiana: tocamos mesas, paredes e objetos que se comportam como superfícies firmes. Como é possível, então, que estruturas compostas por átomos cheios de “nada” formem um mundo sólido? A resposta está na mecânica quântica, cujas leis governam o comportamento das partículas mais fundamentais e explicam por que ninguém atravessa paredes — apesar de isso não ser totalmente proibido pela física.

O “muro invisível” que mantém a matéria unida

Em vez de orbitarem como planetas, os elétrons formam uma nuvem de probabilidade ao redor do núcleo, criando um campo de carga negativa. Quando dois objetos se aproximam, as nuvens eletrônicas se repelem intensamente.
Essa força eletromagnética funciona como dois ímãs encostados pelos mesmos polos: não importa o quanto se pressione, algo invisível impede a fusão das estruturas. É esse campo que dá sensação de solidez mesmo em um mundo feito, quase por completo, de espaço vazio.

O princípio de Pauli: a regra que proíbe “compartilhar espaço”

Outro pilar que sustenta o mundo sólido é o princípio de exclusão de Pauli. Ele estabelece que elétrons — e outros férmions — não podem ocupar o mesmo estado quântico simultaneamente.
Assim, quando as nuvens eletrônicas do seu corpo tentam se sobrepor às de uma parede, a física simplesmente não permite. Essa restrição fundamental impede que os átomos colapsem uns sobre os outros e garante que a matéria mantenha sua forma e estrutura.

Vazio Sólido1
© Unsplash – New Material

E o túnel quântico? A exceção quase impossível

A mecânica quântica, porém, sempre deixa uma pequena fresta. No efeito de túnel, partículas podem atravessar barreiras que, teoricamente, deveriam ser impermeáveis. Elétrons conseguem “aparecer” do outro lado de uma parede fina devido ao seu comportamento ondulatório.
Mas para um ser humano — um conjunto colossal de partículas — a probabilidade é ridiculamente pequena: cerca de 1 em 10 elevado a 10 elevado a 30. Em termos práticos, qualquer calculadora redondearia a zero.

O paradoxo do “vazio sólido”

Mesmo sendo formados por 99,9% de vazio, os átomos criam um mundo firme graças à repulsão eletromagnética e ao princípio de Pauli. O túnel quântico mostra que a física não fecha completamente a porta para o impossível — apenas a deixa tão entreaberta que nada do nosso tamanho jamais conseguirá passar.
Assim, atravessar paredes continuará pertencendo ao reino dos quadrinhos, não ao da realidade.

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