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Ciência

Exercício após o câncer de cólon aumentou a sobrevida em estudo. O acompanhamento fez parte da diferença

Programa de três anos trouxe benefícios após cirurgia e quimioterapia e reforça a importância de incorporar atividade física ao cuidado oncológico.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Depois de concluir a cirurgia e a quimioterapia contra o câncer de cólon, muitos pacientes fazem uma pergunta: o que mais podem fazer para melhorar suas chances de recuperação? Um grande ensaio clínico internacional trouxe uma resposta concreta. Participantes que receberam acompanhamento para praticar exercícios tiveram melhores resultados nos anos seguintes.

O estudo, chamado CHALLENGE, ganhou destaque em 2025 e voltou ao debate sobre como transformar seus resultados em atendimento de rotina. A intervenção envolveu um programa de atividade física com apoio profissional durante três anos. Portanto, o benefício observado veio de uma estratégia de cuidado continuado, que ajudou os participantes a incorporar o movimento à vida cotidiana.

O que os pesquisadores colocaram à prova

Hunojo Colon
© Unsplash

Coordenado pelo Grupo Canadense de Ensaios Clínicos Oncológicos, o CHALLENGE reuniu 889 pessoas em 55 centros. Todos haviam passado por cirurgia e terminado a quimioterapia complementar para câncer de cólon.

Os participantes tinham a doença em estágio III ou em estágio II considerado de alto risco. Esse recorte é essencial para interpretar a descoberta: o trabalho avaliou uma situação clínica específica, depois do tratamento inicial.

A equipe distribuiu os pacientes aleatoriamente entre dois grupos. Um recebeu materiais educativos sobre hábitos saudáveis. O outro participou de um programa estruturado de exercícios, além de receber informações de saúde.

O artigo publicado no New England Journal of Medicine mostrou uma melhora significativa na sobrevida livre de doença. Esse indicador reúne três possíveis acontecimentos: retorno do tumor, surgimento de um novo câncer primário ou morte.

Como era o programa de exercícios

Cada participante podia escolher atividades de intensidade moderada compatíveis com suas condições e preferências. A proposta era acrescentar aproximadamente duas horas e meia de exercício aeróbico por semana à atividade que a pessoa já realizava.

Caminhar era uma das possibilidades. O objetivo central consistia em aumentar o movimento e manter essa mudança ao longo dos três anos.

Segundo o grupo responsável pelo ensaio, o programa incluía orientação de profissionais, como fisioterapeutas ou especialistas em movimento. Havia encontros quinzenais no primeiro ano e mensais nos dois seguintes. Todos continuavam recebendo o acompanhamento oncológico habitual.

Esse formato ajuda a entender o alcance da descoberta. Entregar uma recomendação e esperar que alguém consiga segui-la sozinho é uma intervenção diferente de oferecer apoio durante anos. O ensaio avaliou justamente um programa que combinava exercício, orientação e suporte para sustentar o hábito.

O que significa o aumento da sobrevida

Idosos
© Pexels – Yan Krukau

Após cinco anos, a estimativa de sobrevida livre de doença chegou a 80,3% no grupo de exercícios, contra 73,9% no grupo que recebeu materiais educativos. A diferença foi de 6,4 pontos percentuais.

Na análise de sobrevida geral, as estimativas aos oito anos foram de 90,3% e 83,2%, respectivamente. Em termos aproximados, isso equivale a 90 pessoas vivas a cada 100 no primeiro grupo, diante de 83 no segundo.

O estudo também encontrou uma redução relativa de 37% no risco de morte durante o acompanhamento. Esse percentual expressa uma comparação estatística entre os grupos. Não significa que cada participante ganhou 37% de tempo de vida, nem permite prometer um número determinado de anos adicionais a alguém.

A distinção faz diferença na comunicação dos resultados. Uma melhora nas probabilidades de sobrevivência pode ser relevante para o tratamento, mesmo sem oferecer uma garantia individual.

Por que o resultado tem tanto peso

Pesquisas observacionais já relacionavam atividade física a melhores resultados de saúde. Contudo, esses estudos enfrentam uma dificuldade: pessoas mais ativas também podem apresentar outras características que ajudam a explicar sua evolução.

O CHALLENGE avançou ao distribuir os participantes aleatoriamente entre as intervenções. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica destacou o trabalho como o primeiro ensaio randomizado de fase III a demonstrar melhora na sobrevida livre de doença com exercícios após o tratamento nesse grupo de pacientes.

Isso fortalece a proposta de incorporar programas estruturados à assistência. Ao mesmo tempo, a descoberta exige respeito ao contexto em que surgiu: câncer de cólon com características específicas, após cirurgia e quimioterapia.

Os benefícios também exigem adaptação e cuidado

Os participantes do grupo de exercícios apresentaram mais eventos musculoesqueléticos, como distensões e fraturas. A frequência foi de aproximadamente 19%, contra 12% no grupo de comparação. Uma parcela desses episódios teve relação com o programa.

Por isso, os resultados favorecem uma abordagem individualizada. A reportagem da Deutsche Welle destaca que a atividade precisa considerar as condições e os desafios de cada pessoa. Também ressalta que ainda não é possível estender automaticamente os mesmos ganhos de sobrevivência a todos os cânceres ou pacientes.

O desafio agora é fazer o apoio chegar ao paciente

A aplicação prática envolve mais do que incluir a frase “faça exercícios” em uma consulta. Na avaliação dos pesquisadores, os sistemas de saúde precisam investir em programas de apoio à mudança de comportamento para incorporar a intervenção ao cuidado habitual.

A distância entre recomendação e acesso ainda aparece na experiência dos pacientes. Segundo a reportagem da DW, uma pesquisa de 2024 com 549 pessoas com câncer encontrou encaminhamento para serviços de exercício em apenas uma de cada dez. Quase três em cada quatro, porém, consideravam que o oncologista deveria ter abordado o assunto.

O CHALLENGE oferece uma razão concreta para mudar esse cenário: entre os pacientes estudados, um programa acompanhado e duradouro melhorou resultados que vão além da disposição física. Transformar essa evidência em assistência depende de oferecer orientação e condições para manter o movimento ao longo do tempo.

 

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