No dia 15 de novembro celebra-se o Dia Mundial Sem Álcool, uma data criada pela Organização Mundial da Saúde para alertar sobre os impactos do consumo abusivo. Os números são claros: milhões de mortes anuais estão ligadas ao álcool. Mas, além das estatísticas, um padrão específico preocupa médicos e pesquisadores — o binge drinking, prática comum entre jovens que envolve beber muito em pouco tempo e que hoje representa uma ameaça real à saúde coletiva.
O que é binge drinking e por que ele cresce tanto
O Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos EUA (NIAAA) define binge drinking como:
- cinco ou mais doses para homens, ou
- quatro ou mais doses para mulheres,
ingeridas em cerca de duas horas, elevando o nível de álcool no sangue a 0,08 g/dL.
O toxicologista Carlos Damín destaca que esse padrão é frequente entre jovens, principalmente entre quinta e sábado, e está associado a riscos imediatos, desde intoxicação até acidentes graves.
O psiquiatra Rolando Salinas reforça que o consumo rápido aumenta episódios de violência, acidentes de trânsito e impactos duradouros em órgãos vitais.
Riscos em adolescentes: danos neurológicos que podem durar toda a vida
O cérebro humano só completa sua maturação por volta dos 21 anos. Por isso, bebidas alcoólicas antes dessa idade podem provocar prejuízos profundos.
Segundo Damín, a intoxicação alcoólica em jovens “pode gerar deterioração neurocognitiva que se manifesta décadas depois”.
Salinas alerta que 8 em cada 10 adolescentes experimentam álcool antes dos 18 anos e mais de 60% o fazem em episódios de consumo excessivo, aumentando riscos de quedas, brigas, decisões impulsivas e acidentes graves.
Quando o consumo passa a ser considerado excessivo
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) classificam quatro cenários de risco:
- Consumo exagerado em uma ocasião: 4 doses para mulheres, 5 para homens.
- Consumo semanal excessivo: 8 doses para mulheres, 15 para homens.
- Consumo entre menores de idade: qualquer quantidade é nociva.
- Gravidez: nenhuma quantidade é segura.
Consequências do binge drinking: de apagões a doenças crônicas
Segundo o NIAAA, os danos podem ser:
A curto prazo
- Perda de consciência e amnésia
- Intoxicação severa e risco de morte
- Acidentes, queimaduras, afogamentos
- Acidentes de trânsito
- Sexo desprotegido e violência
- Complicações na gravidez
A longo prazo
- Doenças hepáticas graves
- Infartos e AVC
- Vários tipos de câncer
- Depressão, ansiedade e prejuízos cognitivos
- Problemas familiares, sociais e profissionais
- Sistema imunológico fragilizado
Quando vira doença: o alcoolismo
Damín explica que o alcoolismo envolve dependência, perda de controle e abstinência. Entre as consequências estão cirrose, pancreatite, danos cerebrais e dificuldades emocionais.
Salinas lembra que o álcool é a substância psicoativa mais consumida no Brasil e está presente em grande parte dos acidentes fatais no trânsito. “O alcoolismo é uma doença complexa que exige tratamento integral”, afirma.
Prevenção e apoio: o que realmente funciona
A educação familiar é fundamental. “Os jovens fazem o que veem, não o que escutam”, diz Damín.
Para quem já enfrenta problemas com álcool, Salinas destaca o papel de grupos como Alcoólicos Anônimos, espaços onde compartilhar experiências ajuda na recuperação sem estigmas.
O Dia Mundial Sem Álcool convida a sociedade a repensar sua relação com a bebida — com mais consciência, cuidado e responsabilidade coletiva.