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Ciência

A NASA monitora mais de 41 mil objetos próximos da Terra: é assim que funciona o sistema criado para evitar uma catástrofe espacial

Asteroides passam perto do nosso planeta todos os dias, mas uma rede global de telescópios, radares e sistemas de inteligência orbital trabalha continuamente para garantir que nenhum deles se transforme em uma ameaça surpresa. E, pela primeira vez, a humanidade já demonstrou que consegue desviar um deles.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Filmes de ficção científica costumam retratar asteroides gigantes surgindo de repente no céu e ameaçando a sobrevivência da humanidade. Na vida real, o cenário é bem diferente. Há décadas, cientistas monitoram milhares de objetos espaciais que cruzam a vizinhança da Terra, calculando suas trajetórias com precisão cada vez maior.

Para coordenar esse esforço global, a NASA criou em 2016 o Escritório de Coordenação de Defesa Planetária, uma divisão especializada na detecção, monitoramento e avaliação de possíveis ameaças vindas do espaço. O trabalho envolve observatórios espalhados pelo mundo, sistemas de rastreamento avançados e até missões destinadas a testar como desviar asteroides caso isso se torne necessário.

Os milhares de objetos que passam perto da Terra

Impactante: um objeto metálico no espaço pode reescrever a história do sistema solar
© Romolo Tavani – shutterstock

A NASA classifica como Objetos Próximos da Terra, ou NEOs (Near-Earth Objects), todos os asteroides e cometas cujas órbitas passam relativamente perto do nosso planeta.

O número impressiona. Segundo o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS), mais de 41 mil desses corpos celestes já foram catalogados. Entre eles, centenas possuem mais de um quilômetro de diâmetro e milhares ultrapassam os 140 metros, tamanho suficiente para causar danos regionais significativos em caso de impacto.

Apesar disso, detectar um objeto não significa que ele represente perigo.

A grande vantagem da astronomia moderna é a capacidade de acompanhar esses corpos durante anos ou até décadas. Quanto mais observações são realizadas, mais precisos se tornam os cálculos sobre sua trajetória futura.

É por isso que cientistas conseguem prever com grande antecedência quando um asteroide passará perto da Terra e determinar se existe qualquer possibilidade real de colisão.

Os telescópios que vigiam o céu dia e noite

Para localizar possíveis ameaças, a NASA utiliza uma combinação de observatórios terrestres e missões espaciais especializadas.

Entre os projetos mais importantes estão o Pan-STARRS, instalado no Havaí, e o Catalina Sky Survey, no Arizona. Ambos realizam varreduras constantes do céu em busca de objetos em movimento.

Outro instrumento fundamental foi a missão NEOWISE, um telescópio espacial que operou observando o universo em comprimentos de onda infravermelhos. Esse tipo de observação permite detectar asteroides escuros que muitas vezes passam despercebidos pelos telescópios convencionais.

Além disso, o Radar Solar de Goldstone, localizado na Califórnia, é utilizado para estudar detalhes de asteroides que se aproximam da Terra, fornecendo informações sobre tamanho, forma e velocidade.

A próxima grande aposta da NASA é o telescópio espacial NEO Surveyor.

O novo caçador de asteroides da NASA

Tecnologia Da Nasa
© Alexander Ruszczynski – Shutterstock

Previsto para entrar em operação nos próximos anos, o NEO Surveyor foi projetado especificamente para encontrar objetos potencialmente perigosos que ainda não foram detectados.

Diferentemente de muitos observatórios atuais, ele utilizará sensores infravermelhos altamente sensíveis capazes de localizar asteroides escuros escondidos pelo brilho do Sol.

A missão tem como objetivo acelerar a identificação de ameaças e complementar o trabalho realizado pelos observatórios terrestres.

Quanto mais cedo um objeto for descoberto, maior será o tempo disponível para estudar sua órbita e, se necessário, planejar alguma forma de defesa.

Como a NASA calcula os riscos de impacto

Depois que um novo objeto é detectado, entra em ação uma sofisticada rede de softwares desenvolvida para analisar sua trajetória.

O principal sistema é o Sentry, responsável por calcular possíveis riscos de impacto a longo prazo. Ele processa milhões de simulações orbitais para determinar se existe alguma chance de colisão futura com a Terra.

Já o sistema Scout atua de forma diferente. Ele é utilizado quando um objeto acaba de ser descoberto e ainda existem poucas informações disponíveis. Sua função é realizar análises rápidas para identificar eventuais riscos imediatos.

Graças a essas ferramentas, a NASA afirma que atualmente não existe nenhuma ameaça significativa conhecida de impacto para os próximos cem anos.

Quando a humanidade tentou desviar um asteroide

A defesa planetária deixou de ser apenas teoria em 2022.

Naquele ano, a NASA realizou a missão DART (Double Asteroid Redirection Test), considerada um marco histórico na exploração espacial. O objetivo era simples: verificar se uma espaçonave poderia alterar a trajetória de um asteroide ao colidir deliberadamente com ele.

O alvo escolhido foi Dimorphos, um pequeno asteroide que orbita um corpo maior chamado Didymos.

A colisão aconteceu exatamente como planejado e conseguiu modificar a órbita do objeto. O resultado confirmou que a humanidade já possui tecnologia capaz de alterar o movimento de corpos celestes potencialmente perigosos.

Embora nenhum grande impacto esteja previsto no horizonte, o sucesso da missão demonstrou algo importante: pela primeira vez na história, nossa espécie não apenas observa os asteroides. Também sabe como se defender deles.

 

[ Fonte: La Nación ]

 

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