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Tecnologia

A nova aposta da Netflix mistura streaming, canais contínuos e eventos ao vivo

A plataforma estuda novas formas de manter os usuários por mais tempo assistindo conteúdos. A estratégia lembra um modelo que muitos acreditavam ter ficado no passado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante anos, a Netflix simbolizou a liberdade de escolher exatamente o que assistir e quando assistir. Esse modelo revolucionou o entretenimento e acelerou o declínio da televisão tradicional. Agora, porém, a empresa parece disposta a revisitar algumas das características que um dia ajudou a substituir. A mudança pode parecer contraditória, mas faz parte de uma estratégia para aumentar o tempo de permanência dos usuários e fortalecer sua posição em um mercado cada vez mais competitivo.

A plataforma quer tornar a experiência mais simples e prender o público por mais tempo

Desde sua criação, a Netflix apostou totalmente no consumo sob demanda. O assinante escolhe um filme, uma série ou um documentário sempre que abre o aplicativo. Esse formato se tornou o grande diferencial da plataforma durante anos.

No entanto, o comportamento dos usuários mudou. Com um catálogo cada vez maior, muitas pessoas passam vários minutos navegando entre recomendações antes mesmo de decidir o que assistir. Em alguns casos, acabam fechando o aplicativo sem iniciar nenhum conteúdo.

Segundo informações divulgadas pelo The Wall Street Journal, a empresa avalia internamente a criação de canais com programação contínua. Em vez de exigir que o usuário escolha um título toda vez que acessar a plataforma, esses canais exibiriam conteúdos de forma ininterrupta, seguindo uma grade previamente organizada.

A ideia inclui canais dedicados a gêneros específicos, grandes franquias ou até maratonas de séries, funcionando de maneira semelhante à programação tradicional da televisão por assinatura. Não seriam transmissões ao vivo em todos os casos, mas uma sequência contínua de conteúdos selecionados automaticamente.

Além disso, a empresa também estaria analisando a possibilidade de oferecer pacotes integrando outros serviços de streaming dentro da própria plataforma, seguindo uma estratégia semelhante à adotada por concorrentes como Amazon Prime Video e Apple TV.

Embora nenhuma dessas iniciativas tenha sido oficialmente confirmada, elas fazem parte de uma tentativa de aumentar o chamado engajamento: quanto tempo os assinantes permanecem assistindo, com que frequência retornam ao aplicativo e quantos conteúdos conseguem concluir.

O objetivo vai além de conquistar novos clientes. A plataforma busca fazer com que seus atuais assinantes utilizem o serviço com mais frequência, mesmo quando não há um grande lançamento em destaque.

Um teste já está acontecendo e mostra para onde a Netflix pode caminhar

Enquanto os estudos continuam, um experimento importante já está em funcionamento na França.

Desde junho de 2026, assinantes franceses passaram a acessar diretamente pela Netflix tanto o catálogo sob demanda da TF1+ quanto cinco canais de televisão transmitidos ao vivo. Entre eles estão emissoras generalistas, canais de entretenimento, séries e um canal dedicado ao jornalismo.

A integração permite acompanhar notícias, realities, programas de auditório, novelas e outros formatos sem sair do aplicativo da Netflix. Esses conteúdos aparecem lado a lado com filmes e séries tradicionais, podendo inclusive ser adicionados à lista pessoal do usuário e continuar de onde foram interrompidos.

Esse acordo representa um passo diferente da simples aquisição de direitos de exibição. Pela primeira vez, a plataforma passa a funcionar também como porta de entrada para a programação completa de uma emissora de televisão.

Ao mesmo tempo, a Netflix vem ampliando sua presença em eventos transmitidos ao vivo. Nos últimos anos, investiu em lutas de boxe, premiações, partidas da NFL e na exibição semanal do programa de luta livre Raw. A empresa também garantiu os direitos exclusivos de transmissão, nos Estados Unidos, das Copas do Mundo Femininas da FIFA de 2027 e 2031, ampliando sua aposta em conteúdos que acontecem em tempo real.

Essa estratégia também fortalece o crescimento do modelo com publicidade. Eventos ao vivo e canais lineares oferecem intervalos comerciais mais naturais e difíceis de ignorar, aumentando o potencial de receita da plataforma.

Tudo indica que a Netflix não pretende abandonar seu enorme catálogo sob demanda, mas sim complementá-lo com novas formas de consumo. Se esse movimento se expandir para outros mercados, a empresa que revolucionou o entretenimento ao eliminar a necessidade de seguir uma programação fixa poderá, ironicamente, resgatar justamente um dos hábitos mais tradicionais da televisão: ligar a tela e simplesmente assistir ao que já está passando.

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