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Tecnologia

A nova geração de robôs da China está transformando o trabalho em locais de alto risco

Eles desafiam a gravidade, trabalham onde poucos humanos conseguem chegar e estão mudando a forma como indústrias lidam com tarefas de alto risco. O impacto pode ser muito maior do que parece.
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Tempo de leitura: 4 minutos

À primeira vista, eles lembram cenas de filmes de ficção científica. Máquinas capazes de escalar enormes estruturas metálicas, permanecer presas a paredes verticais e executar tarefas de precisão sem qualquer apoio aparente. Mas, por trás dessa imagem impressionante, existe um objetivo muito mais prático: retirar trabalhadores dos ambientes industriais mais perigosos do planeta. É justamente essa estratégia que vem ganhando força na China nos últimos anos.

A nova geração de robôs foi criada para trabalhar onde o risco é maior

Imagine um robô percorrendo lentamente o casco de um navio, a lateral de um enorme tanque industrial ou a torre de uma turbina eólica, tudo isso sem andaimes ou plataformas de apoio. Enquanto permanece preso à estrutura, ele solda, remove ferrugem, faz inspeções ou prepara superfícies para pintura.

Essa tecnologia está sendo desenvolvida por empresas chinesas especializadas em robótica industrial, entre elas a RobotPlusPlus, também conhecida como Shihe Robotics, fundada em 2015. Seu foco não é criar robôs humanoides para substituir trabalhadores em fábricas, mas desenvolver equipamentos capazes de atuar em locais onde qualquer erro pode colocar vidas em risco.

Esses robôs são utilizados para limpar cascos de embarcações, inspecionar tanques petroquímicos, identificar rachaduras, remover revestimentos antigos, realizar lixamento e executar serviços de manutenção em estruturas industriais de grande porte.

A proposta é simples: quanto menos tempo um profissional precisar permanecer suspenso por cabos, plataformas ou andaimes, menor será o risco de acidentes.

Diferentemente dos robôs humanoides que recebem grande atenção nas redes sociais, a maioria desses equipamentos possui formato compacto, utilizando rodas ou esteiras combinadas com sistemas especiais de aderência para se locomover sobre superfícies verticais.

Nas estruturas metálicas, o método mais comum utiliza ímãs permanentes. Eles permitem que a máquina permaneça presa ao aço sem consumir energia continuamente apenas para manter sua posição.

Segundo a RobotPlusPlus, alguns modelos da linha HighMate conseguem tratar entre 40 e 60 metros quadrados por hora durante operações de limpeza, remoção de tinta ou ferrugem. A empresa também afirma que determinadas tarefas realizadas em estaleiros alcançam produtividade até cinco vezes superior à obtida em operações totalmente manuais. Embora esses números tenham sido divulgados pela própria fabricante, eles ajudam a explicar o crescente interesse da indústria por esse tipo de solução.

Nem todas as superfícies podem ser escaladas com ímãs

Apesar da eficiência em estruturas metálicas, os ímãs não funcionam em materiais como vidro, concreto ou superfícies que poderiam ser danificadas por esse tipo de fixação.

Nesses casos, engenheiros utilizam sistemas de sucção capazes de criar uma diferença de pressão entre o robô e a estrutura. Existem ainda pesquisas inspiradas nas patas das lagartixas, utilizando microestruturas capazes de gerar aderência por forças intermoleculares, embora essas tecnologias ainda estejam restritas principalmente ao ambiente experimental.

Estudos científicos recentes apontam que a maior dificuldade continua sendo permitir que esses robôs transitem com segurança entre diferentes superfícies, curvas, obstáculos e mudanças de inclinação sem perder estabilidade.

Mesmo assim, os testes já deixaram os laboratórios.

Além da RobotPlusPlus, outra empresa chinesa, a AKA Robotics, desenvolve a linha WallHiker, voltada para limpeza, inspeção, pintura e lixamento de navios, plataformas marítimas, tanques industriais e torres eólicas.

As universidades também participam desse avanço. Em 2026, pesquisadores da Universidade de Engenharia de Harbin apresentaram um robô de sucção destinado à inspeção de torres de energia eólica. O equipamento consegue transportar câmeras e sensores para identificar ferrugem, rachaduras e outros danos sem comprometer os revestimentos protetores das estruturas.

O objetivo não é substituir trabalhadores, mas tirá-los do perigo

Apesar dos avanços tecnológicos, esses robôs ainda não trabalham de forma totalmente autônoma.

Na maioria das operações, um operador permanece no solo acompanhando imagens transmitidas pelas câmeras da máquina e controlando seus movimentos à distância. Assim, o conhecimento técnico continua sendo humano, enquanto a exposição ao risco passa para o equipamento.

Ainda existem limitações importantes. Mangueiras podem enroscar, soldas salientes dificultam a movimentação, superfícies muito úmidas reduzem a eficiência dos sistemas de sucção e qualquer perda de aderência exige mecanismos extras de segurança.

Mesmo assim, a tendência é clara. O interesse por esse tipo de robótica cresce rapidamente em diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Gecko Robotics também desenvolve robôs escaladores para inspeção industrial e, em 2026, conquistou um contrato milionário para utilizar seus sistemas em embarcações da Marinha americana.

No fim das contas, a proposta desses equipamentos não é criar máquinas capazes de imitar super-heróis nem substituir completamente trabalhadores humanos. A verdadeira transformação está em permitir que atividades realizadas a dezenas de metros de altura passem a ser executadas com segurança a partir do solo.

Enquanto muitos projetos de robótica tentam reproduzir os movimentos humanos dentro das fábricas, essas máquinas seguem outro caminho: eliminar a necessidade de colocar pessoas em alguns dos ambientes mais perigosos da indústria moderna.

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