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Tecnologia

Casas impressas em 3D deixaram de ser ficção — mas elas não funcionam como muita gente imagina

Casas construídas camada por camada já deixaram os laboratórios e começam a chegar ao mercado. A promessa envolve obras mais rápidas, precisas e com muito menos desperdício.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine chegar a um terreno vazio pela manhã e encontrar, dois dias depois, as paredes de uma casa de 120 metros quadrados praticamente prontas. Parece exagero, mas grandes impressoras 3D de concreto já conseguem realizar parte desse trabalho. A tecnologia começa a ganhar espaço também na Argentina e promete reduzir prazos, desperdícios e até alguns custos. Só existe uma diferença importante entre aquilo que imaginamos como uma “casa impressa” e o que essas máquinas realmente entregam.

A impressora é tão grande que a casa fica dentro dela

Esqueça a pequena impressora 3D que produz objetos de plástico sobre uma mesa.

Na construção civil, os equipamentos podem formar enormes estruturas instaladas ao redor da área onde o imóvel será erguido. Um cabeçote se movimenta seguindo exatamente as coordenadas determinadas pelo projeto digital.

Em vez de plástico, ele deposita uma mistura especial à base de cimento.

O material sai continuamente e forma uma camada sobre a outra. Aos poucos, aparecem paredes, divisórias e os espaços reservados para portas e janelas.

O equipamento utilizado por uma empresa que introduziu essa tecnologia em grande escala no mercado argentino, por exemplo, possui aproximadamente 11 metros por 11 metros e chega a cerca de sete metros de altura. Ele funciona conectado a uma central misturadora e a uma bomba responsável por transportar o concreto até o cabeçote.

A vantagem está justamente na automação.

Como a máquina segue um arquivo digital, consegue depositar material somente onde ele é necessário, diminuindo cortes, sobras e erros de medição comuns em processos convencionais.

Uma casa de 120 metros quadrados pode chegar à obra cinza em 48 horas

É aqui que aparecem os números capazes de chamar atenção.

Segundo estimativas divulgadas pelas empresas que trabalham com essa tecnologia, a estrutura de uma residência de aproximadamente 120 metros quadrados pode chegar à fase de obra cinza em cerca de 48 horas.

Além disso, os responsáveis pela tecnologia estimam uma redução próxima de 35% nos prazos de execução em comparação com sistemas convencionais.

Mas existe uma palavra essencial nessa promessa: estrutura.

A máquina não começa a trabalhar na segunda-feira e entrega na quarta-feira uma residência mobiliada pronta para receber moradores.

Ela acelera principalmente a construção dos muros e de determinadas partes estruturais.

Depois disso, eletricistas, encanadores, carpinteiros e outros profissionais continuam necessários.

Instalações elétricas e sanitárias, janelas, portas, pisos, revestimentos, pintura, acabamentos e, dependendo do projeto, o próprio telhado continuam seguindo processos tradicionais.

Portanto, a impressão 3D não elimina a construção convencional.

Ela tenta transformar uma de suas etapas mais demoradas.

Menos desperdício pode ser uma vantagem tão importante quanto a velocidade

Construir rapidamente chama atenção, mas existe outra promessa importante escondida entre as camadas de concreto.

Desperdiçar menos material.

Em uma obra convencional, cortes, sobras e perdas fazem parte do processo. Uma impressora trabalha de maneira diferente: deposita uma quantidade controlada de material exatamente na trajetória determinada pelo projeto.

Pesquisadores europeus apontam que determinados sistemas de construção aditiva podem economizar até 50% de material em algumas aplicações, porque as paredes não precisam necessariamente ser preenchidas completamente com concreto. Espaços internos também podem ser aproveitados para isolamento ou instalações.

Essa liberdade oferece outra vantagem inesperada.

Formas curvas e geometrias complexas deixam de representar necessariamente um pesadelo para a obra.

Em determinados projetos, a própria geometria permite utilizar menos material mantendo a resistência necessária.

É uma mudança interessante: durante décadas, construir formas incomuns geralmente significava aumentar custos e complexidade. Com impressão 3D, algumas delas podem simplesmente ser desenhadas no computador e reproduzidas pela máquina.

O sonho de imprimir casas também encontra limites bem tradicionais

Apesar do aspecto futurista, a tecnologia continua submetida às mesmas realidades básicas de qualquer construção.

O terreno precisa ser adequado. A estrutura deve cumprir normas locais. O concreto precisa apresentar resistência suficiente e o projeto deve considerar clima, solo, logística e características sísmicas quando necessário.

Também existe o custo inicial das próprias máquinas e a necessidade de profissionais capazes de operá-las.

Isso ajuda a explicar por que a impressão 3D tende a ser particularmente interessante em projetos repetitivos ou de grande escala.

Imagine um empreendimento com dezenas de casas semelhantes.

Depois de preparar o projeto digital e configurar o equipamento, a máquina pode repetir os mesmos movimentos inúmeras vezes com alta precisão.

É justamente nesse tipo de cenário que automação, redução de desperdícios e velocidade podem começar a produzir vantagens econômicas maiores.

A construção civil pode estar entrando em sua fase de automação

Casas impressas já existem em diferentes partes do mundo.

Nos Estados Unidos, a ICON participou de um empreendimento no Texas com mais de 100 residências construídas utilizando impressão 3D. Na Europa, projetos residenciais também experimentam a tecnologia, enquanto diferentes iniciativas exploram sua aplicação em infraestrutura.

Isso não significa que pedreiros desaparecerão ou que bairros inteiros serão impressos da noite para o dia.

A transformação provavelmente será bem menos cinematográfica.

Máquinas assumirão algumas etapas repetitivas, enquanto profissionais continuarão responsáveis por inúmeras outras tarefas da construção.

Mas existe uma mudança importante acontecendo.

Durante séculos, construir uma parede significou colocar unidades ou materiais manualmente, um após o outro.

Agora, uma máquina pode receber um arquivo digital, mover um cabeçote pelo terreno e transformar aquelas coordenadas em uma estrutura física.

A casa do futuro talvez não saia inteira de uma impressora.

Mas uma parte cada vez maior dela pode começar exatamente assim.

[Fonte: a24]

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