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Ciência

A psicologia explica por que ser deixado no “visto” pode doer tanto quanto uma rejeição

Sentir desconforto quando alguém visualiza uma mensagem e não responde não é exagero. Estudos indicam que o cérebro pode interpretar esse silêncio como um sinal de exclusão social.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quase todo mundo já passou por isso: a mensagem é entregue, aparece a confirmação de leitura, mas a resposta nunca chega. Em poucos minutos, a mente começa a criar explicações, muitas delas negativas. Embora pareça apenas uma reação exagerada às redes sociais, a psicologia afirma que existe uma razão biológica para esse incômodo. Nosso cérebro pode interpretar o silêncio digital como uma forma de rejeição, mesmo quando não há evidências de que isso realmente aconteceu.

Por que o “visto” provoca tanta ansiedade?

A psicologia explica por que ser deixado no "visto" pode doer tanto quanto uma rejeição
© Unsplash

Os dois pequenos tiques azuis do WhatsApp parecem apenas um recurso técnico.

Na prática, porém, eles carregam um enorme significado social.

Eles informam que a mensagem foi aberta, mas não explicam por que a outra pessoa ainda não respondeu.

É justamente essa ausência de informação que abre espaço para interpretações.

Quando a conversa envolve alguém importante ou quando existe um medo prévio de rejeição, o cérebro tende a preencher as lacunas com hipóteses negativas.

A pessoa pode estar ocupada, dirigindo, em uma reunião, refletindo sobre o que responder ou simplesmente sem disposição para conversar naquele momento.

No entanto, como o aplicativo mostra apenas que a mensagem foi lida, muitos usuários interpretam esse dado incompleto como uma certeza de desinteresse.

Quanto mais vezes a conversa é aberta para verificar se houve resposta, maior tende a ser a ansiedade.

O cérebro trata a exclusão social como uma ameaça

A psicologia explica por que ser deixado no "visto" pode doer tanto quanto uma rejeição
© Unsplash

A psicologia explica esse comportamento a partir de uma necessidade profundamente humana: o sentimento de pertencimento.

Ao longo da evolução, fazer parte de um grupo aumentava as chances de sobrevivência.

Por isso, nosso cérebro desenvolveu mecanismos para detectar rapidamente qualquer sinal de exclusão.

Em 2003, pesquisadores Naomi I. Eisenberger, Matthew D. Lieberman e Kipling D. Williams publicaram um estudo na revista Science utilizando um experimento conhecido como Cyberball.

Nele, participantes acreditavam estar jogando uma simples partida virtual de troca de bola com outras pessoas.

Em determinado momento, eles eram excluídos do jogo enquanto sua atividade cerebral era monitorada.

Os exames mostraram ativação em regiões associadas ao componente emocional da dor física, especialmente no córtex cingulado anterior, e os participantes relataram sentimentos de rejeição e sofrimento.

Os pesquisadores ressaltam que o experimento não avaliou mensagens sem resposta nem confirmações de leitura em aplicativos.

Mesmo assim, ele ajuda a entender por que sinais de exclusão, ainda que sutis, podem provocar uma reação emocional intensa.

O problema está mais na interpretação do que no silêncio

Receber um “visto” sem resposta não significa, necessariamente, que alguém esteja ignorando você.

A confirmação de leitura apenas informa que a mensagem foi aberta.

Todo o restante costuma ser construído pela imaginação.

Esse é um dos motivos pelos quais especialistas recomendam separar os fatos das interpretações.

O fato é simples: a mensagem foi visualizada.

Pensamentos como “ela perdeu o interesse”, “ele está me evitando” ou “não sou importante” são apenas hipóteses, e muitas vezes estão erradas.

Recursos de privacidade que ocultam confirmação de leitura ou status online também podem reduzir parte dessa vigilância constante, diminuindo a tendência de transformar cada demora em motivo de preocupação.

Como evitar entrar no ciclo da ansiedade

Especialistas sugerem algumas estratégias simples para impedir que a espera por uma resposta se transforme em sofrimento.

Uma delas é resistir ao impulso de verificar a conversa repetidamente.

Silenciar a notificação por algum tempo ou direcionar a atenção para outra atividade ajuda o cérebro a interromper o ciclo de expectativa.

Se a resposta realmente for importante, enviar um lembrete educado costuma ser mais eficaz do que acumular mensagens ou fazer cobranças.

Também vale lembrar que cada pessoa possui um ritmo diferente de comunicação.

Algumas respondem imediatamente, enquanto outras preferem fazê-lo apenas quando têm tempo ou disposição.

Quando atrasos se tornam frequentes dentro de um relacionamento importante, uma conversa aberta sobre expectativas e formas de comunicação costuma produzir resultados melhores do que interpretar cada silêncio como prova de desinteresse.

Os especialistas também alertam que, se a angústia diante dessas situações se torna constante, intensa ou começa a afetar o sono, o trabalho ou a autoestima, buscar apoio psicológico pode ajudar a compreender medos relacionados à rejeição.

No fim das contas, um simples “visto” revela muito pouco sobre a qualidade de uma relação e menos ainda sobre o valor de quem está esperando por uma resposta.

[Fonte: La razón]

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