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Tecnologia

A revolução que pode ultrapassar a IA — e já está sendo disputada por IBM, Google e Microsoft

A inteligência artificial domina o debate tecnológico, mas uma transformação ainda maior pode estar surgindo. Avanços recentes em chips quânticos de IBM, Google e Microsoft indicam que estamos próximos de um salto capaz de resolver problemas inimagináveis para os computadores atuais. A disputa por essa nova era já começou — silenciosa, mas decisiva.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Durante anos, a computação quântica parecia um experimento frágil, restrito a laboratórios supercontrolados e distante de qualquer aplicação real. Mas esse cenário está mudando rapidamente. Os novos processadores da IBM, combinados com conquistas de Google e Microsoft, sugerem que estamos entrando numa fase crítica: a transição de protótipos para ferramentas práticas. Se esse salto se concretizar, poderá reescrever as bases da informática e transformar setores inteiros em poucos anos.

Não é apenas velocidade: é uma nova lógica de computação

Computadores clássicos utilizam bits — zeros ou uns. Já as máquinas quânticas trabalham com qubits, que podem ser zero e um ao mesmo tempo graças à superposição e ao emaranhamento. Essa propriedade permite explorar milhares de possibilidades simultâneas, algo simplesmente inalcançável para sistemas tradicionais.

A metáfora da CNN resume bem: um bit é uma moeda parada no chão; um qubit é a moeda girando no ar, sendo cara e coroa ao mesmo tempo. Esse comportamento abre portas para problemas que nenhum supercomputador conseguiria processar sozinho.

A IBM apresentou dois chips que marcam um avanço importante. O processador experimental Loon testa componentes essenciais para computadores quânticos tolerantes a falhas. Já o chip Nighthawk executa operações mais complexas com maior estabilidade, aproximando a tecnologia de aplicações reais.

A corrida industrial já começou

A disputa não envolve apenas big techs. Setores como automotivo, farmacêutico e aeroespacial já investem em pesquisas quânticas. A BMW e a Airbus, em parceria com a Quantinuum, estudam novos materiais e células de combustível. Biogen, 1QBit e Accenture investigam medicamentos cujas simulações são impossíveis em computadores clássicos.

A promessa é gigantesca: comparar moléculas complexas, otimizar rotas logísticas globais, analisar materiais avançados, prever mercados financeiros ou desenhar novos fármacos — tudo em escalas inatingíveis hoje.

Mas o obstáculo é igualmente enorme. Qubits são extremamente sensíveis: vibrações mínimas, variações térmicas ou até um feixe de luz podem gerar erros. “Se eu balançar uma mesa, posso danificar nossos computadores quânticos”, alertou Jay Gambetta, diretor de pesquisa da IBM.

Por isso o foco atual é conter o erro, não apenas aumentar a potência. A Microsoft aposta no seu chip Majorana 1, que usa um estado exótico da matéria para qubits mais estáveis. Google apresentou o chip Willow, capaz de reduzir erros quanto mais qubits são adicionados — e de executar em cinco minutos tarefas que levariam 10 septilhões de anos em computadores clássicos.

Salto Quântico1
© IBM

Quando chegará o verdadeiro salto quântico?

Não existe consenso. Anand Natarajan, do MIT, estima uma ou duas décadas. McKinsey projeta um computador quântico tolerante a falhas para 2035. A IBM acredita que pode alcançá-lo antes do fim desta década.

Mas há acordo em um ponto: quando essa tecnologia amadurecer, transformará indústrias inteiras. O professor Sridhar Tayur descreveu bem: “Hoje tentamos fazer neurocirurgia com colher e garfo. A computação quântica será o conjunto de ferramentas certo.”

A revolução pode não ser imediata, mas já começou. E, silenciosamente, pode superar até a inteligência artificial como o maior salto tecnológico da nossa era.

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