Nem sempre as imagens mais fascinantes vêm de missões diretamente voltadas à observação da Terra. Em julho, a sonda Psyche, lançada pela Nasa em 2023, voltou suas câmeras para o nosso planeta e para a Lua, captando registros extraordinários a 290 milhões de quilômetros de distância. As fotos foram tiradas durante testes técnicos, mas acabaram chamando a atenção pelo impacto visual e científico.
A Terra e a Lua vistas de longe

As imagens foram feitas em 20 e 23 de julho, utilizando câmeras gêmeas com exposições de até 10 segundos. Nos registros, tanto a Terra quanto a Lua aparecem como pontos luminosos refletindo a luz solar, em contraste com o fundo estrelado da constelação de Áries.
O objetivo inicial não era gerar fotos artísticas, mas testar os equipamentos de bordo da missão. Ainda assim, os registros reforçam a dimensão da distância percorrida pela sonda e o quanto o nosso planeta pode parecer pequeno diante da imensidão espacial.
O destino da missão Psyche
Apesar dos registros da Terra e da Lua terem ganhado destaque, a meta principal da missão é alcançar o asteroide 16-Psyche, localizado no cinturão entre Marte e Júpiter. Descoberto em 1852 e batizado em homenagem à deusa grega da alma, esse corpo celeste é classificado como do tipo M, formado majoritariamente por ferro e níquel.
Com formato irregular e cerca de 226 quilômetros de diâmetro, o asteroide desperta grande interesse científico por sua semelhança com o núcleo da Terra. Estudar sua composição pode revelar pistas sobre a formação dos planetas rochosos e a origem de seus núcleos metálicos.
A importância dos testes técnicos
As imagens captadas da Terra e da Lua tiveram outra função: calibrar o instrumento multiespectral da sonda, responsável por analisar superfícies em diferentes comprimentos de onda. Essa etapa é crucial para garantir que, ao chegar ao destino, os dados obtidos sejam confiáveis.
Para calibrar corretamente, os cientistas escolhem alvos conhecidos, como planetas e satélites que refletem a luz do Sol de maneira previsível. No início do ano, por exemplo, a Psyche já havia registrado Marte e Júpiter, cujos espectros avermelhados contrastam com os tons azulados da Terra.
Mais do que câmeras em ação
Além das câmeras, outros instrumentos da sonda foram testados com sucesso. Entre eles estão o magnetômetro e o espectrômetro de raios gama e nêutrons, que ajudarão a estudar a composição do asteroide. Esses testes são realizados a cada seis meses, assegurando que tudo esteja em pleno funcionamento durante a longa viagem.
A espaçonave não viaja em linha reta: sua trajetória envolve órbitas ao redor do Sol e manobras gravitacionais para ganhar velocidade. Uma delas acontecerá em 2026, quando a Psyche passará perto de Marte e usará sua gravidade como um estilingue para acelerar a rota até o destino.
Um cartão postal do Sistema Solar
Quando a missão chegar ao fim, em 2029, a Psyche terá percorrido cerca de 1,6 bilhão de quilômetros. Até lá, os testes e imagens feitas pelo caminho funcionam não apenas como etapas de calibração, mas como registros fascinantes da nossa posição no espaço.
Segundo Jim Bell, coordenador das câmeras da missão, a equipe continuará mirando novos alvos, como Saturno ou o asteroide Vesta, ampliando essa coleção de “cartões postais cósmicos” que unem ciência e beleza em plena jornada espacial.
[Fonte: CNN Brasil]