Pular para o conteúdo
Ciência

A Terra acelerou sua rotação e 22 de julho entrou para a lista dos dias mais curtos já registrados

Medições de altíssima precisão mostraram que o planeta completou uma rotação em menos de 24 horas em 22 de julho. Cientistas apontam que o fenômeno está relacionado a processos no núcleo da Terra, ao derretimento das calotas polares e às oscilações naturais do eixo de rotação.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A Terra voltou a surpreender a comunidade científica ao registrar uma aceleração incomum em sua rotação. Em 22 de julho, o planeta completou um giro completo sobre o próprio eixo em um tempo ligeiramente inferior aos tradicionais 86.400 segundos que compõem um dia solar padrão.

Embora a diferença tenha sido de apenas alguns milissegundos, o evento colocou a data entre os dias mais curtos já registrados desde o início das medições digitais modernas. Além de despertar interesse entre os pesquisadores, o fenômeno também chama a atenção porque pode impactar sistemas tecnológicos que dependem de uma medição extremamente precisa do tempo.

A Terra girou mais rápido do que o normal

Rotação Da Terra1
© Paramanick, S., et al. Commun Earth Environ

A aceleração foi detectada pelo Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (IERS), organização responsável por monitorar a duração exata dos dias utilizando uma rede de relógios atômicos distribuídos ao redor do mundo.

Desde a década de 1960, quando começaram os registros digitais oficiais, os cientistas acompanham pequenas variações na velocidade de rotação do planeta. Durante muito tempo, o comportamento esperado era uma desaceleração gradual causada principalmente pela interação gravitacional com a Lua e pelo efeito das marés.

Nos últimos anos, porém, essa tendência mudou. Em vez de girar cada vez mais lentamente, a Terra passou a registrar dias ligeiramente mais curtos em diversas ocasiões, indicando uma aceleração inesperada na rotação.

O que faz a Terra acelerar sua rotação?

Os pesquisadores explicam que vários fatores contribuem para essas pequenas alterações.

Um dos principais é o chamado bamboleio de Chandler, uma oscilação natural do eixo de rotação da Terra. Esse movimento modifica a distribuição da massa do planeta e influencia, ainda que discretamente, a velocidade com que ele gira.

Outro fator importante é o derretimento acelerado das calotas polares. À medida que enormes volumes de gelo se transformam em água e se deslocam em direção aos oceanos próximos ao Equador, ocorre uma redistribuição da massa terrestre.

Esse efeito pode ser comparado ao de um patinador artístico. Quando ele recolhe os braços durante um giro, sua rotação aumenta devido à mudança no momento de inércia. Em escala planetária, um princípio físico semelhante ajuda a explicar parte das variações observadas na velocidade de rotação da Terra.

Além disso, especialistas em geofísica investigam o papel dos movimentos do núcleo externo, composto por ferro líquido. As correntes que circulam nessa região podem alterar a distribuição de massa no interior do planeta e exercer influência sobre sua dinâmica de rotação.

Por que alguns milissegundos fazem diferença?

Terra gira mais rápido que o normal e pode exigir um “segundo bissexto negativo” pela primeira vez
© NASA

Na prática, a mudança registrada em 22 de julho foi extremamente pequena e imperceptível para as pessoas. Mesmo assim, ela tem relevância para diversas tecnologias modernas.

Sistemas de navegação por satélite, redes globais de telecomunicações, operações financeiras internacionais e diversas infraestruturas digitais dependem do Tempo Universal Coordenado (UTC) para manter sincronização absoluta.

Se a Terra continuar apresentando uma aceleração consistente ao longo dos próximos anos, especialistas poderão considerar uma medida inédita: a adoção de um segundo intercalar negativo. Diferentemente dos segundos intercalares já utilizados para compensar uma rotação mais lenta do planeta, essa solução retiraria um segundo dos relógios atômicos para mantê-los alinhados ao tempo astronômico.

Por enquanto, os cientistas seguem monitorando cuidadosamente cada nova medição. Embora a diferença observada represente apenas uma fração de milissegundo, ela reforça que a dinâmica interna da Terra ainda guarda muitos mistérios e continua oferecendo novos desafios para a física e a geofísica modernas.

 

[ Fonte: Perfil ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados