Se o primeiro furacão aparecer a partir de 18 de setembro, 2026 estabelecerá uma nova marca para o início mais tardio desde que os registros começaram, em 1851. Existe até a possibilidade de a temporada terminar sem um único furacão.
Um recorde que permanece desde 1941
O primeiro furacão mais tardio já registrado no Atlântico surgiu em 17 de setembro de 1941.
A série histórica utilizada atualmente começa em 1851, época em que meteorologistas dependiam principalmente de relatos de navios para identificar tempestades em alto-mar.
Agora, 2026 chegou à mesma data sem registrar nenhum furacão.
O National Hurricane Center acompanha uma perturbação no Atlântico subtropical central que apresenta 40% de possibilidade de se transformar em ciclone nos próximos sete dias. No entanto, a organização do sistema até o fim de 17 de setembro é considerada extremamente improvável.
Isso coloca a atual temporada a poucas horas de estabelecer um novo recorde.
Ainda há bastante tempo para que a situação mude. A temporada oficial de furacões do Atlântico termina somente em 30 de novembro, e condições mais favoráveis à formação de ciclones podem aparecer em outubro.
During a season with conditions that have been as unconducive to Atlantic hurricanes as possible, a relatively more conducive stretch appears likely into October.
Rising air will spread into the Atlantic, encouraging more unsettled conditions — especially in the west. pic.twitter.com/dmdGSgugfa
— Ben Noll (@BenNollWeather) September 17, 2026
O Atlântico poderia terminar 2026 sem furacões?
É uma possibilidade rara, mas não impossível.
Caso nenhum furacão se forme até o final da temporada, 2026 entraria para um grupo extremamente restrito.
Desde o início dos registros, apenas 1907 e 1914 terminaram sem qualquer furacão registrado na bacia do Atlântico.
Isso não significa necessariamente ausência completa de atividade tropical. Sistemas podem se formar e permanecer classificados como depressões ou tempestades tropicais sem atingir a intensidade necessária para receber a classificação de furacão.
Para chegar a essa categoria, os ventos máximos sustentados precisam atingir pelo menos 119 km/h.
Um El Niño extremamente forte ajuda a explicar o fenômeno
Existem diferentes fatores por trás da tranquilidade incomum de 2026, mas um dos mais importantes é o El Niño.
O fenômeno corresponde à fase quente do El Niño-Oscilação Sul e modifica padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta.
Durante um episódio de El Niño, as águas superficiais do Pacífico tropical central e oriental ficam mais quentes do que o normal.
Essas mudanças também afetam os ventos.
Enquanto as condições no Pacífico podem favorecer a formação de ciclones tropicais, no Atlântico ocorre frequentemente um aumento do chamado cisalhamento vertical do vento.
Esse fenômeno acontece quando a velocidade ou a direção dos ventos muda significativamente conforme a altitude.
Furacões precisam de uma estrutura relativamente organizada para crescer. Um cisalhamento intenso pode desestabilizar essa estrutura e dificultar seu desenvolvimento.
Poeira do Saara também atrapalhou as tempestades
O El Niño não é o único responsável.
Ao longo da temporada, o Atlântico recebeu repetidas incursões da Camada de Ar Saariana, uma enorme massa de ar quente, seco e carregado de poeira que se desloca do deserto do Saara em direção ao oceano.
Ciclones tropicais dependem de grandes quantidades de umidade.
Quando o ar seco saariano invade regiões onde tempestades poderiam se desenvolver, ele pode limitar a formação de nuvens profundas e reduzir as chances de organização de um sistema tropical.
Meteorologistas também investigam o papel de uma maior estabilidade atmosférica sobre partes do Atlântico tropical.
A temporada ainda não acabou
Para regiões frequentemente atingidas por furacões, especialmente Estados Unidos e Caribe, a ausência desses fenômenos até agora significou menos risco de destruição, feridos e mortes.
Mas meteorologistas alertam que o recorde não deve ser interpretado como sinal de que o perigo acabou.
O pico climatológico da temporada do Atlântico já passou, mas ciclones importantes podem surgir durante setembro, outubro e até novembro.
E uma temporada pouco ativa não precisa produzir dezenas de tempestades para provocar grandes danos.
Basta que um único furacão intenso encontre condições favoráveis e atinja uma região populosa.
Por enquanto, porém, 2026 está prestes a entrar para a história por um motivo incomum: em pleno mês de setembro, o Atlântico continua esperando seu primeiro furacão.