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Ciência

A Terra já ultrapassou 7 de seus 9 limites planetários — e todos estão piorando ao mesmo tempo

Novo relatório global mostra que clima, oceanos, florestas e reservas de água estão perdendo capacidade de suportar a pressão provocada pelas atividades humanas
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Tempo de leitura: 3 minutos

A humanidade está empurrando a Terra para condições cada vez mais distantes daquelas que permitiram o desenvolvimento das sociedades modernas. E o problema não está restrito ao aquecimento global.

O Planetary Health Check 2026 concluiu que sete dos nove limites planetários avaliados pela ciência já foram ultrapassados. Mais preocupante: todos aqueles que estão fora da chamada zona segura continuam se deteriorando.

Isso não significa que o planeta esteja prestes a entrar em colapso. Os limites funcionam como indicadores de risco. Quanto mais nos afastamos deles, maior a possibilidade de provocar mudanças extensas, persistentes e difíceis de reverter.

O que são os nove limites planetários?

A Terra Muda De Forma Todos Os Anos — Mas A Transformação é Pequena Demais Para Percebermos
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

O conceito surgiu em 2009 a partir do trabalho de pesquisadores ligados ao Centro de Resiliência de Estocolmo.

A ideia é identificar processos fundamentais para manter a estabilidade do sistema terrestre e estabelecer indicadores capazes de mostrar quanto a atividade humana está alterando cada um deles.

Eles não funcionam como uma contagem regressiva para uma catástrofe.

Ultrapassar um limite significa entrar em uma zona na qual os riscos aumentam progressivamente. Além disso, os diferentes sistemas estão conectados.

Desmatamento, por exemplo, reduz biodiversidade, altera o ciclo da água e diminui a capacidade das florestas de retirar carbono da atmosfera. Ao mesmo tempo, o aumento da temperatura pode provocar mais secas e incêndios, degradando ainda mais esses ecossistemas.

Sete dos nove indicadores já estão fora da zona segura

O relatório, coordenado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático (PIK) e elaborado por mais de 60 cientistas, identifica sete limites ultrapassados.

Eles envolvem mudança climática, integridade da biosfera, transformação do uso da terra, água doce, fluxos de nitrogênio e fósforo, novas entidades — como plásticos e substâncias químicas sintéticas — e acidificação dos oceanos.

No caso do clima, a concentração atmosférica de dióxido de carbono chegou a cerca de 426 partes por milhão, enquanto o marco dos limites planetários utiliza 350 ppm como referência para o espaço considerado seguro.

A perda de biodiversidade também compromete funções essenciais realizadas pelos ecossistemas, como polinização, armazenamento de carbono e filtragem da água.

Enquanto isso, o uso excessivo de fertilizantes despeja grandes quantidades de nitrogênio e fósforo nos ecossistemas, favorecendo proliferação de algas e redução do oxigênio disponível em ambientes aquáticos.

Os oceanos entraram na zona de risco

Oceano2
© Guillaume Bassem – Unsplash

A acidificação dos oceanos tornou-se uma preocupação particularmente importante.

O mar absorve parte do dióxido de carbono lançado na atmosfera. Isso ajuda a reduzir temporariamente o CO₂ atmosférico, mas provoca alterações químicas na água.

Desde o início da era industrial, o pH médio da superfície oceânica caiu aproximadamente 0,1 unidade. Como a escala de pH é logarítmica, isso representa um aumento de cerca de 30% na acidez.

A mudança dificulta a formação de estruturas de carbonato de cálcio utilizadas por corais, moluscos e diversos organismos marinhos.

Somada ao aquecimento e à perda de oxigênio dos oceanos, essa transformação aumenta a pressão sobre recifes, cadeias alimentares e pesqueiros.

Florestas também estão perdendo capacidade de proteção

Florestas Definharam Durante Um Antigo Aquecimento Global — E A História Pode Se Repetir
© Shutterstock

Outro alerta envolve os grandes sumidouros naturais de carbono.

Vegetação e solos absorvem parte considerável do CO₂ produzido pelas atividades humanas. Mas ondas de calor, secas, incêndios e desmatamento podem diminuir progressivamente essa capacidade.

Isso cria um problema adicional: atingir emissões líquidas zero depende não apenas de reduzir a quantidade de gases lançados na atmosfera, mas também de preservar sistemas naturais capazes de absorvê-los.

Dois limites mostram que é possível reverter o problema

Nem todos os indicadores estão fora da zona segura.

O ozônio estratosférico e a carga global de aerossóis permanecem dentro dos limites definidos pelo modelo, embora a poluição por partículas continue perigosa em várias regiões.

A recuperação da camada de ozônio é especialmente importante porque mostra que ações internacionais coordenadas podem funcionar.

A eliminação gradual de substâncias que destruíam o ozônio, estabelecida pelo Protocolo de Montreal, permitiu iniciar sua recuperação.

É uma demonstração de que os limites planetários não representam um destino inevitável.

O alerta do relatório de 2026 é justamente outro: quanto mais tempo diferentes sistemas continuarem se deteriorando simultaneamente, menor será a margem disponível para recuperar o equilíbrio.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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