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Tecnologia

A usina nuclear mais poderosa do mundo pode voltar — e isso reacende velhos medos

Depois de anos de resistência política e lembranças dolorosas, uma das maiores decisões energéticas do Japão voltou a avançar. A retomada de uma gigantesca central nuclear ganhou apoio regional e reacendeu um debate que mistura segurança, medo e necessidade. A decisão final agora está nas mãos de autoridades cruciais.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O Japão vive há mais de uma década dividido entre a busca por segurança energética e o trauma deixado por Fukushima. Agora, um passo político inesperado reacende uma das discussões mais sensíveis do país: a possível reativação da maior usina nuclear do mundo em capacidade instalada. O apoio inicial dado pela província de Niigata não garante o reinício imediato, mas altera profundamente o panorama nacional e aproxima o Japão de uma decisão que vinha sendo evitada desde 2011.

Um apoio local que muda o tabuleiro energético japonês

A autorização preliminar foi anunciada pelo governador de Niigata, Hideyo Hanazumi, que declarou estar disposto a aprovar a reativação da central Kashiwazaki-Kariwa, administrada pela TEPCO. Sua posição era vista como o maior obstáculo político regional.

O próximo passo será a votação na Assembleia da prefeitura, prevista para dezembro. Caso os legisladores respaldem oficialmente a decisão, o governo local terá cumprido a etapa necessária para que o regulador nuclear japonês conclua sua avaliação técnica final.

A central em questão não é comum: Kashiwazaki-Kariwa é considerada a maior usina nuclear do planeta em capacidade instalada e foi, durante anos, peça fundamental no fornecimento elétrico nacional. Seu desligamento após 2011 marcou o início de uma nova era de cautela no setor nuclear japonês.

Apagão Pós Fukushima
© Jezael Melgoza – Unsplash

Do apagão pós-Fukushima ao lento caminho da reativação

O desastre de Fukushima Daiichi, provocado pelo terremoto e tsunami de 2011, praticamente paralisou a energia nuclear no Japão. Todos os reatores, incluindo os sete de Kashiwazaki-Kariwa, foram desligados para avaliações rigorosas de segurança.

As unidades 6 e 7 atenderam aos requisitos técnicos em 2017, mas falhas nos sistemas de proteção contra intrusões e terrorismo impediram o retorno das operações. O regulador nuclear exigiu que a TEPCO corrigisse completamente os problemas antes de considerar qualquer liberação.

Somente em dezembro de 2023 a companhia recebeu aprovação pelas melhorias implantadas. Desde então, a empresa avançou na parte administrativa e operacional para preparar a reativação. A sinalização positiva do governador representa, portanto, um avanço significativo em um processo que parecia estagnado.

Um símbolo de ambição energética em um país em transformação

A possível reativação da maior usina nuclear do mundo ocorre em um contexto global de instabilidade energética e forte dependência de combustíveis fósseis. O Japão, altamente dependente de importações, enfrenta o desafio de equilibrar segurança, custos e compromissos climáticos.

Recolocar Kashiwazaki-Kariwa em funcionamento enviaria um recado claro sobre o papel que Tóquio pretende dar à energia nuclear em sua estratégia de médio e longo prazo. Mas também reacende tensões sociais e memórias do maior desastre nuclear de sua história recente.

O desfecho agora depende da Assembleia de Niigata e da decisão final do regulador japonês. Se tudo avançar conforme o previsto, a central poderá estar diante de sua primeira reativação em mais de dez anos — um retorno que promete reconfigurar o debate energético no Japão.

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