Pular para o conteúdo
Notícias

O novo obstáculo no caminho de Lula: o que São Paulo e Minas revelam sobre os riscos da reeleição em 2026

Duas das maiores forças eleitorais do Brasil, São Paulo e Minas Gerais, acendem um sinal de alerta para o projeto de reeleição de Lula. Com números desfavoráveis, falta de nomes fortes e um cenário político fragmentado, o presidente terá de enfrentar mais do que a oposição para continuar no Planalto.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Na acirrada eleição de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva garantiu a vitória com margem apertada sobre Jair Bolsonaro, graças em grande parte ao bom desempenho no Nordeste — mas também com papel decisivo de São Paulo e Minas Gerais. Juntos, esses dois estados deram quase um terço dos votos ao petista. Agora, com o pleito de 2026 se aproximando, a realidade nesses colégios eleitorais coloca em xeque a viabilidade de sua reeleição.

A crise petista em São Paulo: sem nomes, sem fôlego

O novo obstáculo no caminho de Lula: o que São Paulo e Minas revelam sobre os riscos da reeleição em 2026
© https://x.com/CostaJr2023

Berço político do PT e do próprio Lula, São Paulo tem sido terreno hostil para a esquerda desde a redemocratização. O partido nunca venceu uma disputa estadual ali, e os nomes que tentou em 2002 e 2022 foram derrotados no segundo turno com relativa facilidade. Hoje, o panorama é ainda mais desanimador.

Com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) liderando todas as pesquisas — e sendo apontado como possível presidenciável —, o PT se vê sem nomes viáveis para lançar. Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda, não voltará a disputar. Outros ministros, como Alexandre Padilha e Luiz Marinho, não chegam sequer aos dois dígitos nas sondagens. O deputado Guilherme Boulos, que teve forte votação em 2022, pode assumir um ministério e não se lançar ao governo. Diante do vácuo, o partido já cogita recorrer à ex-prefeita Marta Suplicy, que estará com 81 anos em 2026.

O cenário mais provável é o de apoio a um aliado. Entre os nomes cotados está o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que aparece como a melhor opção nas pesquisas, embora ainda bem atrás de Tarcísio. O único nome disposto a entrar na disputa, por enquanto, é o do ministro Márcio França (Empreendedorismo), também do PSB. Ele lidera cenários sem Tarcísio, mas perde de forma expressiva quando o atual governador aparece como candidato.

Minas Gerais: panorama ainda mais desafiador

Se a situação em São Paulo é ruim, em Minas ela beira o colapso para o PT. No estado que garantiu a virada de Lula em 2022, os nomes mais fortes da direita dominam as intenções de voto. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL) lideram com cerca de 40%, segundo pesquisa do Paraná Pesquisas.

Do lado do PT, o nome com maior intenção de voto é o do deputado Reginaldo Lopes — com apenas 3,8%. Em 2022, o partido já havia optado por apoiar Alexandre Kalil (PSD), derrotado por Romeu Zema (Novo) ainda no primeiro turno. Para 2026, a tendência é de nova aliança. O plano do presidente é convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a se lançar candidato com apoio do governo federal. Até agora, no entanto, Pacheco tem se mostrado pouco entusiasmado.

O cientista político Eduardo Grin, da FGV, resume: “O plano número 1, 2, 3 e 1.000 do PT é reeleger Lula, mesmo que isso signifique abrir mão de disputar o governo de Minas pela segunda vez seguida.”

Uma base instável e uma oposição organizada

Para além dos problemas regionais, o governo Lula enfrenta desgaste em nível nacional. Sua popularidade está em queda e manter a base unida no Congresso será tarefa difícil em 2026. Mesmo com Jair Bolsonaro inelegível, a direita e o centro-direita já se articulam para ocupar esse espaço com força.

O União Brasil e o PP formaram o maior bloco do Congresso, com discurso abertamente contrário ao governo. Além disso, governadores como Romeu Zema (MG), Ratinho Junior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS) se movimentam como possíveis candidatos à Presidência — fragmentando o campo da direita, mas também ampliando seu alcance.

Há sinais de enfraquecimento até mesmo na região Nordeste, tradicional reduto do lulismo, onde as primeiras pesquisas mostram rachaduras no apoio. Com São Paulo e Minas em crise e o restante do país em movimento, Lula enfrenta mais do que uma eleição: encara uma batalha pela sustentação do projeto político que o levou de volta ao poder.

O cenário está posto — e ele exige mais do que carisma ou história. A disputa de 2026 promete ser mais complexa e imprevisível do que nunca.

[Fonte: Veja]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados