A descoberta de um possível eco de luz com proporções inéditas chamou a atenção da comunidade científica internacional. O responsável pela façanha é Julian Shapiro, um adolescente de 17 anos, que se deparou com o fenômeno enquanto explorava dados astronômicos por conta própria. O achado foi apresentado durante o Global Physics Summit 2025, promovido pela Sociedade Americana de Física.
Um encontro inesperado no cosmos
Enquanto buscava vestígios de supernovas e nebulosas planetárias nos dados do projeto DECaPS2, que reúne imagens do plano galáctico do sul obtidas no Observatório Interamericano Cerro Tololo, no Chile, Julian notou algo incomum. A estrutura que ele observava não correspondia aos padrões típicos de explosões estelares.
Intrigado com a ausência de uma supernova no centro do objeto e com a forma atípica da formação, o estudante começou a investigar mais a fundo. “Foi uma surpresa me deparar com isso”, contou Shapiro em entrevista ao site Live Science.
Um eco de luz de dimensões colossais
O fenômeno observado por Julian é considerado um possível eco de luz: resquícios de radiação emitida por um buraco negro supermassivo, que, mesmo dormente, teria deixado marcas em nuvens de gás ionizadas ao seu redor. Essa radiação, refletida por essas nuvens, gera um brilho residual — como fagulhas deixadas por uma chama apagada.
Utilizando dados do Telescópio Africano do Sul, Julian identificou altas concentrações de oxigênio e enxofre ionizados, elementos típicos de regiões afetadas por explosões ou por intensa radiação cósmica. Esses indícios reforçam a hipótese de que o objeto seja resultado da atividade passada de um buraco negro.
Uma das maiores estruturas já detectadas
Com base nas estimativas feitas, Julian acredita que o eco de luz tenha entre 150.000 e 250.000 anos-luz de diâmetro, o que representa até o dobro da largura da Via Láctea. Se confirmado, esse pode ser o maior eco de luz já descoberto no universo. “Esse objeto cobre uma área vasta do céu, o que facilita a obtenção de imagens detalhadas”, explicou o jovem.
A descoberta reforça o papel cada vez mais relevante da ciência cidadã e destaca como a curiosidade e a iniciativa individual podem levar a contribuições significativas para a astronomia moderna.
[Fonte: Revista Galileu]