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África está se partindo ao meio: cientistas detectam o nascimento de um novo oceano sob o continente

Pesquisadores identificaram sinais de um processo geológico inédito: um “mar de lava” subterrâneo estaria abrindo lentamente uma fenda que, em milhões de anos, pode dividir o continente africano e criar um novo oceano entre Etiópia e o restante da África.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um estudo conduzido pelas Universidades de Southampton e Swansea, no Reino Unido, revelou que um novo oceano começou a se formar sob a região de Afar, no nordeste da Etiópia.
De acordo com os cientistas, a descoberta representa uma das evidências mais claras de que o continente africano está em processo de divisão tectônica, impulsionado por intensos fluxos de magma que sobem do interior da Terra.

Um oceano que nasce sob os nossos pés

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© Pexels – Blaque X

A pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, descreve um fenômeno fascinante: pulsos rítmicos de rocha fundida emergindo do manto terrestre, que enfraquecem a crosta e aceleram a separação entre as placas tectônicas africanas.
Esses movimentos subterrâneos, dizem os autores, estão abrindo espaço para a formação de uma nova bacia oceânica, ainda invisível na superfície, mas já em pleno desenvolvimento.

“O manto sob a região não é estático”, explicou a geóloga Emma Watts, uma das autoras do estudo. “Ele emite ondas de calor e magma que tornam a crosta mais frágil. Esses pulsos térmicos criam tensões que facilitam a abertura de fissuras e a expansão do terreno.”
Em outras palavras, o interior do planeta está esticando lentamente a África por dentro.

Afar: o ponto mais instável da Terra

A região de Afar, no nordeste etíope, é considerada uma das áreas geológicas mais ativas e instáveis do mundo.
Ali se encontram três grandes falhas tectônicas — o Rift do Mar Vermelho, o Rift do Golfo de Áden e o Grande Rift Etíope —, que convergem em um ponto conhecido pelos geólogos como “triple junction” ou “ponto triplo”.

Essa combinação cria o cenário perfeito para o rompimento continental.
À medida que as placas se afastam, a crosta terrestre se estica e se adelgaça, abrindo espaço para que o magma suba e preencha as fissuras, em um processo que, eventualmente, dará origem a um novo oceano.

Os cientistas afirmam que o processo levará milhões de anos, mas seu resultado é considerado inevitável.
O chamado Chifre da África, que inclui países como Etiópia, Eritreia, Djibuti e Somália, acabará se separando do continente principal. No espaço deixado pela fenda, o mar avançará e formará um oceano completamente novo, redesenhando o mapa geográfico da África e, com ele, o da Terra.

O interior do planeta em movimento

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© X -@elEconomistaes

O geocientista Tom Gernon, da Universidade de Southampton, destacou que esse tipo de dinâmica é mais intensa nos rifts de expansão rápida, onde o magma se move como correntes pulsantes.
“As pulsões se propagam com mais eficiência, como fluxos de energia em uma artéria estreita”, explicou.
Essa analogia ajuda a compreender como as forças internas do planeta influenciam diretamente a superfície, moldando montanhas, oceanos e até a configuração dos continentes.

Embora a formação do novo oceano africano seja um processo que levará dezenas de milhões de anos, os pesquisadores afirmam que compreender o fenômeno é fundamental para antecipar riscos sísmicos e vulcânicos em regiões densamente povoadas do Chifre da África.

Um vislumbre do futuro da África

A fragmentação continental é um dos mecanismos mais poderosos e lentos da natureza — o mesmo que, há 180 milhões de anos, separou a América do Sul da África e deu origem ao oceano Atlântico.
Agora, o mesmo processo parece estar se repetindo sob os pés dos etíopes.

Os cientistas acreditam que, com o avanço das tecnologias de sensoriamento remoto e monitoramento sísmico, será possível acompanhar em tempo real o nascimento desse novo oceano e entender melhor como o interior da Terra continua moldando o planeta.

A África, dizem eles, já começou a mudar de forma — ainda que o resultado final só seja visível daqui a milhões de anos. Mas, do ponto de vista geológico, o relógio da transformação já está em contagem regressiva.

 

[ Fonte: TN ]

 

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