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Algo gigante e marrom está tomando o Atlântico — e a culpa pode ser nossa

Um cinturão gigante de algas marrons se espalha pelo Oceano Atlântico, chegando a 37,5 milhões de toneladas em 2025. O fenômeno, chamado Grande Cinturão Atlântico de Sargaço, ameaça praias, pesca, turismo e até a saúde pública. Pesquisadores apontam que a atividade humana é uma das principais responsáveis pelo crescimento descontrolado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Desde 2011, um fenômeno preocupante vem chamando a atenção de cientistas: o surgimento do Grande Cinturão Atlântico de Sargaço, uma imensa mancha de algas marrons que se estende da costa da África Ocidental até o Golfo do México. Em 2025, o volume atingiu um recorde histórico de 37,5 milhões de toneladas. Um novo estudo revela como a poluição, as mudanças climáticas e os nutrientes despejados por rios estão alimentando essa explosão biológica.

Um cinturão de algas que não para de crescer

O estudo, publicado na revista Harmful Algae por pesquisadores da Florida Atlantic University (FAU), mostra que o sargaço, antes restrito ao Mar dos Sargaços, agora se espalha por quase todo o Atlântico Norte.

“A expansão do sargaço não é apenas uma curiosidade ecológica — tem impactos reais em comunidades costeiras”, explica Brian Lapointe, autor principal do estudo.

Segundo o pesquisador, o excesso de algas entorpece praias, prejudica a pesca, afeta o turismo e pode até representar riscos à saúde devido à liberação de gases tóxicos durante a decomposição.

Como o sargaço se espalha pelo Atlântico

Pesquisas recentes mostram que o sargaço viaja longas distâncias, saindo de áreas ricas em nutrientes, como o Golfo do México, e se espalhando pelo Atlântico através de correntes marítimas rápidas, como a Loop Current e a Corrente do Golfo.

Imagens de satélite de 2004 e 2005 já revelavam faixas gigantescas de sargaço no Golfo, alimentadas pelo despejo de nutrientes de grandes rios, como o Mississippi e o Atchafalaya. Em 1991, a proliferação foi tão intensa que chegou a provocar o fechamento emergencial de uma usina nuclear na Flórida.

O papel da atividade humana

O crescimento acelerado do sargaço está diretamente ligado à ação humana. O estudo mostra que, entre os anos 1980 e 2020, a quantidade de nitrogênio nas algas aumentou 50%, enquanto o fósforo diminuiu.

Essas mudanças estão relacionadas ao uso de fertilizantes na agricultura, ao despejo de esgoto não tratado e à poluição atmosférica. Ou seja: quanto mais nutrientes chegam ao oceano, mais o sargaço cresce.

O rio Amazonas também desempenha um papel central. Inundações e secas na bacia amazônica afetam diretamente a quantidade de nutrientes despejada no Atlântico, influenciando a intensidade e a extensão do cinturão.

Impactos ambientais e sociais preocupantes

O aumento do sargaço tem consequências graves:

  • Turismo: praias caribenhas e mexicanas têm registrado quedas no número de visitantes devido ao mau cheiro e à aparência das algas.

  • Pesca: os aglomerados dificultam a navegação e alteram ecossistemas marinhos.

  • Saúde pública: durante a decomposição, o sargaço libera gases como sulfeto de hidrogênio, que pode causar problemas respiratórios.

Além disso, a presença massiva das algas pode alterar cadeias alimentares marinhas e afetar a biodiversidade.

O futuro do Atlântico em risco

Para os pesquisadores, o fenômeno representa uma mudança ecológica profunda. Entender como os nutrientes, as correntes oceânicas e as ações humanas influenciam o crescimento do sargaço é fundamental para reduzir os impactos.

“Estamos começando a conectar os pontos entre a poluição terrestre, a circulação oceânica e a expansão sem precedentes do sargaço”, afirma Lapointe.

Ainda não se sabe até onde o fenômeno pode chegar, mas os cientistas alertam que os efeitos de longo prazo podem ser devastadores para os ecossistemas e as economias costeiras.

 

 O Grande Cinturão Atlântico de Sargaço atingiu 37,5 milhões de toneladas em 2025, com impactos diretos no turismo, pesca e saúde pública. Um estudo aponta que a poluição, os fertilizantes e as mudanças climáticas estão acelerando o crescimento das algas. Os cientistas alertam: os efeitos desse fenômeno podem ser duradouros e devastadores.

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