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Tecnologia

Aliados de Flávio Bolsonaro culpam ChatGPT por carta em que senador se declarou presidente eleito

Aliado de Flávio Bolsonaro afirma que ChatGPT recuperou versão antiga de carta na qual senador se proclamava presidente eleito. Explicação surge após críticas e repercussão política.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial virou protagonista de uma nova controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro. Depois de publicar uma carta em que se apresentava como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar da derrota para Lula, o senador retirou a expressão do documento. Agora, seus aliados afirmam que o erro teria sido provocado pelo ChatGPT, utilizado na elaboração do texto. A explicação, porém, não encerrou a polêmica sobre a contestação do resultado eleitoral.

Como o ChatGPT teria alterado a carta de Flávio Bolsonaro?

A explicação foi apresentada nesta quinta-feira (29) pelo influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro e um de seus principais interlocutores nos Estados Unidos.

Segundo Figueiredo, a carta passou por diferentes versões e recebeu contribuições de várias pessoas antes de ser divulgada.

Eduardo Bolsonaro teria utilizado o ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, para preparar a versão final do documento.

Entretanto, durante esse processo, o sistema teria recuperado uma versão anterior do texto, na qual Flávio se apresentava como o verdadeiro presidente eleito.

De acordo com a reportagem da Reuters, publicada pelo UOL, Figueiredo afirmou que os problemas só foram percebidos depois da distribuição da carta à imprensa.

A explicação é uma versão apresentada pelo aliado. Não há confirmação independente de que o ChatGPT tenha provocado a inclusão da frase.

Inteligência artificial também teria utilizado brasão antigo do Brasil

Aliados de Flávio Bolsonaro culpam ChatGPT por carta em que senador se declarou presidente eleito
© Brazilian Government. Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=13252003

Outro detalhe chamou atenção na primeira versão do documento.

A carta apresentava um brasão histórico da República com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, utilizando a antiga grafia do nome do país.

Segundo Paulo Figueiredo, a escolha também teria sido resultado do uso da inteligência artificial.

O influenciador afirmou que os envolvidos consideraram engraçada a utilização do símbolo desatualizado.

O episódio mostra um dos riscos associados ao uso de ferramentas generativas na produção de documentos públicos.

Sistemas como o ChatGPT podem gerar textos, reorganizar informações e produzir conteúdos visualmente convincentes, mas suas respostas precisam ser revisadas.

A responsabilidade pela publicação e verificação de um documento continua sendo de quem o produz e divulga, independentemente das ferramentas utilizadas.

Flávio retirou expressão após repercussão negativa

A carta foi publicada na quarta-feira (28), depois da chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.

Na primeira versão, o senador se apresentava como presidente eleito, apesar de ter perdido o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva.

Cerca de uma hora depois, o documento foi retirado das redes sociais e substituído por outro.

A nova versão passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”.

Segundo Figueiredo, a mudança ocorreu por razões jurídicas e morais.

O aliado também afirmou que o episódio não alterou a posição política de Flávio, que continua questionando a legitimidade das eleições.

As acusações de fraude, entretanto, não foram acompanhadas de provas.

Partido de Flávio reconheceu a vitória de Lula

Aliados de Flávio Bolsonaro culpam ChatGPT por carta em que senador se declarou presidente eleito
© Nelson Almeida/AFP/Getty Images

O resultado oficial do segundo turno, realizado em 25 de outubro, confirmou a reeleição do presidente Lula.

Resultado oficial das eleições presidenciais de 2026:

Lula (PT): 51,79% – 64,2 milhões de votos

Flávio Bolsonaro (PL): 48,21% – 59,8 milhões de votos

Diferença superior a 4,4 milhões de votos, conforme os dados divulgados pelo TSE.

A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, por observadores internacionais e pelo próprio Partido Liberal.

O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, também criticou a carta divulgada pelo senador.

Em declarações à CNN Brasil, Valdemar afirmou que ninguém havia aprovado o documento.

A manifestação evidenciou divergências dentro do partido sobre a estratégia adotada após a derrota eleitoral.

Explicação sobre IA não encerra a controvérsia

O episódio acontece enquanto Flávio permanece nos Estados Unidos, após deixar o Brasil apesar de uma determinação judicial para entregar seus passaportes.

O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusações que nega.

A OpenAI e a assessoria de Flávio não haviam respondido aos pedidos de comentário da Reuters até a publicação da reportagem.

Ainda não foram apresentados registros técnicos que permitam verificar como o ChatGPT teria sido utilizado na elaboração da carta.

Mesmo que a inteligência artificial tenha recuperado uma versão anterior do documento, a explicação não altera o fato de que Flávio publicou uma declaração contestando o resultado eleitoral sem apresentar evidências de fraude.

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